*Convidado especial do Sarau “Nos Bailes da Vida — 84 anos de Bituca”, realizado na Casa da Cultura Alfredo Benassi, Telo Borges falou sobre as lembranças da infância, a ligação com Três Pontas, a amizade com Milton Nascimento e a história do Clube da Esquina

A Equipe Positiva conversou com Telo Borges antes de sua apresentação no sarau especial em homenagem aos 84 anos de Milton Nascimento. Músico, compositor e amigo de longa data de Bituca, ele tem muitas histórias para contar sobre a relação com Três Pontas e os momentos compartilhados com um dos maiores nomes da música brasileira.

Equipe Positiva: Telo, você está prestes a fazer um grande show, com muita história para contar de Três Pontas e, certamente, de Milton Nascimento. Como é estar aqui nesta homenagem?

Telo Borges: É verdade! Gente, é uma honra, um prazer estar aqui nessa cidade. Eu estava comentando que Três Pontas faz parte da minha vida, da minha infância, da minha adolescência e, enfim, da minha vida inteira. Eu vinha aqui ainda criança com o Milton, que me trazia para cá quando eu tinha uns 12 anos, talvez menos. Depois, toquei muito aqui no Bucharela, na praça. Essa cidade é maravilhosa, ainda mais para uma homenagem ao meu irmão querido, meu amado parceiro, Milton Nascimento, o Bitucão, meu queridão. Estou muito feliz de estar aqui e espero que o pessoal goste do show.

Equipe Positiva: Você falou que conheceu Três Pontas ainda criança, acompanhando Milton. Naquela época, ele ainda morava na cidade?

Telo Borges: Olha, o Bituca tinha várias casas. Nunca foi um cara de um lugar só, tanto que virou um ser do mundo. Ele morava em Três Pontas, mas passou uma época em Belo Horizonte. Foi morar no Edifício Levi, na Vila Amazonas, dois andares abaixo de onde morava a nossa família. Foi aí que eles se conheceram: o Marilton, meu irmão mais velho, o Marcinho, o Lô e, depois, todos nós. Mais tarde, mudamos para Santa Tereza, e o Bituca também passou boa parte do tempo com a gente, ficando temporadas na nossa casa. Ele é considerado o 12º filho da nossa família. Somos 11 irmãos, e o Bituca é o nosso 12º filho, nosso irmão também.

Equipe Positiva: E essa amizade permanece até hoje, não é, Telo?

Telo Borges: Ah, com certeza! Isso é eterno, cara. Não tem jeito de acabar. Pode acabar o mundo, mas a gente continua irmão e amigo para sempre.

Equipe Positiva: Uma das coisas mais bonitas dessa amizade entre vocês, que fazem parte da história do Clube da Esquina, é a parceria musical que começou na juventude e continua até hoje.

Telo Borges: É verdade. Isso é uma coisa sanguínea, espiritual também. Acho que a gente se acompanha mesmo estando longe. Muitas vezes não estamos fisicamente próximos, mas estamos sempre antenados, sempre nos falando, sempre ligados. Isso é o que importa, o que é mais bonito: o amor que a gente tem, que é uma coisa eterna.

Equipe Positiva: E o que o público pode esperar do repertório deste show, especialmente das músicas de Milton Nascimento?

Telo Borges: Eu faço algumas coisas, por exemplo, “Travessia”, a música com que ele se lançou para o mundo. Também canto parcerias que fizemos juntos. Ganhamos um Grammy Latino com a nossa música “Tristesse”, que chegou até à minissérie A Casa das Sete Mulheres, da Globo. Tem também outra canção nossa, do grupo Teatro Ponte Partida, chamada “Menino Geração”, que é uma música minha com letra dele. Vou passeando por esse repertório todo que construímos juntos.

Equipe Positiva: Você conhece muitas histórias e particularidades de Milton Nascimento. De onde vem a inspiração para compor canções tão bonitas, que atravessam gerações? Hoje, não são apenas os fãs mais antigos que cantam Milton. A juventude também está descobrindo e mantendo viva essa obra.

Telo Borges: Isso é dom, né? O cara tem o talento, veio com esse talento. Deus dá talentos para cada um de nós, e o do Bituca foi um pouco acima da média — um pouco, para não dizer muito mais do que a média. Ele desenvolveu isso também em função das circunstâncias da época e das pessoas que estavam ao redor dele. O Bituca era um cara que atraía as pessoas. É muito expressivo e, ao mesmo tempo, muito simples. Conseguiu trazer muita gente talentosa para perto dele, como se fosse uma força magnética. Ele atraía essas pessoas, que também tinham muito talento, e assim se formou toda aquela coisa linda do Clube da Esquina. Eu sou privilegiado por ter acompanhado tudo isso muito de perto.

Equipe Positiva: Para encerrar, Telo, deixe uma mensagem para o seu amigo Milton Nascimento, que completou 84 anos na última segunda-feira.

Telo Borges: Bituca, que o Senhor Deus te abençoe sempre! Você é o nosso querido, o nosso amado. O Brasil te ama, o mundo te ama, e eu te amo!