

Não se fala em outro assunto na cidade a não ser a acusação feita pelo suplente de vereador Paulo Vitor da Silva, o Paulinho do PSD contra o vereador Geraldo José Prado (Coelho do Bar – PSD). Paulinho afirmou em entrevista ao programa Passando a Limpo, na segunda-feira (18), que as declarações dadas pelo vereador Coelho do Bar durante participação no podcast Pod Café, do jornalista Roger Campos, do site Conexão Três Pontas, podem motivar uma denúncia à Justiça Eleitoral por suposta prática de caixa dois de campanha.
Durante a entrevista, Paulinho explicou que qualquer cidadão ou partido político legalmente constituído pode apresentar uma denúncia caso entenda que houve irregularidade eleitoral. Segundo ele, a situação ganhou repercussão após o vereador afirmar, durante o podcast exibido no dia 2 de março, que teria recebido ajuda financeira de empresários da cidade durante a campanha eleitoral.
De acordo com o suplente, os nomes mencionados pelo vereador não aparecem na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral, documento que é público e pode ser consultado por qualquer cidadão.
“Quando a palavra é dita não tem como voltar atrás. Ele disse claramente que recebeu ajuda de pessoas que não constam na prestação de contas. Isso pode caracterizar caixa dois de campanha”, afirmou Paulinho durante a entrevista.
O suplente destacou ainda que o trecho da entrevista poderia ser utilizado como prova em eventual ação judicial, inclusive por meio de ata cartorial transcrevendo as declarações feitas no podcast.
Apesar das críticas, Paulinho afirmou que, neste momento, não pretende ingressar pessoalmente com uma denúncia contra o vereador. No entanto, ressaltou que outras pessoas ou até partidos políticos podem tomar essa iniciativa. “Eu disse para ele que não entraria, mas qualquer pessoa que esteja em dia com a Justiça Eleitoral pode questionar isso. É algo grave e que pode gerar problemas”, declarou.
Paulinho, que é contador, também comentou que a legislação eleitoral exige a declaração de todos os recursos utilizados em campanha. Segundo ele, qualquer valor recebido e não declarado pode configurar irregularidade eleitoral.
“O que é proibido é ter recursos que não foram declarados. Quando isso aparece depois, fica difícil desmentir”, disse.
Ainda segundo o suplente, até o momento ele não tem conhecimento de nenhuma denúncia formal protocolada contra o vereador. Caso haja uma representação, caberá à Justiça Eleitoral analisar o caso, abrir prazo para defesa e decidir se haverá prosseguimento do processo.
Ao final da entrevista, Paulinho afirmou que o episódio deve servir de alerta para agentes públicos sobre a responsabilidade ao fazer declarações públicas. “Quem ocupa cargo público precisa ter muito cuidado com as palavras e com as consequências do que fala”, concluiu.
Coelho nega acusação e diz que eleição se vence na urna e não no “tapetão”
Na sessão da Câmara desta segunda-feira (19), durante o Grande Expediente, o vereador Coelho do Bar respondeu às declarações feitas por Paulinho. Em um tom mais sereno do que o habitual, o parlamentar negou qualquer irregularidade e afirmou estar com a “consciência muito tranquila”.
Coelho iniciou o pronunciamento dizendo que não poderia deixar de comentar a repercussão do caso nas redes sociais. “Primeiramente, estou com a minha consciência muito tranquila. Fiz uma campanha limpa, honesta, e gastei muita sola sapato andando”, afirmou.
O vereador explicou que a ajuda recebida durante a campanha teria sido apenas apoio de amigos e pessoas próximas na busca por votos, e não financeira, como foi interpretado após a entrevista concedida ao podcast Pod Café. “Pessoas que me ajudaram foram pedindo voto. As pessoas que citei lá são meus amigos. Em momento algum eu tive caixa dois”, declarou.
Segundo Coelho, sua campanha foi simples e marcada por dificuldades financeiras. Ele afirmou que não teve recursos suficientes nem para fazer campanha na zona rural e precisou recorrer a empréstimos para custear despesas eleitorais.
“As minhas contas foram, acho que, R$ 10 mil que eu gastei, que eu tive que arrumar dinheiro emprestado. Se eu tivesse feito caixa dois e ganhado dinheiro, eu tinha feito uma grande campanha”, disse.
O parlamentar ressaltou que sua prestação de contas foi aprovada sem ressalvas pela Justiça Eleitoral. “Na Justiça Eleitoral, a minha campanha não teve ressalva nenhuma”, enfatizou.
Apesar de negar as acusações, Coelho afirmou que qualquer pessoa tem o direito de apresentar denúncia ao Ministério Público ou à Justiça Eleitoral e garantiu que está preparado para se defender caso isso aconteça. “Deixo aqui ao senhor Paulinho, a quem quiser fazer a denúncia, que fique à vontade, que eu vou me defender”, afirmou.
Em outro momento, o vereador disse acreditar que a situação esteja sendo motivada por disputa política e afirmou que prefere enfrentar adversários “na urna” e não “no tapetão”. “Quero deixar um recado ao Paulinho: que vença na urna, no voto, com o voto do cidadão trespontano. Igual fui eleito três vezes para defender o povo”, declarou.
Coelho também negou que lideranças políticas tenham relação com a possível movimentação contra ele. Segundo o vereador, o deputado federal Diego Andrade, o deputado estadual Caixa, o prefeito Luisinho e o diretor do ITL João Victor não teriam qualquer participação no assunto.
“Não tem nada do Diego Andrade. O Diego não pediu para o partido entrar contra mim. Não tem nada do prefeito Luisinho. Isso é do ex-vereador Paulinho Leiteiro e de quem queira se manifestar”, disse.
Ao final do pronunciamento, Coelho agradeceu manifestações de apoio recebidas de deputados, vereadores e da população. “Jamais serei corrupto, jamais usarei o cargo público para ter vantagem. Estou aqui para defender a população mais necessitada”, concluiu.












