A família das fazendas Caxambu e Aracacú recebeu, na manhã desta sexta-feira (17), forças de segurança de Três Pontas e da região para um encontro voltado à cafeicultura e à segurança no campo. Antes de tratar diretamente das estratégias de proteção rural, o grupo acompanhou uma apresentação detalhada sobre a força do agronegócio, com destaque para o café e sua relevância econômica e social.

Recebidos com um café que tem chamado a atenção do mundo, policiais e agentes ouviram dados sobre o papel do agronegócio na economia brasileira, os impactos do café para as famílias produtoras e todo o processo produtivo, que vai do plantio até a xícara.

Durante a apresentação, foram destacados números expressivos do setor. O agronegócio registrou crescimento médio de 7,05%, com o PIB do setor alcançando R$ 3,79 trilhões em 2025, segundo a CNA, representando 29,4% do PIB nacional. No mesmo período, o setor atingiu recorde histórico de empregabilidade desde 2012, com 28,58 milhões de pessoas ocupadas — o equivalente a 1 em cada 4 brasileiros empregados, ou 26,35% da força de trabalho do país.

O avanço foi impulsionado principalmente pelo segmento de agrosserviços, que inclui transporte, armazenamento e assistência técnica, com alta de 4,5%, indicando maior circulação de caminhões, máquinas e prestadores de serviço nas áreas rurais.

Em Minas Gerais, o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária também bateu recorde em 2025, totalizando R$ 167,8 bilhões. A agricultura liderou o faturamento, com R$ 112,7 bilhões e crescimento de 16,4%, representando 67% do total, tendo o café como principal destaque. O agronegócio respondeu por 22,2% do PIB estadual em 2024, segundo a Fundação João Pinheiro, e a expectativa é de que esse percentual tenha atingido ao menos 22% em 2025.

No terceiro trimestre de 2025, o setor agropecuário mineiro empregava 1,19 milhão de pessoas. Somente em junho, período de pico da colheita do café, foram criadas 12.278 novas vagas formais no estado, tornando o agro o principal gerador de empregos naquele mês.

A relevância do Sul de Minas também foi ressaltada. A região responde por 55,46% da produção de café de Minas Gerais, com faturamento aproximado de R$ 32,5 bilhões. Durante o início da colheita, a partir de maio, há uma forte demanda por mão de obra, com cerca de 9.500 novas vagas formais criadas, segundo dados do Caged.

Outro ponto abordado foi o turismo rural. Minas Gerais lidera o ranking nacional, com 42% dos turistas brasileiros que buscam o campo escolhendo o estado. Desses, 74% preferem o Sul de Minas, atraídos pelo contato com a natureza e pela culinária típica. Além desse fluxo turístico, as fazendas da região recebem visitantes do mundo inteiro ao longo de todo o ano, especialmente compradores de café interessados em conhecer de perto como o produto é cultivado e processado. Muitos ficam encantados ao descobrir cada etapa da produção — algo que, para quem vive no campo, já faz parte da rotina e pode parecer simples.

A dimensão territorial da região também chama atenção. O Sul de Minas possui cerca de 49,5 mil km², sendo maior que o estado do Rio de Janeiro. Desse total, menos de 2% corresponde à área urbana, enquanto mais de 98% é formado por áreas rurais, agrícolas e de preservação. Nessas regiões, onde estão concentrados cerca de 22% do PIB mineiro, o monitoramento e o controle são mais desafiadores.

Para embasar os pedidos por mais segurança e melhores condições de tráfego nas estradas rurais, o empresário e consultor em gestão agro, Gustavo Faria — com mais de 18 anos de experiência no agronegócio e sócio da Gestão Agrosoluções — foi responsável por apresentar o panorama do setor. Ele atua na gestão de fazendas com foco em planejamento financeiro, controle de custos e indicadores de desempenho, e detalhou o potencial do agronegócio para o Brasil e o mundo, reforçando a importância estratégica do campo.

Após a contextualização econômica, o encontro teve como foco principal a segurança no campo. Participaram representantes da Polícia Militar de Três Pontas, do comando do 24º Batalhão de Polícia Militar de Varginha, Polícia Civil, Núcleo da Delegacia Rural de Três Pontas, Polícia Penal, Polícia Militar do Meio Ambiente, Polícia Militar Rodoviária, Guarda Municipal de Varginha e do Poder Executivo.

A reunião foi conduzida pela produtora Carmem Lúcia Chaves de Brito, conhecida como Ucha, que destacou os altos investimentos realizados ao longo do ano para a produção do café e a preocupação constante com a segurança das famílias e do patrimônio.

Durante o encontro, Ucha destacou a necessidade de ampliar o conhecimento sobre o agro e seu impacto. Segundo ela, “que estes profissionais realmente conheçam cada vez mais, sendo contado por nós mesmos o que é o agro, o impacto do agro, o impacto da nossa cafeicultura para a nossa região, para Minas Gerais, para o Brasil, para o mundo”.

Ucha também ressaltou a importância de reconhecer o trabalho de quem está no campo e de investir em ações que garantam mais segurança para essas pessoas. “Que todos valorizem de fato essas pessoas que estão no campo e que o setor de segurança possa pensar projetos e ações importantes para que quem dá o sim para o campo continue com a segurança que o campo merece”, afirmou.

Ela ainda enfatizou a união entre forças de segurança e o poder público no município. “É importante falar dessa união que a gente tem aqui em Três Pontas entre essas forças de segurança e o poder público, para atender uma grande camada, além de valorizar quem vem de fora, já que o mundo inteiro vem hoje conhecer as propriedades”, disse.

Outro ponto destacado foi o crescente interesse internacional pela produção de café na região. “O consumidor está valorizando o que a gente faz no campo, na origem. Eles estão tão apaixonados por isso que não param de vir para as nossas propriedades”, comentou.

Por fim, Ucha reforçou a necessidade de garantir tranquilidade para quem vive e trabalha no campo. “Nós queremos que todas as pessoas que moram aqui dentro da fazenda se sintam seguras, tenham paz e saibam que há pessoas zelando por elas, reconhecendo e valorizando o nosso trabalho”, concluiu.

Segundo ela, as fazendas contam com câmeras e sistemas de monitoramento, mas o patrulhamento preventivo das forças de segurança tem sido essencial. O pedido é para que essas ações sejam ampliadas, garantindo mais tranquilidade para as famílias que vivem no campo.

A produtora também ressaltou a dificuldade crescente de manter trabalhadores residindo na zona rural, devido à vulnerabilidade dessas áreas, o que reforça a necessidade de maior presença e atuação das forças de segurança.

O encontro reforçou a importância da integração entre produtores rurais e autoridades, especialmente com a proximidade do período de colheita, quando a movimentação no campo aumenta e a atenção com a segurança precisa ser redobrada.