Fotos: Hécio Rafael

 

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões concedeu entrevista coletiva no fim da tarde desta segunda-feira (25), antes da abertura oficial da 26ª edição da Expocafé 2026, que está sendo realizada no Aeroporto Municipal de Três Pontas pela Cocatrel, com apoio da Prefeitura. Ao lado do prefeito da cidade Luis Carlos da Silva, do vice Maycon Machado, o secretário de Estado de Agricultura Thales Fernandes, do presidente da Cocatrel Jacques Miari, o prefeito de Varginha Leonardo Ciacii, os deputados federais Diego Andrade e Domingos Sávio e estaduais Mário Henrique Caixa e Antônio Carlos Arantes, do senador Carlos Viana, destacou a importância da Expocafé para a economia mineira e reforçou os investimentos do Estado no agronegócio, infraestrutura e apoio aos produtores rurais durante entrevista coletiva concedida na abertura da Expocafé 2026, em Três Pontas.

“Primeiro, é uma alegria estar aqui ao lado da capital de Minas Gerais, Varginha, que nesta semana se tornou simbolicamente a capital do Estado. A escolha de trazer a capital para Varginha aconteceu exatamente por causa da Expocafé. Em tese, ela deveria ter ficado no começo do roteiro, junto com Pouso Alegre e Poços de Caldas, mas eu não podia perder a oportunidade de estar aqui mais uma vez. Já é a terceira vez que participo da abertura da feira, em um momento de muita alegria para Minas Gerais”, afirmou.

Segundo Mateus Simões, o Estado vive um momento histórico no setor agroindustrial.

“Mais uma vez temos recorde histórico em valor e volume de exportação. Isso faz com que Minas Gerais esteja se consolidando como uma economia de base agroindustrial, o que para nós é extremamente relevante. O minério é muito bem-vindo, mas ele acaba, enquanto o agro se renova todos os anos. Eu nunca torço contra o minério, mas torço sempre a favor do agro. Nestes dois últimos anos, superamos o volume de exportação do ferro pelo café, e isso nos dá ainda mais orgulho da nossa produção.”

O governador ressaltou ainda o protagonismo de Três Pontas e Varginha na cafeicultura brasileira. “Três Pontas está no centro disso. Varginha é o maior polo exportador de café do país e Três Pontas é a casa da Expocafé. Isso nos dá a tranquilidade de saber que estamos caminhando na direção certa.”

Mateus Simões também destacou os acordos assinados durante a feira envolvendo a Emater e o fortalecimento do café em propriedades de pequeno e médio porte. “Um dos pontos mais bonitos da cafeicultura mineira é justamente a possibilidade de dar vida digna aos pequenos e médios produtores. Diferente do que acontece em outras culturas, no café ainda existe condição de manter famílias no campo vivendo bem. Isso tem feito, inclusive, muitas famílias retornarem para a área rural.”

O governador encerrou a fala inicial reforçando a importância da Expocafé para todo o Estado. “A alegria é saber que a Expocafé continua tendo sua casa em Três Pontas, mas que tudo aquilo que foi construído aqui ao longo das últimas décadas hoje beneficia Minas Gerais inteira.”

Entrevista coletiva

Governador, o que efetivamente a Expocafé, uma das feiras mais consolidadas do país, traz de economia e negócios para Minas Gerais?

“Se pensarmos que recebemos mais de 20 mil visitantes e cerca de 150 expositores, percebemos a dimensão da feira. Podemos até ter outros eventos maiores do ponto de vista comercial, mas nenhum tem a importância da Expocafé para os produtores. Aqui estão reunidos os principais fornecedores de insumos e implementos, além dos maiores produtores da região.”

“O café é a cultura em que mais avançamos em tecnologia no campo, mas ainda existe muito espaço para inovação. Seja no desenvolvimento de novas variedades, clonagem, mecanização ou no manejo ambientalmente adequado das pragas, a feira permite que os produtores tenham contato direto com essas novidades.”

Em tom descontraído, ele brincou sobre a visita à feira:

“Estou na expectativa de conseguir tomar um café desta vez. Na outra vez em que vim, corri tanto que o Luisinho não conseguiu nem me servir um café. Mas é para beber, não para levar.”

Quais ações e investimentos o Governo de Minas pretende fortalecer para apoiar os produtores e o setor cafeeiro?

“A presença da EMATER talvez seja a forma mais efetiva de apoio aos produtores. Nossa política agrícola é baseada em um tripé coordenado pela SEAPA, com a EPAMIG na pesquisa, o IMA na certificação e a EMATER na assistência técnica.”

Segundo o governador, a tecnologia no campo não se resume apenas à mecanização.

“Muitas vezes tecnologia é escolher o corretivo correto para o solo, definir o manejo adequado da cultura ou até mesmo a melhor forma de realizar a colheita. A EMATER faz toda a diferença principalmente nas pequenas propriedades.”

Ele destacou que o órgão está presente em 821 municípios mineiros.

“Eu sempre brinco que chego na propriedade rural e o produtor diz: ‘o governo podia ser tão bom quanto a EMATER’. E eu respondo: ‘mas a EMATER é o governo’. Esse é um dos principais investimentos que fazemos.”

O senhor já visitou a Expocafé por conta do Selo Verde?

“Sim. Há dois anos estivemos aqui para lançar o Selo Verde quando a feira ainda era na Fazenda Epamig. Hoje temos a tranquilidade de saber que talvez o único setor do país que não teme as exigências da Europa sobre certificação de origem em áreas não desmatadas é justamente o café mineiro, graças ao Selo Verde.”

Ele também destacou o reconhecimento internacional dos cafés especiais de Minas Gerais e lembrou os investimentos em segurança rural.

“O deputado Diego Andrade chamou atenção para um ponto importante: o circuito de delegacias rurais implantado na região. Hoje são cinco delegacias rurais atendendo o entorno e, na última safra, não tivemos nenhum caso de roubo de carga de café.”

Como tem sido a experiência de transferir simbolicamente a capital para o interior no projeto Governo Presente?

“Eu sou do interior e me sinto em casa em cada cidade que visito. Mas o mais importante não é apenas a minha presença. É fazer com que os secretários venham para o interior também.”

Segundo Mateus Simões, o contato direto com as cidades muda a percepção do governo sobre as demandas regionais.

“Enquanto estou aqui, os secretários precisam vir também. Eles precisam ouvir as pessoas e enxergar os problemas de perto. Isso muda completamente nossa visão sobre a realidade.”

O governador citou como exemplo a necessidade de ampliação hospitalar em Varginha.

“Foi vindo aqui que entendemos melhor a necessidade de ampliação dos leitos do Hospital Bom Pastor. Estamos trabalhando não apenas na ampliação dos leitos de CTI, mas também em um projeto ousado de expansão de 100 leitos hospitalares comuns.”

Ele reforçou ainda a importância econômica do interior mineiro.

“Em Minas Gerais, 76% da população está no interior e 80% do PIB também está no interior. Basta olhar para a força do café. Nenhum centavo dessa produção circula na Região Metropolitana. Belo Horizonte continua sendo prioridade, mas não podemos esquecer o restante do Estado.”

Mateus Simões destacou que esta foi a 14ª edição do projeto de instalação simbólica da capital no interior.

“Até agora só tivemos boas experiências, entendendo o que ainda precisa ser feito e o que já estamos realizando.”

Governador, o senhor anunciou um pacote de melhorias na infraestrutura das rodovias da região. Fale um pouco sobre isso.

“No sábado fizemos uma reunião com deputados e prefeitos para anunciar mais de R$ 600 milhões em obras de infraestrutura na região. Entre elas está a reconstrução completa do eixo de ligação entre Caxambu e a Fernão Dias, em um investimento de cerca de R$ 450 milhões.”

O governador afirmou que uma das maiores preocupações continua sendo a duplicação do trecho entre Varginha e a Fernão Dias.

“Assumi o compromisso da construção do trevo próximo ao Porto Seco, que hoje é um ponto perigoso devido ao grande fluxo de cargas no período do café. Nossa expectativa é iniciar essa obra ainda neste ano.”

Ele também mencionou discussões sobre melhorias no trecho do Automóvel Clube e admitiu que a duplicação ainda não avança na velocidade desejada.

“A duplicação estava prevista para acontecer apenas daqui a três anos, mas estamos trabalhando para antecipar isso junto à concessionária.”

Governador, sobre a rodovia MG-167: foi construída a terceira faixa com apoio de emendas dos deputados Diego Andrade e Mário Henrique Caixa, mas o asfalto está cheio de buracos. Houve anúncio específico para recuperação do trecho entre Três Pontas e Varginha?

“Sim. O deputado Diego Andrade conseguiu uma verba de quase R$ 20 milhões e o Estado complementou com mais R$ 15 milhões, garantindo os R$ 35 milhões necessários para a obra. Além disso, estamos incluindo mais R$ 15 milhões para assegurar que todo o recapeamento seja executado no período adequado deste ano.”

Segundo o governador, o projeto já está pronto e a obra deve começar em breve.

“Os R$ 20 milhões já foram aprovados pela Caixa e os R$ 15 milhões do Estado virão da venda da Copasa, que deve acontecer nas próximas semanas.”

Mateus Simões afirmou que a expectativa é concluir o recapeamento até outubro ou início de novembro.

“É uma obra de cerca de 120 dias. A expectativa é que até o fim de junho ela esteja mobilizada e, dentro de aproximadamente 60 dias, já tenhamos máquinas na pista realizando o recapeamento.”