
A Câmara Municipal realizou, na noite desta segunda-feira (28), a sessão ordinária semanal, com sete projetos de lei, todos de autoria do Poder Executivo, na pauta de votação. Apesar disso, o principal foco dos debates foi a falta de limpeza em diferentes pontos da cidade.
Ruas, praças e outros espaços públicos foram alvo de reclamações dos vereadores. Parlamentares da oposição e também da base de apoio à Administração Municipal afirmaram que a situação tem se agravado e cobraram providências do Poder Executivo. Ao todo, cinco vereadores fizeram uso da palavra.
Antes das discussões sobre a limpeza urbana, porém, o assunto que abriu os pronunciamentos foi uma manifestação da vereadora Professora Valéria Evangelista Oliveira (PL), que questionou uma pesquisa eleitoral que circulou pela cidade nos últimos dias.
A parlamentar chamou atenção, especificamente, para uma das perguntas da pesquisa, que questionava os entrevistados sobre qual vereador ou vereadora seria o mais atuante. Segundo Valéria, dez nomes de vereadores da Câmara foram apresentados entre as opções, mas o nome dela não apareceu.
“O que me causou indignação foi verificar que, entre as opções apresentadas, estão os nomes de dez vereadores desta Casa, mas o meu nome não aparece.” A vereadora afirmou que não questiona o direito de escolha dos eleitores, mas considera que deveria ter tido a mesma oportunidade de ser avaliada. “Pesquisa deve ouvir a população, não limitar previamente quem pode ser escolhido.” Na íntegra, Valéria afirmou: “Quero fazer hoje uma manifestação sobre uma pesquisa que circulou recentemente em nossa cidade e, especialmente, sobre a pergunta que pergunta sobre o vereador ou vereadora mais atuante. Até aí, tudo bem. É uma pergunta legítima e a população tem todo o direito de avaliar o trabalho dos seus representantes.
O que me causou indignação foi verificar que, entre as opções apresentadas, estão os nomes de dez vereadores desta Casa, mas o meu nome não aparece. Então eu pergunto: como o cidadão poderia escolher a Professora Valéria se a opção Valéria simplesmente não estava disponível?
Não estou questionando a opinião de ninguém. Se o cidadão entende que outro vereador é o mais atuante, isso faz parte da democracia e eu respeito. Mas eu também tenho direito de ser avaliada. Tenho um mandato, estou presente nesta Casa, participo das reuniões, apresento projetos, encaminho ofícios, acompanho as demandas dos bairros e trabalho diariamente pela população.
Atuo também na Procuradoria da Mulher, na Escola do Legislativo, no Parlamento Jovem e em diversas pautas que considero importantes para Três Pontas. Portanto, se a pergunta pretende medir a percepção da população sobre quem é o vereador ou vereadora mais atuante, o mínimo que se espera é que todos os vereadores estejam em igualdade de condições para receber essa avaliação.
Se meu nome estivesse entre as opções e eu tivesse recebido poucos votos, eu respeitaria. Se não recebesse nenhum, também teria que respeitar. Mas não aparecer na lista significa que eu não tive sequer a oportunidade de ser escolhida. E isso precisa ser dito.
Não faço essa manifestação para desmerecer os colegas que foram incluídos, nem para contestar o trabalho de nenhum deles. Faço em respeito ao meu mandato e, principalmente, à população que pode querer manifestar sua opinião sobre o meu trabalho e não encontrou meu nome para fazê-lo. Pesquisa deve ouvir a população, não limitar previamente quem pode ser escolhido, finalizou Valéria.
Vereadores cobram limpeza e manutenção de espaços públicos

O vereador Daniel de Paula Rodrigues (PV) foi o primeiro a abordar diretamente a situação da limpeza urbana. Segundo ele, as cobranças têm sido frequentes nas ruas e, ao circular pela cidade nas primeiras horas da manhã, é possível perceber a falta de manutenção e limpeza em diversos locais.
Daniel afirmou que não atribui a responsabilidade aos servidores públicos ou ao secretário responsável pela pasta, mas ao prefeito Luisinho, que, segundo ele, precisa tratar a questão como prioridade.
Mesmo diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelo Município, o vereador defendeu a contratação de mão de obra para reforçar as equipes. “As reclamações sobre as praças superam as demandas da saúde”, afirmou Daniel.
O vereador também citou a situação do Parque Multiuso da Mina do Padre Victor após a realização de uma feira. Para ele, houve falta de organização e de efetivo para realizar a limpeza do espaço após o evento.
Presidente da Câmara rebate críticas sobre a Mina
O presidente da Câmara, Myller Bueno de Andrade (PSD), minimizou parte das críticas relacionadas à sujeira deixada no Parque Multiuso da Mina do Padre Victor.
Para ele, a situação também demonstra falta de consciência por parte de algumas pessoas que frequentaram o local. Myller afirmou que pessoas que foram ao espaço para gravar vídeos denunciando a situação poderiam ter utilizado parte daquele tempo para ajudar na limpeza. “Culparam o prefeito, o provedor da Santa Casa e o secretário de Obras, mas não foi nenhum deles que fez o tamanho daquela sujeira”, defendeu.
O presidente reconheceu que a Administração Municipal enfrenta deficiências, mas afirmou não concordar com determinadas manifestações feitas nas redes sociais.
Roberto critica sujeira e cobra estrutura para a festa do Padre Victor
Roberto Donizetti Cardoso (PL) deu continuidade ao debate sobre a limpeza. O vereador classificou como vergonhoso o fato de a sujeira permanecer no local após o encerramento da feira, sem que a retirada fosse realizada imediatamente.
Ele, porém, ampliou a crítica para outros pontos da cidade, afirmando que o problema da sujeira não se restringe ao Parque Multiuso.
Roberto também criticou a Associação Padre Victor em relação à estrutura disponibilizada durante as festividades. Segundo ele, a entidade deveria seguir os exemplos deixados pelo Padre Victor, inclusive no que diz respeito à disponibilização de banheiros e à estrutura oferecida aos devotos durante os eventos.
Coelho anuncia retenção de projetos na comissão
O vereador Geraldo José Prado, o Coelho (PSD), anunciou mais uma vez que irá segurar os projetos de lei na Comissão de Justiça e Redação, da qual é relator.
A medida, segundo o vereador, é uma forma de protesto contra o prefeito e tem como objetivo pressionar o Executivo a tomar providências diante de diversas demandas relacionadas ao Município. Esta não é a primeira vez que Coelho prometeu travar a pauta, mas isso ainda não ocorreu.
Rodrigo fala sobre segurança e crimes investigados
O vereador e vice-presidente da Câmara, Rodrigo Alexandre Silva (UB), concentrou seu pronunciamento no Pequeno Expediente. Ele começou destacando a informação divulgada com exclusividade pela Equipe Positiva sobre a nomeação do delegado Dr. Gustavo Gomes para o comando da Delegacia Regional de Varginha.
Rodrigo elogiou o novo chefe e afirmou que ele já demonstrou sua capacidade à frente da Polícia Civil, considerando a promoção merecida.
Na sequência, o vereador, que também é investigador da Polícia Civil, citou investigações de crimes graves conduzidas pela Delegacia de Três Pontas. Entre os casos mencionados estão um homicídio qualificado, uma investigação sobre o desvio de mais de R$ 3 milhões na Prefeitura Municipal e um caso de estupro de vulnerável registrado no fim de semana, cuja vítima é uma menina de 9 anos.
“Quero deixar claro que nossa equipe está empenhada em elucidar estes casos e responsabilizar a todos os casos, pois as polícias Civil e Militar trabalham para garantir a segurança dos trespontanos e responsabilizar quem age fora da lei, atendendo critérios jurídicos dentro da legalidade.”
Rodrigo também levou ao plenário reclamações sobre cavalos que estariam sendo soltos nas estradas das regiões do Quilombo e do Pontalete. Segundo ele, os animais têm invadido lavouras, causando prejuízos aos produtores e oferecendo riscos às pessoas que trafegam pelas vias.
O vereador informou que a apreensão dos animais será realizada pela Secretaria de Meio Ambiente e que os proprietários poderão ser responsabilizados civil e criminalmente.
No Distrito do Pontalete, Rodrigo citou ainda o problema relacionado ao abandono de cães, que estaria causando transtornos aos moradores.
Ele mencionou decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionada ao dever do poder público de acolher e proteger cães e gatos em situação de abandono ou vítimas de maus-tratos. Segundo o vereador, apesar das dificuldades enfrentadas pelo Município, é necessário que o poder público adote medidas para cumprir essa obrigação.
Tribuna Livre aborda Setembro Verde

A Câmara Municipal também disponibilizou o uso da Tribuna Livre, espaço que pode ser utilizado sempre na última segunda-feira de cada mês. Bruno Donizetti Máximo utilizou os 15 minutos previstos para abordar o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre os direitos e à luta pela inclusão social das pessoas com deficiência no Brasil.
A campanha busca mobilizar a sociedade em torno da construção de um ambiente mais acessível e inclusivo, com ações voltadas ao combate ao preconceito e ao capacitismo — termo utilizado para definir a discriminação contra pessoas com deficiência.
O objetivo vai além da acessibilidade física, envolvendo também autonomia, dignidade e respeito às potencialidades de cada indivíduo.
Pauta teve sete projetos do Executivo

A pauta de votação foi aberta com um projeto que altera o Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Três Pontas.
A proposta promove alterações na estrutura de cargos da autarquia para adequá-la à realidade atual. Entre as mudanças estão a redução da carga horária do cargo de Técnico de informática autárquico, a redução do número de cargos de Operador de bombas e o aumento do quantitativo de vagas para auxiliar de Serviços gerais e Eletricista.
Outro projeto relacionado ao SAAE prevê a aplicação de R$ 243.840,00 para o pagamento de precatórios judiciais decorrentes de processos trabalhistas.
Também foi apreciado projeto de suplementação, com base em anulação, no valor de R$ 50 mil, destinado ao custeio de despesas relacionadas a processos judiciais do IPREV.
Na área da Cultura, Lazer e Turismo, um projeto prevê a abertura de crédito no orçamento da Secretaria de Cultura, Lazer e Turismo (SECULT), no valor de R$ 350 mil. O recurso é proveniente de emenda parlamentar do deputado Mário Henrique “Caixa” (PV) e será destinado à realização de uma etapa do Brazil Cup Festival 2026, no Distrito do Pontalete, e ao Encontro de Motociclistas, na Avenida Oswaldo Cruz.
Zona Azul volta a gerar discussão
Entre os projetos em votação, um dos que provocou mais questionamentos foi o que autoriza alterações na legislação referente à implantação da Zona Azul.
A lei que criou o estacionamento rotativo foi aprovada no ano passado, mas ainda não foi implantada. Agora, o Executivo encaminhou uma proposta de alteração.
No texto aprovado anteriormente, foi estabelecido o limite de permanência de duas horas, com possibilidade de “prorrogação por uma única vez”. Segundo a Administração Municipal, essa redação poderia permitir a interpretação de que o usuário permaneceria por período superior às duas horas, contrariando a finalidade do estacionamento rotativo, que é promover a rotatividade das vagas.
Durante a discussão, vereadores também questionaram a demora para a implantação efetiva da Zona Azul, cuja criação foi aprovada pela Câmara em abril do ano passado.
Recursos para a saúde
Na área da saúde, foi aprovada suplementação de R$ 102.500,00, com transferência de saldos provenientes dos Fundos de Saúde dos municípios e distribuídos pela Secretaria de Estado de Saúde por meio de parcerias e convênios.
Os recursos serão destinados ao pagamento de exames de média e alta complexidade.
Outro projeto prevê a destinação de R$ 11.500,00 para a folha de pagamento referente ao mês de setembro, incluindo as obrigações patronais vinculadas ao Fundo Municipal de Saúde.



















