*Evento será realizado no Parque Multiuso da Mina do Padre Victor, com cerca de 380 lotes, estrutura reforçada, transporte coletivo e uma equipe de apoio que poderá chegar a quase 200 pessoas

A tradicional feira da Festa do Beato Padre Victor será realizada, em 2026, pela Santa Casa de Misericórdia do Hospital de São Francisco de Assis, de Três Pontas. A programação acontecerá no Parque Multiuso da Mina do Padre Victor, Prefeito Paulo de Paiva Loures, mantendo o espaço que, culturalmente, já está ligado à celebração que reúne milhares de romeiros e visitantes. Eles vão a Mina, fazem suas orações, bebem da água milagrosa e aproveitam para fazer compras.

O anúncio foi detalhado durante participação do provedor da Santa Casa, Michel Renan Simão Castro, e da secretária executiva da Diretoria, Monalise Aparecida Barbosa Mendes, no Programa Passando a Limpo nesta sexta-feira (21). Segundo eles, a instituição trabalha há cerca de 30 dias na organização do evento, que envolve Prefeitura, Associação Padre Victor, Associação Comercial, Casa da Cultura, Polícia Militar, Guarda Municipal, brigadistas, eletricistas e diversos fornecedores.

Para Michel, a Festa do Padre Victor é uma das datas mais importantes do calendário de Três Pontas e, por sua dimensão, exige planejamento antecipado. “A população e muitas pessoas vêm numa data tão importante, eu creio que a data mais importante do nosso calendário aqui, que é a Festa do Padre Victor. E, para que a festa ocorra, aconteça com sucesso, desde o primeiro momento, quando a Prefeitura nos procurou através da Melissa e a Associação Comercial, para que nós, este ano, tomássemos à frente para a realização da festa, a primeira ação que nós fizemos foi um mapeamento de tudo que nós pretendíamos fazer.”

De acordo com o provedor, foi elaborado um plano de ação e a Santa Casa procurou a Associação Padre Victor para reunir informações sobre a organização dos anos anteriores. A intenção é que o trabalho realizado em 2026 também sirva como base para as próximas edições, independentemente de qual entidade fique responsável pelo evento. “Essa festa, as entidades ou o poder público não tomando conta, ela vai acontecer de toda forma, já é cultural. Então, nós precisamos fazer com que ela seja cada vez mais organizada. E que este ano seja a Santa Casa e o próximo ano seja uma outra entidade, nós vamos já deixar todo um passo a passo de todos os processos que foram percorridos.”

Festa permanecerá no Parque da Mina

A secretária da diretoria, Monalisa, destacou a dimensão religiosa e turística da celebração, que atrai romeiros de diferentes partes do Brasil e também visitantes de outros países. “A Festa do Padre Victor é a maior festa de Três Pontas, onde recebemos romeiros de várias partes, de todo o país, eu creio. Vem até gente de fora, que nós já conseguimos apurar isso também. Então, é um trabalho bem minucioso.”

Ela explicou que diversas reuniões foram realizadas com o apoio da Prefeitura, da Associação Padre Victor e da Casa da Cultura para entender os procedimentos adotados nas edições anteriores. “É o primeiro ano que nós vamos estar à frente dessa festa. Ela vai continuar, sim, no Parque da Mina. E nós estamos tentando fazer o melhor possível.”

A possibilidade de transferir a feira para o Aeroporto Municipal chegou a ser discutida, inclusive por vereadores e representantes de entidades. Michel afirmou, porém, que o local atual tem uma importância cultural e religiosa que deve ser considerada. “Ela poderia até acontecer lá, Silvano. Porém, culturalmente já existe a visitação na Mina do Padre Victor mesmo. Então, ela permanecer onde está, eu acredito que seja muito melhor, porque você acaba atingindo dois públicos.”

Segundo ele, a realização no aeroporto exigiria o cercamento de toda a área, o que poderia elevar significativamente os custos. “Eu acho que nós temos que melhorar realmente a estrutura dali, aonde está, para que possa cada vez mais receber esses romeiros, receber esses comerciantes, esse pessoal que vem para trabalhar esses dias, para eles verem as suas vendas e todos terem algum benefício de alguma forma.”

Cerca de 380 lotes serão comercializados

Um novo mapeamento do espaço está sendo realizado para definir os terrenos disponíveis para os comerciantes. Um engenheiro já esteve no Parque da Mina e fez as medições necessárias. A expectativa é de que sejam disponibilizados, em média, 380 lotes, com diferentes tamanhos para atender às necessidades dos barraqueiros.

Segundo Monalisa, a maioria dos comerciantes costuma vir de outras localidades, embora os comerciantes de Três Pontas também tenham espaço para participar. “Claro que vai ter oportunidade para todos que quiserem trabalhar. O pessoal do comércio de Três Pontas também nós vamos estar abertos a atendê-los. E vem gente de todas as áreas.”

Os valores dos lotes ainda estavam sendo definidos durante a entrevista. A expectativa era concluir essa etapa na mesma semana e, posteriormente, divulgar a data de início das vendas. A organização também pretende modernizar esse processo nas próximas edições, criando um mapa digital que possa ser disponibilizado em um portal. Michel explicou que a ideia é permitir que o interessado escolha o espaço, sinalize o lote e faça o pagamento de forma mais simples, reduzindo a necessidade de intermediação presencial.

Transporte a cada 15 minutos

Outra medida planejada é melhorar o deslocamento dos visitantes entre o centro da cidade e o Parque da Mina. A Santa Casa entrou em contato com a Avanti para estudar a disponibilização de ônibus entre a Praça da Fonte e a Mina do Padre Victor, com previsão de circulação a cada 15 minutos durante o período da festa. “Tudo no intuito, Silvano, que nós possamos ter a festa cada dia melhor, trazendo o mínimo possível de impacto na vida das pessoas aqui em Três Pontas.”

Segurança e equipe de apoio

A segurança é apontada como uma das áreas que mais exigem planejamento. A organização realizou reuniões com brigadistas, eletricistas, Polícia Militar e Guarda Municipal, além de estruturar uma equipe própria para acompanhar o evento.

A estimativa é de que, somando prestadores de serviço, funcionários, voluntários, Polícia Militar, Guarda Municipal e demais profissionais envolvidos, o número de pessoas trabalhando no apoio possa chegar a quase 200.

Um ponto de apoio será instalado no ginásio cedido pela Prefeitura. O espaço deverá concentrar informações e atendimento aos visitantes e comerciantes. “Nós vamos formar uma equipe nossa de apoio mesmo, com a ajuda da diretoria, tudo, para estar lá também a todo tempo, acompanhando, verificando, qualquer coisa que precisar, a gente vai ter um telefone para contato.”

A organização também prevê fiscais de postura atuando junto à Polícia Militar e à equipe do evento. A intenção é evitar a comercialização irregular de produtos fora dos locais autorizados.

Os artesãos de Três Pontas terão espaço específico na região entre o Banco Itaú e a Caixa Econômica Federal. Fora das áreas estabelecidas, não será permitida a venda de artigos que devem ser comercializados exclusivamente na feira. Atividades como a venda de água ou lanches em garagens particulares não entram nessa restrição.

Estrutura terá banheiros, chuveiros e atendimento de saúde

A infraestrutura também está sendo planejada para atender comerciantes e visitantes. Estão previstos dois contêineres com chuveiros, separados entre masculino e feminino, além de aproximadamente 50 banheiros químicos.

Também haverá ambulância durante o período de funcionamento da festa, além de enfermeira, técnica de enfermagem, brigadistas e profissional da área de segurança do trabalho. “Eles podem ficar tranquilos, porque nós vamos ter esse apoio sim.”

A Santa Casa também deverá manter um espaço próprio para informações e atendimento na área da saúde.

A parte elétrica já está em fase avançada de organização. Geradores foram cotados e contratados, enquanto os eletricistas deverão iniciar a montagem da estrutura no começo de setembro.

Também estão previstos tapumes, gradis para proteção dos geradores, contêineres e demais equipamentos necessários à estrutura do evento.

Preocupação com chuva e circulação

Como a festa ocorre em período de transição entre inverno e primavera, a possibilidade de chuvas também entrou no planejamento. Michel explicou que a Prefeitura e o SAAE informaram que intervenções de canalização foram realizadas para reduzir os riscos de alagamento.

A organização também decidiu não cortar a grama excessivamente baixa, buscando equilibrar a necessidade de evitar poeira em caso de tempo seco e, ao mesmo tempo, reduzir problemas com barro se houver chuva.

As ruas internas entre as barracas também foram ampliadas em alguns pontos, após reclamações registradas na edição anterior sobre a circulação. “Alguns locais que, por algum motivo, teve algum sucesso, algum probleminha, nós revemos esses espaços. Então, tudo está sendo revisto.” Michel afirmou ainda que esteve diversas vezes no Parque da Mina para acompanhar pessoalmente os detalhes da estrutura.

Reciclagem e limpeza

A organização também firmou parceria com a Atremar para recolhimento dos materiais recicláveis produzidos durante o evento.

O planejamento inclui ainda alimentação das equipes, administração dos espaços, coleta de resíduos, segurança dos equipamentos, banheiros, energia elétrica, comunicação e estrutura de apoio.

Investimento e expectativa de receita

Segundo Michel, a Santa Casa estima que os custos fixos para a realização da feira cheguem a aproximadamente R$ 400 mil. No ano passado, foram comercializados cerca de 270 lotes. Para 2026, a expectativa é chegar a aproximadamente 350 lotes vendidos. Caso essa meta seja alcançada, a receita poderá chegar a cerca de R$ 700 mil, segundo uma estimativa apresentada durante a entrevista.

Michel ressaltou, porém, que o valor é uma projeção e não uma garantia de arrecadação. A receita obtida com a feira será destinada à Santa Casa, que considera os eventos uma forma importante de complementar suas receitas.“A Santa Casa necessita desses eventos para complementar as nossas receitas, que são insuficientes.” O provedor também enfatizou que a Prefeitura não deverá arcar com os custos da realização da feira. “Tudo. Todas as despesas para… O município não vai arcar com nenhum real para a realização do evento.”

Santa Casa destaca importância dos eventos beneficentes

Durante a entrevista, Michel também fez questão de reconhecer o trabalho desenvolvido por Rosilda e pela equipe da FAI na realização de eventos no município. “Parabenizo a Rosilda e toda a equipe, pessoas extremamente competentes. E é isso que precisamos da cidade. Precisamos de muito mais pessoas como a Rozilda do que pessoas que, às vezes, vão em rede social e falam, mas a festa faltou isso, faltou aquilo… Pois, a gente está buscando fazer o melhor.” Para ele, a participação da comunidade é fundamental. “Precisamos de pessoas para nos ajudar. E quem realmente tem interesse de ajudar estende a mão e não joga pedra. Venha ser voluntário.”

A organização contará com voluntários da diretoria da Santa Casa, além de profissionais remunerados. Uma escala está sendo montada para distribuir as funções durante os dias do evento.

Programação e montagem

A montagem da estrutura está prevista para começar na quinta-feira, 18 de setembro, seguindo na sexta-feira, dia 19. A abertura ao público está programada para o domingo, 20 de setembro, às 8 horas da manhã, coincidindo com o período de visitação dos romeiros após a missa no Santuário Diocesano de Nossa Senhora D’Ajuda. Segundo as informações apresentadas na entrevista, a feira seguirá até o dia 24, com encerramento a meia noite. Na sexta-feira, dia 25, o espaço deverá estar limpo e desocupado até o meio-dia.

Durante a entrevista, também foi informado que a abertura ocorrerá às 8 horas e que, em determinado dia da programação, o encerramento será às 22 horas. A organização ainda deverá divulgar oficialmente a programação detalhada e os horários definitivos.

Comércio e impacto econômico

A participação do comércio local durante o Dia do Padre Victor também foi abordada. Michel lembrou que Três Pontas possui uma população majoritariamente católica e que muitas empresas já têm sua estrutura estabelecida nos próprios estabelecimentos. Ele defendeu que o comércio permaneça aberto e ressaltou que o ponto facultativo no dia 23 de setembro foi uma iniciativa discutida anteriormente, quando esteve à frente da Associação Comercial, justamente para permitir que os empresários pudessem trabalhar na data. O provedor também destacou o potencial econômico do turismo religioso. “Eu acredito que a festa, a cidade recebe muito mais do que vai embora.” Segundo ele, os visitantes que chegam ao município movimentam restaurantes, comércio e outros serviços, além de muitas pessoas chegarem nas semanas anteriores e permanecerem ou retornarem posteriormente. Michel citou experiências em locais de peregrinação religiosa, como Fátima, em Portugal, e Guadalupe, no México, para defender que Três Pontas se prepare cada vez mais para receber visitantes. “Nós temos que fazer com que esses que vêm, eles sintam confortáveis, sintam felizes, e que possam voltar, não somente na festa do Padre Victor, voltar outras vezes para outros eventos.”

Tradição que atravessa gerações

Ao final, Michel destacou que a realização da feira é resultado de um trabalho construído ao longo de muitos anos e fez questão de reconhecer pessoas e grupos que ajudaram a manter a tradição. Segundo ele, a feira conseguiu sobreviver por tanto tempo graças ao trabalho do senhor Ayrton. Antes dele, a festa teve participação de integrantes da maçonaria e de outras pessoas e entidades que contribuíram para que a celebração continuasse. A proposta da Santa Casa, agora, é organizar a edição de 2026, garantir segurança, estrutura e conforto aos visitantes e, ao mesmo tempo, deixar registrado todo o processo de planejamento para facilitar a realização das próximas edições.

“A primeira coisa é um plano de ação. Tendo um plano de ação e a gestão, a gente trabalhando em cima disso não tem como dar errado.” Monalisa Aparecida reforçou que imprevistos, especialmente relacionados ao clima, podem ocorrer, mas que a equipe está trabalhando para reduzir os riscos.

“Muitas coisas fogem ao nosso controle, igual o tempo, a gente tem como prever. Alguns imprevistos podem acontecer, mas a gente vai tentar se preparar da melhor forma possível para não ter esses contratempos e ser uma festa, se Deus quiser, de muito sucesso.”

Com a feira mantida no Parque Multiuso da Mina do Padre Victor, cerca de 380 espaços em estudo, estrutura de saúde, segurança, transporte, banheiros, chuveiros, apoio aos comerciantes e um planejamento que já dura cerca de um mês, a Santa Casa assume em 2026 a responsabilidade pela parte comercial e estrutural de uma das maiores manifestações ligadas à tradição do Beato Padre Victor em Três Pontas.

A expectativa da instituição é conciliar a preservação da tradição religiosa com organização, segurança e geração de recursos para a manutenção dos serviços prestados pela Santa Casa.