A Câmara Municipal de Três Pontas realizou sessão ordinária na noite desta segunda-feira (26), mas o resultado das eleições de segundo turno não entrou na pauta dos discursos dos vereadores. Com poucas manifestações na Tribuna, os parlamentares concentraram suas falas em demandas recorrentes da população e cobranças ao Poder Executivo.

Na pauta da Ordem do Dia, três projetos de lei, todos de autoria do Executivo Municipal. A sessão registrou duas ausências: a do vereador José Geraldo Prado (Coelho – PSD), cuja justificativa não foi divulgada, e a de Daniel de Paula Rodrigues (PV), que segue em recuperação após um acidente de trânsito.

A votação transcorreu rapidamente, sem manifestações dos parlamentares sobre as matérias. Todos os projetos foram aprovados por unanimidade pelos vereadores presentes.

O principal destaque foi a destinação de R$ 50.000,03, provenientes de emenda do deputado estadual Mário Henrique, o Caixa (PV), para a Secretaria Municipal de Educação. O recurso será utilizado na aquisição de material jurídico destinado à distribuição nas escolas, no âmbito da criação do programa “Três Pontas Educa”.

Outro projeto autorizou uma suplementação orçamentária de R$ 4,5 mil para adequação do orçamento e complementação da folha de pagamento vinculada ao Fundo Municipal de Saúde.

Também foi aprovada a destinação de R$ 108.131,89 para o pagamento de exames de média e alta complexidade, por meio da Secretaria Municipal de Saúde.

Valerinha se defende de acusações envolvendo manifestação contra Lula

“Eu não desejei a morte do presidente” – Valéria Evangelista (PL)

A vereadora Valéria Evangelista Oliveira (Valerinha – PL) utilizou os espaços do Pequeno e do Grande Expedientes para se defender de acusações que ganharam repercussão nas redes sociais durante o fim de semana do segundo turno das eleições. Ela negou ter desejado a morte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que pretende tomar as medidas legais cabíveis contra publicações que, segundo ela, distorcem sua participação em uma manifestação política.

O episódio ocorreu durante um ato de apoio a Flávio Bolsonaro, realizado no sábado que antecedeu o segundo turno. Na ocasião, Valerinha participou da manifestação e foi filmada passando perto de um caixão que era carregado por um dos participantes e exibia uma fotografia do presidente Lula. As imagens circularam nas redes sociais e, segundo a vereadora, foram utilizadas para atribuir a ela a responsabilidade pelo objeto e a intenção de desejar a morte do chefe do Executivo federal.

Em seu pronunciamento, a parlamentar negou as acusações e ressaltou que divergências ideológicas não justificam a disseminação de informações falsas.

“Quero afirmar, de maneira clara e firme: isso não corresponde à verdade. Eu não desejei a morte do presidente. Nunca desejei a morte de um bicho, muito menos de um ser humano. Apesar das nossas diferenças políticas e ideológicas, quero que ele faça um bom trabalho em favor da população brasileira”, declarou.

Valerinha argumentou que o debate político pressupõe a convivência entre opiniões divergentes, mas não deve servir de justificativa para atribuir a alguém declarações ou intenções que não tenha manifestado.

“É legítimo que existam divergências políticas. É legítimo que as pessoas apoiem candidatos diferentes, defendam ideias distintas e critiquem posicionamentos. Isso faz parte da democracia. Mas a divergência política não dá a ninguém o direito de distorcer os fatos, atribuir a outra pessoa palavras ou intenções que ela não teve e espalhar acusações que possam atingir sua honra e sua reputação”, afirmou.

A vereadora também fez referência aos limites da liberdade de expressão e às possíveis consequências jurídicas da divulgação de acusações que considera falsas. Segundo ela, os registros das publicações estão sendo preservados e as medidas necessárias estão sendo avaliadas.

“Não podemos confundir liberdade de expressão com licença para caluniar, difamar ou propagar inverdades. Tenho respeito pelo debate democrático e não tenho problema em responder por minhas posições e por aquilo que efetivamente digo e faço. O que não posso aceitar, em silêncio, é que atribuam a mim uma declaração tão grave que não fiz”, declarou.

A parlamentar afirmou ainda que teme que a repercussão do caso ultrapasse as redes sociais e chegue a instâncias federais, com possíveis consequências decorrentes de uma conduta que nega ter praticado. Por isso, disse que pretende buscar os meios legais cabíveis para defender sua honra.

“Não faço esse pronunciamento para alimentar brigas políticas, nem para impedir que alguém pense diferente de mim. Faço porque a verdade importa, porque a minha história merece respeito e porque nenhuma pessoa deve ser alvo de acusações falsas por suas convicções políticas”, concluiu.

Após o pronunciamento inicial, o presidente da Câmara, Myller Bueno de Andrade (PSD), afirmou que houve pessoas cobrando uma retratação da vereadora. Ele, no entanto, ressaltou que a participação de Valerinha no ato político representou uma manifestação de caráter pessoal, sem vínculo institucional com a Câmara Municipal.

A vereadora tentou dar continuidade ao assunto, mas foi orientada a retomar o tema durante o Grande Expediente, realizado após a votação das matérias previstas na pauta.

Ao voltar à tribuna, Valerinha reafirmou sua posição e disse que não teve participação na aquisição ou na confecção do caixão exibido durante a manifestação. Também pediu desculpas a quem eventualmente tenha se sentido ofendido, sem, contudo, reconhecer ter cometido o ato que lhe foi atribuído.

Durante aproximadamente 15 minutos, a parlamentar reiterou que não compactua com esse tipo de manifestação e que a imagem divulgada não representa suas convicções. Como argumento, afirmou que sempre se posicionou contra o aborto e a pena de morte, reforçando que não desejaria a morte de ninguém, independentemente de exercer ou não um cargo público.

Valerinha também pediu que as pessoas deixem de atacá-la e ofendê-la nas redes sociais sem conhecerem, segundo ela, o contexto completo dos acontecimentos.

O vereador Francisco Fabiano Diniz Júnior (Professor Popó – PSB) informou que esteve recentemente em Brasília, onde visitou o gabinete do senador Enzo Brás. Segundo relatou, o parlamentar assumiu a vaga após a saída de Rodrigo Pacheco, e a visita resultou na conquista de R$ 1 milhão destinados à Secretaria Municipal de Agropecuária.

De acordo com Popó, os recursos serão utilizados na aquisição de maquinários para reforçar a frota da pasta.

O vereador Roberto Donizetti Cardoso (Robertinho – PL) apresentou demanda relacionada às obras de duplicação da adutora de Sete Cachoeiras. Ele afirmou ter recebido informações de que a empresa responsável teria abandonado os trabalhos e de que o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) teria assumido a continuidade da obra.

Diante das informações, o vereador quer acesso à cópia do contrato, aos dados sobre as despesas já pagas, aos serviços efetivamente executados e à situação atual do empreendimento.

A cobrança busca esclarecer as condições contratuais e financeiras da obra, além de permitir o acompanhamento de seu andamento.

O presidente da Câmara, Myller Bueno de Andrade (PSD), também voltou a demonstrar insatisfação com a situação de conservação das praças do município, com atenção especial à Praça Cônego Victor.

O vereador criticou a falta de cuidados com os espaços públicos e voltou a abordar a presença de pessoas em situação de rua no local, apontando a ausência de uma solução efetiva para o problema.

Segundo Myller, ele já havia se mobilizado em busca de alternativas para a situação, mas não encontrou o apoio necessário por parte do Executivo Municipal. Na avaliação do parlamentar, a falta de providências contribui para o agravamento do cenário.

A cobrança recoloca em debate a conservação dos espaços públicos e a necessidade de uma atuação articulada do poder público para lidar com as questões sociais relacionadas à ocupação da praça.