

Notificações envolvem suspeitas de perda súbita de visão ligadas a remédios como Ozempic, Wegovy e Mounjaro; agência apura se há relação causal
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está investigando 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA) em pacientes que utilizavam medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, popularmente chamados de canetas emagrecedoras. A doença é uma condição ocular rara que pode provocar a perda repentina e permanente da visão.
Os registros em apuração pela agência reguladora envolvem cinco casos relacionados ao Ozempic, três ao Wegovy, dois ao Wegovy FlexTouch, dois ao Rybelsus e um ao Mounjaro. Os quatro primeiros remédios têm como princípio ativo a semaglutida, enquanto o Mounjaro utiliza a tirzepatida.
A Anvisa ressalta que as notificações tratam-se de casos suspeitos. A ocorrência da complicação após a aplicação ou ingestão do produto não comprova, por si só, que o medicamento tenha causado o problema visual. O órgão avalia os dados recebidos para determinar se existe relação causal entre o uso dos fármacos e o aparecimento da doença.
Entenda o que é a doença e os alertas existentes
A neuropatia óptica afeta o nervo óptico, responsável por enviar as informações visuais ao cérebro. Quando o fluxo sanguíneo para essa estrutura é reduzido, pode ocorrer perda de visão repentina e geralmente sem dor, com possibilidade de sequela definitiva. A preocupação com o problema não é inédita. Em junho de 2025, a Anvisa emitiu um alerta específico para a semaglutida após avaliações do Comitê de Avaliação de Risco em Farmacovigilância da Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Na época, a agência brasileira determinou que a NOIA passasse a constar na bula dos medicamentos Ozempic, Rybelsus e Wegovy como uma reação adversa de frequência “muito rara”.
Antes do alerta de 2025, o sistema VigiMed contabilizava 52 notificações de suspeitas de distúrbios oculares associados à semaglutida no Brasil, sendo quatro delas específicas de neuropatia óptica.
Estudos analisados pela autoridade sanitária europeia apontaram que adultos com diabetes tipo 2 expostos à semaglutida apresentaram um risco cerca de duas vezes maior de desenvolver NOIA em comparação aos não usuários. O índice estimado pela EMA é de aproximadamente um caso adicional para cada 10 mil pessoas-ano de tratamento.
Cuidados, retenção de receita e acompanhamento médico
A Anvisa também monitora outros pontos de atenção relacionados à classe terapêutica, indicada para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. Em fevereiro de 2026, a agência alertou para o risco de pancreatite aguda associado aos medicamentos GLP-1, sobretudo em casos de uso indevido ou fora das indicações aprovadas. Além disso, medidas de fiscalização contra a manipulação e a importação irregular de insumos foram intensificadas ao longo de 2026.
Desde junho de 2025, a venda desses medicamentos em farmácias e drogarias brasileiras passou a exigir a retenção da receita médica.
A orientação oficial para os pacientes que utilizam remédios à base de semaglutida e apresentem perda súbita de visão, visão embaçada ou piora rápida na capacidade de enxergar é procurar atendimento médico imediatamente. Caso o diagnóstico de NOIA seja confirmado pelo profissional de saúde, a recomendação é interromper o tratamento com o medicamento. Eventos adversos devem ser informados no sistema VigiMed para auxiliar o monitoramento contínuo das autoridades regionais e nacionais.


















