
*Funcionário da fazenda deu detalhes para comparsas fazerem o furto, mas foram identificados e presos. Um deles, que trabalhava em uma loja de conveniência chegou a se esconder dentro da câmera fria e foi preso no shopping
Uma perseguição policial no fim da tarde desta terça-feira (23), terminou com a prisão de três suspeitos envolvidos no furto de café em uma propriedade rural de Três Pontas. A ocorrência teve seu desfecho no alto da Avenida Ipiranga, onde um dos investigados, ao tentar escapar da abordagem, bateu o veículo que conduzia contra uma viatura da Polícia Militar.
Logo no início do turno de serviço, equipes da Polícia Militar e da Polícia Civil foram acionadas após a informação de um suposto roubo em uma fazenda localizada na saída para Campos Gerais.

Ao chegarem à propriedade, os policiais receberam a informação inicial de que teria ocorrido um roubo com uso de arma de fogo e ameaças contra um funcionário da fazenda. No entanto, durante o atendimento da ocorrência, o relato começou a apresentar contradições. Segundo o sargento Ronan Henrique Naves, da Patrulha Rural da Polícia Militar, o funcionário acabou confessando que o crime não havia acontecido da forma narrada e que teria fornecido informações para comparsas, que simularam a situação.
Durante os levantamentos preliminares, os policiais constataram que, na verdade, tratava-se de um furto com a participação de um funcionário da propriedade. Na madrugada de domingo para segunda-feira, os suspeitos entraram na fazenda e furtaram duas sacas de café. Entre segunda e terça-feira, eles retornaram ao local com a intenção de levar mais produto, estimando furtar entre cinco e seis sacas que estariam na tulha. Porém, desistiram ao perceberem que novas câmeras de monitoramento haviam sido instaladas.
O primeiro suspeito preso foi justamente o funcionário da fazenda. Com base nas imagens e nas informações levantadas durante a investigação, os policiais identificaram os demais envolvidos e iniciaram as buscas.


Um dos suspeitos foi localizado em uma loja de conveniência no Centro da cidade, onde trabalhava. Ao perceber a presença policial, ele se escondeu na câmara fria do estabelecimento. Posteriormente, abandonou o trabalho, saiu pelo portão dos fundos, solicitou um veículo por aplicativo e seguiu para o shopping de Varginha. O alvo foi monitorado pela equipe de investigadores, que informou ao Serviço de Inteligência da Polícia Militar e ele acabou localizado e preso dentro do shopping.
O terceiro envolvido foi identificado por meio do veículo utilizado na ação criminosa. Ele foi encontrado circulando pela Avenida Ipiranga. Ao perceber a aproximação das viaturas, desobedeceu às ordens de parada e iniciou uma fuga. A perseguição terminou no alto da Avenida Ipiranga, quando o suspeito perdeu o controle da situação e bateu o carro contra uma viatura do Tático Móvel da Polícia Militar de Varginha.
De acordo com o investigador Rodrigo Silva, do Núcleo Especializado de Repressão a Crimes Rurais da Polícia Civil, o motorista era um dos principais investigados no caso. O veículo foi cercado e ele acabou preso. Os demais ocupantes do carro, segundo as investigações, não teriam participação nenhuma no furto e afirmaram não entender os motivos da fuga. No carro havia a roupa usada por ele no crime, inclusive uma toca e pinos de cocaína.

Ainda conforme a Polícia Civil, as sacas de café furtadas na primeira ação já haviam sido vendidas, e o dinheiro obtido foi dividido entre os envolvidos.
Durante o cumprimento de diligências nos bairros Padre Vitor, Aristides Vieira e Centro, os policiais apreenderam as roupas utilizadas pelos suspeitos no dia do crime, uma arma de brinquedo, pinos de cocaína, cerca de 500 gramas de grãos de café e R$580 em dinheiro que seria da venda do café furtado. O veículo usado no crime também foi apreendido e levado para o pátio credenciado do Detran-MG.
Um quarto suspeito já foi identificado e continua sendo procurado.
Segundo a Polícia Civil, um dos presos já havia sido alvo das Operações Capina I e II realizadas em Santana da Vargem, em 2023. Ele é apontado como integrante de organização criminosa, com atuação em crimes na zona rural e histórico de utilização de arma de fabricação artesanal para intimidar vítimas e usuários de drogas. Também possui antecedentes criminais como homicídio e já foi preso anteriormente pela Polícia Federal.
Os três suspeitos de 21, 22 e 24 anos foram presos, conduzidos à Delegacia de Polícia Civil de Três Pontas, onde tiveram as prisões em flagrante ratificadas. Eles estavam trabalhando normalmente como se nada tivesse acontecido.

As forças de segurança alertam os produtores rurais para que redobrem os cuidados na contratação de trabalhadores temporários durante o período de safra. A orientação é evitar o compartilhamento de informações sobre a propriedade, manter sistemas de monitoramento e alarmes em pleno funcionamento e acionar imediatamente a polícia em casos de furto ou roubo.


















