
Ainda era começo da manhã, deste domingo (20), mas o entorno da Igreja Matriz Nossa Senhora Aparecida já estava tomado por movimento, fé e expectativa. O som dos cascos dos cavalos se misturava às conversas e aos cumprimentos entre cavaleiros e amazonas que chegavam de diferentes lugares para participar de mais uma Cavalgada de Padre Victor, uma tradição que une devoção, peregrinação e paixão pelos cavalos.
Vestidos com botinas, chapéus e camisetas de manga comprida, homens, mulheres, crianças e adolescentes se preparavam para enfrentar os sete quilômetros de estrada de terra até a Capela de Santa Cruz, na comunidade rural da Faxina. Para muitos, o percurso representa mais do que uma cavalgada: é um momento de oração, agradecimento e renovação da fé.
Antes da partida, o pároco, padre Alexandre Mancilha, abençoou os cavaleiros e seus animais. Logo depois da missa, a Praça d’Aparecida deu lugar à concentração dos participantes. À frente da comitiva seguia o próprio padre Alexandre, em uma charrete que levava a imagem do Beato Padre Victor.
A saída foi acompanhada pela Guarda Civil Municipal e contou com o apoio de uma ambulância da Prefeitura Municipal. Pela Rua Cônego José Maria, os cavaleiros seguiram até a Avenida Ipiranga. Pelo caminho, o grupo foi crescendo com a chegada de novos participantes.


No trevo Padre Victor, a comitiva atravessou a rodovia MG-167 e tomou a estrada de terra em direção à Capela de Santa Cruz. A cada quilômetro, mais cavaleiros se juntavam ao cortejo. Grupos e comitivas uniformizados, vindos de diferentes cidades da região, ajudaram a transformar a manhã em um grande encontro de fé e tradição.
Alguns participantes precisaram acordar ainda de madrugada para preparar os animais e pegar a estrada. O destino era Três Pontas, terra onde a história e a devoção ao Beato Padre Victor permanecem profundamente presentes.
Sete quilômetros de fé e devoção
A partir dali, foram cerca de sete quilômetros percorridos em meio à paisagem rural, em um ambiente que reuniu alegria, oração e penitência. Entre conversas, orações e o som dos cavalos seguindo pela estrada, a cavalgada avançou até a conhecida Capelinha do Padre Victor.
Na chegada, os participantes foram recebidos para a celebração da missa solene, presidida pelo padre Alexandre Mancilha. Em sua mensagem, o sacerdote destacou as virtudes do Beato Padre Victor e os exemplos deixados por ele ao longo de sua vida: a simplicidade, a oração, a dedicação ao próximo e a caridade.
A celebração reuniu novamente a comunidade trespontana e romeiros que chegaram de diferentes partes do país para homenagear o Beato. Em cada cavalo, em cada oração e em cada passo da peregrinação, a devoção ganhou forma e movimento.
Assim, entre estradas de terra, cavalos e orações, a Cavalgada de Padre Victor voltou a cumprir seu papel de manter viva uma tradição que atravessa gerações e reúne pessoas movidas por uma mesma fé. Em Três Pontas, a terra do Beato Padre Victor, a peregrinação se transforma em encontro — com a história, com a comunidade e, para muitos, com a própria fé.

























