

A fabricante de brinquedos Estrela informou nesta quarta-feira (20) que entrou com pedido de recuperação judicial, em conjunto com empresas de seu grupo, diante de dificuldades financeiras agravadas pelo aumento do custo de crédito, mudanças no consumo e pressão competitiva do mercado digital.
O pedido foi protocolado na Comarca de Três Pontas, em Minas Gerais, e envolve oito empresas do Grupo Estrela, incluindo a própria Manufatura de Brinquedos Estrela S.A., a Editora Estrela Cultural e a Estrela Distribuidora de Brinquedos.
Em comunicado ao mercado, a companhia afirmou que a recuperação judicial tem como objetivo reorganizar o endividamento e preservar a continuidade das operações, além de manter empregos e a geração de valor para clientes, fornecedores e acionistas.
Segundo a empresa, o cenário econômico dos últimos anos pressionou a estrutura financeira do grupo.
Entre os motivos apontados pela empresa estão os juros altos, a maior dificuldade para conseguir empréstimos e a mudança nos hábitos dos consumidores, que passaram a gastar mais com opções digitais, como jogos e entretenimento online.
A Estrela destacou que continuará operando normalmente durante o processo.
Pela legislação brasileira, a administração da empresa permanece à frente das atividades enquanto o plano de recuperação é elaborado e submetido aos credores.
A companhia informou ainda que apresentará futuramente um Plano de Recuperação Judicial, que precisará ser aprovado pelos credores para viabilizar a reestruturação financeira do grupo.
A notícia marca um novo capítulo para uma companhia que atravessou gerações e se tornou símbolo da infância no Brasil. Ao longo das décadas, a Estrela foi responsável por popularizar brinquedos e jogos que marcaram milhões de brasileiros, como Banco Imobiliário, Jogo da Vida, Detetive, além de bonecas, trens elétricos e outros produtos que se tornaram clássicos do mercado nacional.
Além da adversidade financeira, os fabricantes de brinquedos lidam com a forte invasão de produtos importados. De acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), o faturamento do setor em 2025 foi de R$ 10,39 bilhões, com a indústria nacional respondendo por pouco mais da metade (53%) desse volume. Atualmente, os artigos chineses dominam 72% das importações da categoria no país.















