A Câmara Municipal realizou, nesta segunda-feira (13), uma sessão ordinária sem projetos na pauta de votação. Ainda assim, a reunião foi movimentada por um tema sensível: o transporte de pacientes oncológicos de Três Pontas para Varginha.

Usuários do serviço compareceram ao Plenário com cartazes, relatando os impactos do câncer e o quanto a doença os deixa debilitados. Eles afirmam que foram informados de última hora que, a partir da última quinta-feira (09), o transporte deixaria de ser feito em veículos de passeio, vans ou micro-ônibus. Agora, passaria a ser realizado em um ônibus que leva outros pacientes ao Hospital Bom Pastor, referência regional em Varginha.

A principal queixa é que, antes, os pacientes eram buscados em casa; agora, precisam se deslocar até a Rodoviária para embarcar. Muitos estão debilitados, alguns são cadeirantes ou têm mobilidade reduzida. Segundo eles, não houve aviso prévio: ao procurarem a Secretaria de Saúde para agendar a viagem, foram informados apenas de que a mudança se devia a corte de despesas.

O vereador Antônio Carlos de Lima (Antônio do Lázaro – PSD), antes defensor da gestão, tem feito críticas ao prefeito Luisinho desde o início do ano. Nesta sessão, começou criticando o “Bota Fora” (mutirão de limpeza), realizado quinzenalmente aos sábados. Para ele, a Prefeitura estaria desperdiçando recursos. Citou o bairro Antônio de Brito, onde o mutirão ocorreu recentemente, mas que já estaria novamente com entulho, defendendo a necessidade de conscientização da população. Ao final, disse ter sido informado de que o transporte dos pacientes oncológicos será mantido normalmente para aqueles que não têm condições de utilizar o ônibus.

O vereador Roberto Donizetti Cardoso (Robertinho – PL) relatou ter sido procurado por usuários do transporte, que agora precisam madrugar para chegar à Rodoviária. Classificou a situação como absurda, ressaltando que ninguém escolhe adoecer e que essas pessoas precisam de atenção do poder público. Dirigindo-se ao prefeito, afirmou que ele deve sair do gabinete, visitar unidades de saúde e ouvir a população. Também relatou que pacientes que foram a Belo Horizonte para exames oftalmológicos tiveram que ir até Varginha buscar duas mulheres para um curso, por falta de veículos.

O vereador Daniel de Paula Rodrigues (PV) respondeu às críticas de Antônio do Lázaro sobre o Bota Fora. Defendeu que o mutirão não é desperdício, pois muitas pessoas não têm condições de pagar cerca de R$ 300 pelo aluguel de uma caçamba. Disse participar de todas as ações desde a criação do programa e afirmou que se trata de um investimento na limpeza urbana. Citou como exemplo o Distrito do Pontalete, onde o resultado foi satisfatório e bem recebido pela população. Sobre o transporte oncológico, disse ter ficado muito triste com a situação e sugeriu que o agendamento seja feito de forma eletrônica, já que muitos pacientes não conseguem ir pessoalmente à Secretaria de Saúde — proposta que ele afirma defender há tempos.

O vereador Maciel Ramos (Republicanos) criticou as falas contrárias ao mutirão. Segundo ele, “quem nunca participou não tem o direito de criticar”, acrescentando que isso desmerece o trabalho dos servidores da limpeza e dos próprios vereadores. Informou que mais de 100 caminhões de entulho já foram retirados e que, se os bairros voltam a ficar sujos, isso não é responsabilidade do poder público. Convidou o colega a participar de um mutirão para ver a satisfação da população.

Maciel também se solidarizou com os pacientes oncológicos e declarou apoio. Ao final, relatou o caso de um pai que precisa levar o filho diariamente da zona rural para a cidade, com veículo próprio, para que ele não perca aulas. Segundo ele, há problemas frequentes no transporte escolar, como ônibus quebrados ou que não não consegue chegar por conta das condições da estrada ou caminhões que bloqueiam as estradas.

A vereadora Valéria Evangelista Oliveira (Valerinha – PL) solicitou que o Executivo envie um documento oficial à Câmara explicando a mudança no transporte e defendeu a manutenção do serviço. Em seguida, destacou suas ações da última semana, incluindo reunião com o prefeito Luisinho, na qual apresentou demandas urgentes da população, como a situação das pessoas em situação de rua, a organização da zona azul, limpeza urbana, operação tapa-buracos e a realização de concurso público. Segundo ela, são problemas recorrentes que exigem planejamento, eficiência e respostas concretas.

Valerinha também participou de reunião do Comitê Gestor do programa “Três Pontas por Elas”, com discussões sobre o fortalecimento da Procuradoria da Mulher e a estruturação do Centro Integrado de Atendimento à Mulher (CIAM). No último sábado, esteve presente nas atividades do Dia Mundial da Saúde, realizadas no Parque Vale do Sol.

O vereador Geraldo José Prado (Coelho – PSD) foi pessoalmente verificar a situação do transporte. Às 5h da manhã desta segunda-feira, esteve na Rodoviária e conversou com idosos que saíram de casa às 4h para não perder a viagem até Varginha. Ele criticou cortes de gastos na saúde, afirmando que é justamente a área onde a população mais precisa. Na sua avaliação, a atual gestão enfrenta dificuldades financeiras e deveria priorizar serviços essenciais, criticando também a realização de shows recentes.

O vereador e secretário da Mesa Diretora, Matheus Dias Silva (PRD), mesmo tendo participado de apenas um mutirão por motivos familiares, defendeu o Bota Fora, destacando seus resultados e a oportunidade de os moradores descartarem resíduos acumulados em casa. Também manifestou apoio aos pacientes oncológicos e se colocou à disposição para ajudá-los.

O presidente da Câmara, Myller Bueno de Andrade (PSD), fez considerações finais sobre os temas discutidos. Informou que entrou em contato com o prefeito durante a sessão e trouxe esclarecimentos. Segundo ele, o transporte oncológico não foi interrompido: pacientes que já finalizaram tratamento e têm condições de locomoção utilizam o ônibus que sai da Rodoviária, com destino ao Hospital Bom Pastor, sendo levados e trazidos no mesmo dia. Já os pacientes em tratamento com quimioterapia e radioterapia continuam recebendo transporte normalmente.

O vereador Professor Francisco Fabiano Diniz Júnior (Popó – PSB) acrescentou que o município foi notificado por excesso de gastos com saúde. O limite legal é de 15%, mas a Prefeitura estaria investindo 36,1%, devido à alta demanda, o que compromete outras áreas. Ele também destacou a conquista da APAE, que foi habilitada como Centro Especializado de Reabilitação (CER IV) para atendimentos oftalmológicos.

Por fim, foi informado que, devido ao feriado de Tiradentes na próxima terça-feira, haverá ponto facultativo na segunda-feira, e a Câmara não funcionará. Assim, a próxima sessão será realizada na quinta-feira, dia 16, às 18h30.