Insônia ansiosa não é falta de sono. É excesso de cabeça. E é tratável.

Olá! Sou Dr. Otávio Augusto, mas pode me chamar de Dr. Ota. Trespontano, médico pós-graduado em Psiquiatria pelo Hospital Israelita Albert Einstein e fundador da SANVIT. Hoje eu vim te contar uma coisa que talvez te explique a noite passada inteira.

Existe um tipo específico de insônia que não tem a ver com o sono. Tem a ver com a cabeça que não para. E se você tá lendo isso às duas da manhã, calma, eu vou explicar.

Vamos começar pelo básico: dormir mal não é tudo igual. A medicina separa pelo menos quatro tipos de insônia, e o tratamento muda em cada um. Hoje quero te falar do tipo mais comum no consultório: a insônia ansiosa.

Ela funciona assim. Você apaga a luz. Cinco minutos depois, sua cabeça começa a fazer aquilo que ela passou o dia inteiro evitando: pensar. E não pensa em coisa boa. Pensa naquele email que você não respondeu, na conversa que ficou estranha com seu cunhado, no boleto que vence segunda, no peso que você ganhou, naquela coisa que você falou em 2014 e ainda te dá vergonha. A cabeça fica acelerada. O corpo fica tenso. Você olha o relógio. Já é uma da manhã. Aí você começa a se preocupar com o fato de não estar dormindo, o que te deixa mais ansioso ainda. E o ciclo se fecha.

Esse não é um problema de sono. É um problema de ativação.

Quando você está ansioso, seu corpo libera cortisol e adrenalina, hormônios que existem pra te manter alerta diante de uma ameaça. O cérebro entende ameaça como qualquer coisa não resolvida: tarefa pendente, conversa malterminada, contagem de boletos. À noite, sem distração, essas pendências sobem. O corpo entende que tem perigo. E corpo em estado de perigo não dorme. É biologia, não preguiça nem fraqueza.

E aí vêm as três personas que aparecem no consultório quase toda semana:

Marta, 38 anos, advogada. Dorme com o celular na mão, acorda 3h da manhã pensando em audiência. Tomava umas gotinhas de Rivotril que a colega do serviço passou, ela jura que ajudava no começo, mas hoje continua acordando.

Renato, 32 anos, pai de um bebê de seis meses. Achou que era cansaço de pai. Mas o filho começou a dormir a noite inteira faz dois meses, e ele continua acordando às quatro.

Dona Cida, 67, viúva. Vai pra cama nove e meia, dorme rápido, acorda três horas e fica acordada até o sol nascer. Tem certeza que é “coisa da idade”.

Os três têm insônia ansiosa. Os três acham que é outra coisa. Os três tentam resolver com receita errada (Marta com remédio passado por terceiro, Renato com cerveja antes de dormir, Dona Cida aceitando como destino). E os três têm tratamento.

O que NÃO funciona:

  • Tentar dormir com mais força (quanto mais você tenta, menos dorme).
  • Álcool antes de dormir (te apaga, mas destrói a qualidade do sono).
  • Remédio tarja preta passado por colega de trabalho, vizinha, parente (“essa gotinha funciona pra mim, toma também”). Funciona até parar de funcionar. E aí o problema dobra: você ainda tem insônia, e agora tem dependência também.
  • Esperar passar (insônia ansiosa que dura mais de três semanas tende a virar crônica).

O que ajuda de verdade:

  • Identificar se é ansiedade ou outra coisa. Diagnóstico antes de remédio.
  • Higiene de sono real (não a versão de Pinterest).
  • Técnicas de baixa ativação (respiração diafragmática treinada, não a do TikTok).
  • Em alguns casos, medicação por tempo limitado e com acompanhamento.
  • Em outros, terapia. Em outros, os dois.

O ponto principal: insônia ansiosa não se resolve sozinha porque a causa não é falta de sono. A causa é uma ativação que precisa ser desativada. E desativar exige método.

Se você dorme mal há mais de três semanas, se acorda no meio da noite e não consegue voltar a dormir, ou se já tentou de tudo e nada funcionou, vale uma avaliação. A boa notícia é que insônia ansiosa é uma das condições que mais respondem a tratamento bem feito. Em poucas semanas, a maioria das pessoas volta a dormir.

Se você se identificou, ou conhece alguém que precisa, vem conversar. SANVIT, na casa rosa, em Três Pontas.

Dr. Otávio Augusto
Médico Psiquiatra  ·  CRM-MG 108485
Fundador da SANVIT  ·  Três Pontas, MG
www.somossanvit.com.br  ·  (35) 99870-2334  ·  @sanvit.br

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica individualizada.