
As eleições deste domingo foram o principal assunto da sessão ordinária da Câmara Municipal de Três Pontas, realizada na noite desta segunda-feira (5), no Plenário Presidente Tancredo Neves. O resultado das urnas repercutiu entre os vereadores, principalmente em relação à votação dos deputados que possuem grupos políticos e bases de apoio no município. A ausência foi do vereador Antônio Carlos de Lima (Antônio do Lázaro – PSD).
Entre os assuntos mais comentados esteve a redução da votação dos deputados majoritários Mário Henrique Caixa (PV), na disputa estadual, e Diego Andrade (PSD-MG), para a Câmara Federal. Também chamou a atenção o crescimento expressivo da votação do deputado Nikolas Ferreira, que ultrapassou a marca de 3 milhões de votos no país e, em Três Pontas, saltou de pouco mais de 2 mil votos em 2022 para 8.501 em 2026.
O desempenho de Nikolas também foi destacado durante os discursos. Segundo os parlamentares, o resultado evidencia uma mudança na forma de fazer campanha e na maneira como parte do eleitorado se relaciona com os candidatos, especialmente por meio das redes sociais.
Valéria comemora votação e fala em gratidão e responsabilidade
Que
m fez questão de comentar o resultado de sua candidatura foi a vereadora Valéria Evangelista Oliveira (PL). Candidata a deputada, ela recebeu 3.340 votos em sua terra natal e 5.961 votos em todo o Estado de Minas Gerais.
Em seu discurso, Valéria afirmou ter se sentido abraçada pelos conterrâneos e destacou o significado pessoal da votação obtida. Segundo ela, as pessoas que votaram em seu nome representaram uma demonstração de confiança: “Eu acredito na Professora Valéria.”
A vereadora afirmou que não esquecerá a confiança depositada nas urnas e ressaltou que, para ela, voto não representa apenas um número, mas confiança, responsabilidade e esperança.
Valéria iniciou seus agradecimentos por Três Pontas, cidade onde construiu sua vida e sua trajetória política, e estendeu a manifestação de gratidão aos mineiros de diferentes municípios que conheceram seu trabalho, ouviram suas propostas e confiaram em seu nome.
Ela também agradeceu à família, aos amigos, apoiadores e a todos que participaram da campanha, seja trabalhando diretamente, divulgando seu nome ou ajudando na abertura de espaços para que pudesse apresentar suas ideias.
A vereadora ainda fez um agradecimento ao Partido Liberal, citando o senador eleito em primeiro lugar, Domingos Sávio, e todas as pessoas que participaram da construção de sua candidatura.
Valéria destacou, de maneira especial, os eleitores que votaram nela sem que ela sequer soubesse que estavam depositando aquela confiança. “Talvez eu nunca saiba o nome de todas elas. Mas sei que cada voto representa uma pessoa, uma história e uma expectativa. E é isso que torna esse resultado tão significativo para mim”, afirmou.
Ao avaliar a campanha, disse ter saído do processo eleitoral mais madura e fortalecida e, principalmente, consciente da responsabilidade que existe por trás de cada voto.
Ela também ressaltou que respeita a escolha de cada eleitor e que, apesar do encerramento da eleição, seu compromisso político permanece. “A eleição termina. A gratidão fica. E o trabalho continua. Continuo sendo a Professora Valéria, vereadora de Três Pontas, e continuo acreditando que política se faz com presença, diálogo, coragem e respeito.”
Ao finalizar, Valéria afirmou que recebeu cada voto como uma demonstração de confiança e que pretende guardá-lo como uma responsabilidade. Também lembrou das previsões feitas durante a campanha de que não alcançaria sequer mil votos e disse que o resultado serviu como estímulo para continuar trabalhando.
Daniel questiona salário previsto em processo seletivo

O vereador Daniel de Paula Rodrigues também comentou o resultado das eleições e parabenizou os candidatos eleitos, especialmente os deputados Ricardo Campos (PT), na Assembleia Legislativa, e Diego Andrade, para a Câmara Federal, este último apoiado por ele durante o pleito.
Na sequência, Daniel abordou uma questão administrativa. O vereador informou que encaminhou ofício ao Poder Executivo solicitando a avaliação do Processo Seletivo nº 18, que prevê quatro vagas para agente operacional de obras, com salário de R$ 1.471,00, acrescido de auxílio-alimentação, para uma jornada de 36 horas semanais.
Segundo Daniel, o assunto já foi tratado com a Secretaria Municipal de Administração e Recursos Humanos.
O vereador questiona se a remuneração prevista está de acordo com a legislação aplicável. Ele afirmou que, embora empresas privadas possam estabelecer remuneração proporcional à jornada em determinadas situações, entende que há entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) que precisa ser observado quando se trata da remuneração de servidores públicos.
Daniel disse que aguarda uma manifestação da Prefeitura sobre o caso.
Discussão entre Robertinho e Valerinha movimenta o plenário
O momento de maior tensão da reunião ocorreu durante a discussão entre os vereadores Roberto Donizetti Cardoso, o Robertinho (PL), e Valéria Evangelista, a Valerinha (PL), ambos integrantes do mesmo partido.
Após agradecer a votação obtida por seus candidatos, Dimas Fabiano (PP-MG) e Grego da Fundação (UB), Robertinho afirmou que o eleitorado teve liberdade para escolher outros nomes.
Na sequência, dirigiu-se diretamente à colega Valéria e afirmou que havia sido ele quem avaliara que ela não alcançaria a votação obtida.
Robertinho também declarou que, em sua avaliação, sua própria votação teria contribuído para impulsionar a candidatura de Valéria, mencionando que recebeu mais de 2 mil votos e que ela deveria reconhecer essa contribuição. Segundo ele, esse reconhecimento não teria ocorrido.
Citada durante o Pequeno Expediente, Valéria teve a oportunidade de responder. A vereadora afirmou que o sistema eleitoral permite esse tipo de composição de votos e lembrou que já havia agradecido diversas vezes a Robertinho.
Ela explicou, porém, que não havia citado nominalmente o vereador ao comentar a quantidade de votos recebida.
Coelho aponta resultado das urnas como sinal de mudança
O vereador Geraldo Prado, o Coelho (PSD), também fez uma análise política do resultado eleitoral.
Ele afirmou que um grupo político do município trabalhou pela candidatura do deputado Dimas Fabiano e destacou que o parlamentar destinou, segundo ele, cerca de R$ 4,5 milhões ao município nos últimos anos. Coelho citou sua participação no grupo, ao lado do vereador Robertinho e do Pastor Luciano.
Na avaliação do vereador, o resultado das urnas demonstrou que parte do eleitorado deseja mudanças.
Coelho afirmou ainda que o grupo deverá lançar um candidato a prefeito nas próximas eleições municipais, mencionando Robertinho como possível nome. Questionado pelo presidente da Câmara, Myller Bueno de Andrade (PSD), sobre quem poderia ocupar a vaga de vice-prefeito, respondeu que o nome deverá ser definido a partir de uma pesquisa a ser realizada futuramente.
Ao comentar a votação do deputado Mário Henrique Caixa, a quem apoiou, Coelho afirmou que o parlamentar contou com os votos dos eleitores trespontanos e avaliou positivamente a reeleição de Caixa, Diego Andrade e Dimas Fabiano, destacando que, em sua visão, a permanência dos três nos respectivos cargos é importante para o município.
O vereador também afirmou que as dificuldades enfrentadas pela administração do prefeito Luisinho teriam repercutido no resultado das urnas.
Rodrigo faz análise técnica do resultado eleitoral e aponta mudança no comportamento do eleitor
O vice-presidente da Câmara, vereador Rodrigo Alexandre Silva, o Investigador (UB), defendeu uma análise mais ampla e criteriosa do resultado das eleições, considerando não apenas a votação nominal de cada candidato, mas também o contexto político, o comportamento do eleitorado e a conjuntura nacional.
Ao analisar o desempenho de Nikolas Ferreira, Rodrigo afirmou que a expressiva votação obtida pelo deputado em Três Pontas precisa ser compreendida dentro de uma perspectiva comparativa com o pleito de 2022. Na avaliação do vereador, parte significativa desse resultado representa a manutenção e a ampliação de uma base eleitoral que já havia se manifestado anteriormente.
Rodrigo chamou atenção, ainda, para a relação entre o crescimento da votação de Nikolas e a redução dos votos obtidos por outros candidatos, especialmente Diego Andrade. Para ele, os números precisam ser analisados sob a ótica da migração e da redistribuição do eleitorado, e não apenas como perda isolada de votos por parte dos deputados que já possuíam uma base consolidada no município.
Segundo o vereador, o fenômeno Nikolas Ferreira teve impacto direto na configuração da votação, uma vez que o deputado apresentou um crescimento expressivo em Três Pontas, alcançando 8.501 votos em 2026. Rodrigo entende que parte desse eleitorado, que anteriormente havia optado por outros nomes, passou a concentrar seu voto em Nikolas, dentro de uma conjuntura marcada pela polarização ideológica e pela força das redes sociais na formação da opinião política.
Na avaliação de Rodrigo, portanto, a queda da votação de Diego Andrade não deve ser interpretada exclusivamente como redução de apoio ao deputado, mas dentro de uma reacomodação das preferências eleitorais. O vereador considera que o desempenho de Nikolas constitui um dos elementos que precisam ser incorporados à análise para compreender a nova distribuição dos votos no município.
Em relação ao deputado Mário Henrique Caixa, Rodrigo chamou atenção para a alteração do cenário eleitoral em Três Pontas. Segundo ele, Caixa enfrentou, neste pleito, uma concorrência diferente daquela observada na eleição anterior, com a presença de candidaturas que tiveram desempenho relevante no município, entre elas Valerinha, Ademir Santos e Bruno Engler. Somados, os votos obtidos por esses candidatos chegaram a 8.335, número que, na avaliação do vereador, ajuda a explicar a redução da votação individual de Caixa.
Rodrigo ponderou que a leitura do resultado não pode ser limitada à transferência ou à destinação de recursos por meio de emendas parlamentares. Para ele, embora a atuação dos parlamentares e os recursos destinados aos municípios sejam elementos importantes na relação entre representantes e eleitorado, existem outros componentes que interferem diretamente na decisão do voto, como valores, princípios, posicionamentos ideológicos e a percepção que o eleitor possui sobre a conjuntura política nacional.
“Às vezes é preciso fazer uma reflexão de que não é apenas emenda parlamentar que garante o voto. Aquilo que a pessoa tem como princípio também entra em campo”, afirmou.
Na avaliação do vereador, o resultado das urnas deve ser interpretado dentro de um cenário de forte polarização política e de mudança na correlação de forças do eleitorado. Rodrigo citou o desempenho de candidatos de direita em diferentes disputas e destacou a composição do Senado Federal a partir do próximo ano como um dos elementos que, em sua avaliação, demonstrariam essa alteração no cenário político.
Para ele, esse movimento eleitoral estaria relacionado à percepção de parcela da população sobre a situação econômica e social do país.
Rodrigo mencionou dificuldades enfrentadas por famílias brasileiras, como endividamento e o peso dos juros, e avaliou que fatores econômicos e políticos acabam repercutindo diretamente no comportamento eleitoral. “Não adianta apenas fazer críticas aos vereadores sem analisar o contexto. É preciso entender todo o cenário político, econômico e social que influenciou o eleitor na hora de votar”, argumentou.
O vereador também ampliou sua análise para as instituições da República e manifestou preocupação com a percepção de parte da sociedade em relação à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação dele, a atual composição da Corte e o histórico profissional de alguns de seus integrantes alimentam questionamentos no debate público sobre a necessária imparcialidade institucional.
Rodrigo defendeu, inclusive, uma discussão sobre o modelo de composição e permanência dos ministros do Supremo. Segundo ele, seria necessário rever os critérios de ingresso na Corte e estabelecer mecanismos que garantissem maior controle democrático sobre o exercício do cargo.
“Hoje nós temos um STF totalmente politizado, com ex-advogado de presidente e ex-ministro da Justiça, o que acaba gerando questionamentos sobre a imparcialidade que a população espera de uma Suprema Corte. Isso preocupa uma parcela da sociedade que foi às urnas e demonstrou vontade de mudança”, afirmou.
Rodrigo disse ainda que, em sua visão, os ministros do STF não deveriam exercer seus cargos de forma vitalícia e defendeu a discussão sobre a adoção de mandato para os integrantes da Corte.
Ao retomar a análise do resultado em Três Pontas, o vereador afirmou que a redução da votação de Caixa e Diego não pode ser interpretada isoladamente. Para ele, é necessário considerar a redistribuição do voto entre as diferentes candidaturas, o surgimento de novos polos de atração eleitoral e a influência de fatores nacionais sobre uma eleição que, embora tenha reflexos locais, também foi fortemente marcada pela conjuntura política brasileira.
Rodrigo também agradeceu aos eleitores que votaram em Mário Henrique Caixa e Diego Andrade e afirmou estar satisfeito com a reeleição dos dois parlamentares. Segundo ele, ambos possuem atuação política que resulta em benefícios para Três Pontas, especialmente por meio da destinação de recursos e da interlocução do município com as esferas estadual e federal.
Myller defende revisão das estratégias de campanha

O presidente da Câmara, Myller Bueno de Andrade, também avaliou o resultado das eleições e chamou atenção para a necessidade de discutir o modelo tradicional de campanha política.
Ao comparar o desempenho de Nikolas Ferreira com o de candidatos que adotaram estratégias mais tradicionais, Myller destacou o uso das redes sociais como uma ferramenta importante na comunicação política contemporânea.
Para o presidente, é necessário analisar se os modelos de campanha utilizados até aqui continuam sendo eficientes diante das mudanças no comportamento do eleitor.
Myller afirmou que não espera que o deputado Mário Henrique Caixa reconheça a votação obtida em Três Pontas, mas defendeu uma reavaliação das estratégias políticas e eleitorais.
Apesar das discussões sobre o resultado das urnas, o presidente lembrou que o próximo grande objetivo político deve ser a eleição municipal de 2028.
Câmara aprova R$ 1,8 milhão para Educação em Tempo Integral
Na pauta da sessão, um projeto de lei do Poder Executivo acabou ficando em segundo plano diante das discussões políticas.
Sem discussão, o Plenário aprovou por unanimidade a abertura de crédito adicional especial no orçamento do município, no valor de R$ 1.895.091,61.
Os recursos serão destinados à implementação e expansão da Educação em Tempo Integral, que funciona no CAIC, incluindo a contratação temporária de profissionais, indenizações e restituições trabalhistas, auxílio-alimentação, aquisição de materiais de consumo, obras e instalações, além de equipamentos e materiais permanentes.
De acordo com o projeto, os recursos são provenientes de transferências do Fundeb, incluindo impostos e transferências de impostos e complementação da União – VAAT.
Câmara terá nova sessão nesta semana
Antes do encerramento da sessão ordinária, o presidente Myller Bueno informou que a Câmara realizará uma nova reunião ainda nesta semana.
A sessão será antecipada em razão do feriado da próxima segunda-feira, dia 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida e a medida tem como objetivo evitar que projetos de interesse do Poder Executivo fiquem parados na Casa Legislativa. A nova sessão está marcada para esta quinta-feira, às 18h30, e já conta com projetos importantes na pauta.
Entre eles estão propostas para investimentos de R$ 500.000,01 destinados ao início do asfaltamento da estrada rural conhecida como Fimibri e outros R$ 500 mil para dar continuidade ao asfaltamento da estrada entre os distritos do Quilombo Nossa Senhora do Rosário e Pontalete.
Os dois recursos são provenientes de transferências especiais de emendas parlamentares estaduais do deputado Mário Henrique Caixa e já tramitam na Câmara Municipal.

















