Fotos: Equipe Positiva

 

A Polícia Civil realizou, na manhã desta quinta-feira (1º), a reconstituição do homicídio de Luiz Otávio Clemente, de 29 anos, morto com uma facada no dia 15 de agosto, em Três Pontas. O procedimento teve como objetivo reconstruir a dinâmica da ocorrência e esclarecer, com precisão, onde e de que maneira o crime aconteceu.

A equipe da Polícia Civil isolou todo o quarteirão onde ocorreu o homicídio. A movimentação chamou a atenção de moradores, que acompanharam de perto o trabalho realizado pela Perícia Técnica.

A reconstituição foi realizada em três etapas. Primeiro, a mulher de 38 anos, suspeita de matar Luiz Otávio, apresentou aos peritos a sua versão sobre os acontecimentos. Depois, o mesmo procedimento foi realizado com a filha dela, de 18 anos, que teria presenciado a situação. Por último, foi reconstituído o que teria ocorrido após a facada, com a presença de uma testemunha.

Durante os trabalhos, os peritos registraram por meio de fotografias a posição dos envolvidos e reproduziram os movimentos relatados pelas participantes. Um dos objetivos foi estabelecer exatamente onde teria ocorrido a agressão que terminou com a morte de Luiz Otávio: se na calçada, na garagem ou já dentro da residência.

A versão apresentada pela suspeita também poderá ser confrontada com imagens de câmeras de segurança que teriam registrado parte da discussão. Em uma das imagens, segundo as informações apuradas, a mulher aparece quebrando o para-brisa dianteiro do carro de Luiz Otávio.

O que teria acontecido – relembre o caso

De acordo com o relato apresentado pela mulher à Polícia Militar, ela e Luiz Otávio mantinham um relacionamento amoroso havia cerca de oito anos. Na noite do crime, os dois estavam em um bar localizado na zona rural, acompanhados de um dos filhos dela, de 6 anos.

Ainda segundo a versão da suspeita, os dois começaram a discutir no estabelecimento. Ela afirmou aos policiais que Luiz Otávio estaria embriagado.

Na saída do bar, a mulher relatou ter sido agredida com um soco na cabeça e no braço. Depois disso, ela teria entrado no carro e seguido até a casa da mãe para deixar a criança. No local, encontrou a filha de 18 anos e, posteriormente, as duas teriam retornado para casa.

A suspeita também contou à PM que enviou uma mensagem para Luiz Otávio dizendo, falsamente, que havia registrado um boletim de ocorrência contra ele.

Ao retornar para a residência acompanhada da filha, ela teria encontrado o portão aberto e Luiz Otávio dentro do imóvel. Uma nova discussão teria começado. Segundo o relato da mulher, a vítima passou a ofendê-la com palavras de baixo calão.

É justamente a partir desse momento que a reconstituição busca esclarecer a sequência dos acontecimentos. Os peritos reproduziram as posições dos envolvidos e os movimentos descritos nas versões apresentadas, procurando identificar como a discussão evoluiu até a agressão que provocou a morte de Luiz Otávio.

Investigação

O carro de Luiz Otávio teve o parabrisas dianteiro quebrado pela acusada, durante a discussão entre o casal

A filha da suspeita, de 18 anos, teria presenciado o crime. A mulher e a jovem chegaram a ser presas após o homicídio, mas foram liberadas poucas horas depois na Delegacia de Polícia Civil de plantão em Varginha. A liberação da suspeita provocou manifestações e grande repercussão nas redes sociais.

Pessoas que conheciam Luiz Otávio fizeram publicações questionando a versão apresentada e afirmando que, segundo elas, ele não teria histórico de agressões contra a mulher. Essas manifestações fazem parte da repercussão do caso, enquanto a investigação busca reunir elementos técnicos para esclarecer a dinâmica do homicídio.

A reconstituição realizada nesta quinta-feira faz parte desse trabalho. As informações coletadas pela perícia, incluindo registros fotográficos, versões apresentadas e imagens de câmeras de segurança, deverão auxiliar a Polícia Civil na conclusão do inquérito e no esclarecimento das circunstâncias que levaram à morte de Luiz Otávio.