

Durante oito dias, quase 150 pessoas enfrentaram madrugadas frias, sol forte, chuva, estradas de terra e serras íngremes em uma peregrinação que transformou cada passo em oração. Na chegada ao Santuário Nacional, em Aparecida, as lágrimas de emoção revelaram que todo o sacrifício valeu a pena
Denis Pereira – A Voz da Notícia
A fé que move montanhas também sustenta os pés cansados, renova as forças e mantém viva a esperança mesmo diante dos caminhos mais difíceis. Foi assim, entre orações, cânticos, desafios e gestos de solidariedade, que os Romeiros Amigos da Fé percorreram mais de 250 quilômetros entre Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, e Aparecida, no interior de São Paulo. A caminhada começou no dia 10 de outubro e terminou na manhã de 17 de outubro, quando os peregrinos chegaram ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, debaixo de muita chuva.
Em sua sexta edição consecutiva, a Romaria reuniu quase 150 pessoas diretamente envolvidas na organização, no apoio e na caminhada. Mais do que percorrer uma longa distância, o grupo viveu uma experiência de fé, penitência e superação, guiado pela devoção à Mãe Aparecida e pela inspiração do Beato Padre Victor, tão querido pelos trespontanos.
A peregrinação começou onde a espiritualidade encontra o silêncio e a oração: no Carmelo São José, em Três Pontas. No mosteiro, os romeiros receberam as orações das irmãs carmelitas e as bênçãos para enfrentar os desafios que os aguardavam pela estrada.
O padrinho espiritual da Romaria, padre Roberto Donizetti de Carvalho, deixou uma mensagem importante aos participantes. Não se tratava de uma excursão, mas de uma peregrinação. Uma caminhada de sacrifício, coragem e devoção, na qual cada passo deveria ser oferecido a Deus e a Nossa Senhora Aparecida.
Do mosteiro, os participantes seguiram em carreata pelas ruas de Três Pontas, levando a imagem da Mãe Aparecida e entoando cânticos de louvor. A passagem anunciou à cidade que, pelo sexto ano consecutivo, os Romeiros Amigos da Fé estavam prestes a colocar os pés na estrada.

Na saída, o presidente da Romaria, Odair José Marcelino, destacou uma novidade: o andor preparado e ornamentado pelos atendidos da Casa Pietá, um gesto que levou ainda mais significado à representação da fé e da união da comunidade.
A programação de envio continuou no Santuário Diocesano de Nossa Senhora d’Ajuda, onde o padre Cássio Zacchi Lima Simões presidiu a Santa Missa. O sacerdote, recém-chegado à cidade, demonstrou surpresa com a quantidade de devotos reunidos e subindo ao altar para receber as bênçãos.
À uma hora da madrugada, a praça já estava movimentada. Familiares se despediam, os últimos preparativos eram concluídos e os peregrinos recebiam as orientações de Odair Marcelino, responsável pela condução do grupo.
O cantor Caio Arcanjo também deixou uma reflexão sobre o tempo: os dias seguintes seriam dedicados à fé, à oração e à entrega a Deus. Uma semana inteira para se afastar da rotina, enfrentar os próprios limites e renovar a espiritualidade.
Antes de partir, os romeiros receberam um lanche reforçado, com pão, linguiça e ovo, oferecido pelo Pesadão Lanches. Era preciso alimentar o corpo para começar uma jornada que exigiria muito mais do que resistência física.
Ainda na escuridão da madrugada, com lanternas nas mãos, os peregrinos deixaram Três Pontas e seguiram pela MG-167, enfrentando os perigos da rodovia em direção a Varginha.
Os primeiros 26 quilômetros marcaram o início de um ciclo de sete dias de caminhada. Por volta das seis da manhã, na região dos Bertoldos, um café da manhã com pães, presunto, queijo, pão com linguiça e refrigerante ajudou a recuperar as energias. Enquanto os romeiros avançavam, carros e caminhões buzinavam em sinal de incentivo.
Entre os participantes estava Luis Carlos, que fazia a caminhada pela primeira vez e carregava a imagem do Beato Padre Victor. Preparado para o desafio, ele contou com o apoio e a experiência dos companheiros mais antigos, que sabem que a força da Romaria está também na união de quem caminha junto.
A presença de Seu Tião, de 78 anos, chamou a atenção na saída de Varginha. Em sua segunda participação, ele demonstrava disposição e coragem, provando que a fé não se mede pela idade, mas pela vontade de seguir em frente.
A chegada a Varginha exigiu uma adaptação na logística da Romaria. Com o aumento do número de participantes, não havia espaço para acomodar todos como nas edições anteriores. Os romeiros ficaram alojados no Ginásio da Cidadania, próximo à Igreja de São Sebastião, enquanto a equipe de cozinha e apoio se instalou na Romaria do Zuca, onde as refeições foram preparadas.
Na cidade, os peregrinos participaram da primeira missa fora de Três Pontas, na Igreja de São Sebastião. Foram recebidos com carinho pela comunidade paroquial, fizeram uma procissão de entrada com o andor ornamentado com flores e receberam bênçãos especiais ao final da celebração, sob a intercessão de São Sebastião e de Nossa Senhora Aparecida.
Na volta ao alojamento, o jantar já estava servido: arroz, feijão, costela suína e salada. Depois de um dia de estrada, era hora de comer e descansar. Mas o repouso seria curto, porque o dia seguinte reservava um dos maiores desafios de toda a peregrinação.
Enquanto alguns ainda se preparavam para dormir, outros já começavam a se levantar para a próxima etapa. Colchões e pertences eram organizados, e a equipe se mobilizava para colocar novamente a Romaria na estrada.
O percurso seguinte foi especialmente difícil. Foram quase 60 quilômetros a pé, em trechos prejudicados pelas chuvas dos dias anteriores. O estado das estradas exigiu atenção redobrada, e um erro no trajeto, seguido da necessidade de retornar ao caminho correto, acrescentou quilômetros e tornou a jornada ainda mais exaustiva.
Os primeiros romeiros começaram a chegar ao local de pernoite ainda pela manhã, mas outros só conseguiram completar o percurso ao longo do dia. Cada chegada trazia o retrato de uma batalha vencida: pés doloridos, pernas cansadas e corpos exaustos, mas também a alegria de não ter desistido.
Depois de atravessar a Rodovia Fernão Dias, na BR-381, o grupo seguiu em direção à região de São Bento, onde a paisagem começou a revelar belas propriedades rurais.
Foi ali que a solidariedade ganhou novas demonstrações. O gari Vitinho, que participava da Romaria pela primeira vez, foi carregado por Gilberto em um momento descontraído que arrancou risadas dos companheiros. A cena mostrou que, mesmo diante do cansaço, a amizade e o bom humor continuavam presentes. Na Romaria, ninguém precisa enfrentar sozinho os próprios limites.
Na comunidade de São Bento, os peregrinos reencontraram Seu Adeval, um homem simples que todos os anos aguardava a passagem do grupo. Conhecido por produzir, com um pedaço de mangueira de aproximadamente 20 centímetros, um som semelhante ao de um berrante, ele recebeu uma surpresa de José Edvar, romeiro de Coqueiral, que lhe presenteou com um instrumento de verdade.
Adeval tentou reproduzir o som, mas prometeu treinar mais para fazer bonito na próxima passagem da Romaria. Um gesto singelo que transformou o caminho em espaço de encontro, afeto e amizade.
Outro momento marcante foi a chegada da chamada equipe da Culata, que havia almoçado pelo caminho e só alcançou o alojamento no começo da noite. A recepção foi acompanhada por orações emocionantes, pelo Terço da Misericórdia e por momentos de oração em línguas, que tocaram profundamente os participantes.
Depois de uma jornada tão longa, o jantar e o descanso foram essenciais para recuperar as forças. A próxima etapa, com destino a Cambuquira, também exigiria muito dos peregrinos.
O trajeto até Cambuquira trouxe novos desafios. A mudança no percurso, sem a travessia de balsa durante a madrugada, exigiu ainda mais esforço dos caminhantes. A água foi distribuída abundantemente, do primeiro ao último romeiro, e a parada para o café na Flora se tornou um momento importante de recuperação.
Às quatro da manhã, a equipe ofereceu um café reforçado, com pão, carne moída, café e leite. Mais tarde, outro lanche, com cachorro-quente, foi servido no distrito de Serrinha, em Lambari, em um ponto de apoio já conhecido pelos organizadores.
Mesmo com a alimentação e a assistência ao longo da estrada, o desgaste era evidente. A chegada a Cambuquira foi uma das mais difíceis, com os peregrinos avançando em meio ao cansaço e às orações do Terço da Misericórdia.
Recebidos com aplausos, os caminhantes fizeram uma oração acompanhada de cânticos e momentos de oração em línguas. A emoção da chegada se misturou à gratidão por terem conseguido vencer mais uma etapa.
Padre Roberto Donizetti de Carvalho celebrou a Santa Missa, destacando o sentido da penitência na Romaria. A chuva ameaçava cair durante a celebração, e os participantes procuravam abrigo como podiam. Padre Roberto pediu a intercessão de São Francisco de Assis para que o vento se acalmasse, e o tempo permitiu que a missa fosse concluída.
Naquela noite, o grupo se preparou para seguir viagem. A saída de Cambuquira aconteceu por volta de uma e meia da madrugada, quando a chuva voltou a dar sinais de que poderia cair. Mais uma vez, os caminhantes intensificaram as orações, seguindo confiantes na proteção da Mãe Aparecida.
Deixando Cambuquira, os romeiros seguiram em direção a Olímpio Noronha, em um percurso de aproximadamente 32 quilômetros.
A estrada exigiu disposição, mas também ofereceu momentos de acolhimento. Em meio às dificuldades, cada ponto de apoio representava a oportunidade de tomar água, comer alguma coisa, recuperar o fôlego e continuar.
Em Olímpio Noronha, a devoção a Nossa Senhora Aparecida também marcou a passagem dos peregrinos, que encontraram na comunidade mais um lugar para renovar a fé e agradecer pela caminhada. Alguns participam do movimento da Quermesse na Igreja Matriz no Centro.
A Romaria avançava, e a cada cidade ficava mais evidente que a peregrinação era construída não apenas pelos quilômetros percorridos, mas também pelas pessoas que abriam suas portas e ofereciam ajuda ao grupo.
De Olímpio Noronha, o grupo partiu em direção a Cristina. Embora o trecho tivesse menos de 30 quilômetros, as subidas íngremes e os morros tornaram o percurso bastante exigente.
No caminho, a hospitalidade de Seu Roberto e seus dois irmãos na comunidade do Chora, tornou-se uma lembrança especial. Ele mantém viva uma tradição iniciada pelo pai, Antônio Rabelo, de receber os peregrinos na propriedade da família.
Os três irmãos, que levam uma vida simples e humilde, acolheram os culateiros com café, pão e água fresca, deixando as portas abertas para que retornassem sempre que passassem rumo a Aparecida.
São gestos como esse que dão sentido à Romaria. Em uma caminhada marcada por dificuldades, encontrar alguém disposto a oferecer alimento, descanso e carinho é receber muito mais do que ajuda material: é experimentar a fraternidade cristã.
Em Cristina, os romeiros ficaram alojados em um clube de lazer, que estava com as piscinas em reforma. Sem a possibilidade de se refrescar, o calor se tornou ainda mais evidente. Alguns aproveitaram para conhecer o parque natural da cidade, onde a presença da água encantou especialmente as crianças.
À noite, um dos momentos mais emocionantes da peregrinação tomou conta do grupo: a oração do terço, marcada por revelações, pedidos e testemunhos que tocaram profundamente os participantes. Entre as orações, vieram à tona desejos de mudança de vida, de transformação de hábitos e de renovação espiritual. Foram falas sinceras, carregadas de sentimentos e esperança, que reforçaram a importância de acreditar na força da fé e na possibilidade de milagres. Para os romeiros, a certeza era de que Deus se manifestava ao longo do caminho e de que muitas graças poderiam acontecer durante a própria peregrinação, fortalecendo corações e renovando vidas.
Depois de tantos quilômetros, o grupo precisava recuperar as forças para enfrentar os próximos desafios. A estrada, porém, ainda guardava subidas que testariam a resistência física e a perseverança de todos.
A peregrinação seguiu para Rio Claro, distrito de Delfim Moreira, a última parada em Minas Gerais antes da entrada no estado de São Paulo.
O lugar, pacato e habitado por gente simples, sempre oferece uma experiência diferente aos romeiros. A falta de sinal de celular e a internet precária fizeram com que muitos se desconectassem da rotina e se concentrassem ainda mais na convivência e na espiritualidade.
O grupo foi acomodado em uma antiga capela mortuária desativada e no Centro Comunitário, em frente ao espaço. Ao lado, a Igreja de São Sebastião recebeu os peregrinos para um terço de oração forte.
Mas, se o percurso já era desafiador para quem caminhava, também se tornou uma prova para a equipe de apoio. A caminhonete ficou presa no barro e foi necessário reunir romeiros para empurrá-la. Todos acabaram sujos de lama, em uma cena que mostrou que a solidariedade não se limitava aos que estavam a pé: quem prestava assistência também enfrentava as dificuldades da estrada.
Mais adiante, as condições do caminho provocaram outro contratempo, quando a caminhonete caiu em uma vala que atravessava a estrada.
A cada obstáculo, o grupo precisava se reorganizar e seguir. O apoio logístico, a alimentação, o transporte dos pertences e a assistência aos peregrinos eram parte fundamental de uma caminhada que envolvia quase 150 pessoas.
Ao deixar Minas Gerais, os Romeiros Amigos da Fé chegaram a Piquete, a primeira cidade paulista do percurso.
Na cidade, visitaram a Igreja de São Miguel Arcanjo. Os devotos aproveitaram a parada para rezar e pedir proteção divina para continuar a jornada.
A travessia para outro estado representava mais uma etapa vencida. A distância percorrida já era grande, e os sinais do esforço estavam presentes no corpo dos caminhantes. Ainda assim, a proximidade do destino final renovava a disposição para continuar.
Pelo caminho, os romeiros enfrentaram serras conhecidas por nomes que pareciam anunciar o tamanho da provação: Morro da Geladeira, Serra do Cachorrinho, Serra da Paciência e Serra da Paciencinha.
O Morro da Geladeira fazia jus ao nome, com temperaturas baixas que contrastavam com o calor enfrentado em outros trechos. Já as serras da Paciência e da Paciencinha exigiam justamente aquilo que a Romaria ensinava a cada passo: paciência para vencer as subidas, humildade para reconhecer os próprios limites e perseverança para não desistir.
A poeira da estrada, o barro, o frio e as ladeiras foram se acumulando na memória de quem caminhava. Mais de uma centena de romeiros enfrentava o trajeto a pé, sustentada pela fé e pelo compromisso assumido desde a partida em Três Pontas.
Depois de tantos desafios, Guaratinguetá recebeu os peregrinos para a última parada antes da chegada a Aparecida. E, antes de viver a emoção dos quilômetros finais, os Romeiros Amigos da Fé encontraram pelo caminho um gesto de amor ao próximo que merece ser contado: o acolhimento no Espaço dos Romeiros e Amigos Solidários, criados por Juninho e Jair.
O local foi preparado especialmente para receber os peregrinos que seguem em direção ao Santuário Nacional. Ali, eles encontram café quentinho, pão com presunto e queijo, sucos, leite, bolos, frutas e outras delícias, oferecidos com carinho por voluntários que dedicam seu tempo a servir quem caminha movido pela fé.

Mais do que uma parada para recuperar as energias, o espaço representa um verdadeiro gesto de fraternidade cristã. Os romeiros podem descansar por alguns instantes, registrar a passagem pelo local, levar uma lembrança para casa e, principalmente, sentir que não estão sozinhos nessa longa jornada. Há também um pequeno altar, onde os peregrinos podem fazer suas orações antes de continuar a caminhada.
O que torna essa iniciativa ainda mais especial é a história de quem está por trás dela. O espaço foi construído com recursos dos próprios moradores, que decidiram transformar o desejo de acolher os romeiros em uma estrutura permanente, com cozinha e banheiros, oferecendo mais conforto a todos que passam por Guaratinguetá rumo à Casa da Mãe Aparecida.
A inauguração aconteceu no mês dedicado a Nossa Senhora, concretizando um sonho antigo de dona Luciana, moradora da cidade há 15 anos. A tradição de acolher peregrinos vem de sua infância, quando sua mãe já recebia os caminhantes e lhes oferecia almoço.
Aquela experiência permaneceu viva em seu coração. Com o passar dos anos, dona Luciana e seus familiares se uniram a um grupo de amigos solidários que servia os romeiros na rua. A própria família disponibilizou o espaço em frente à residência, abrindo o portão para que os voluntários pudessem oferecer alimentos e acolhida.
O trabalho cresceu, ganhou novos colaboradores e se transformou no Espaço dos Romeiros. Hoje, mais de 20 pessoas se unem nessa missão, preparando uma mesa farta graças às doações de moradores, comerciantes e empresas parceiras.
Emocionada, dona Luciana contou que a realização desse sonho também foi acompanhada de orações e pedidos à Nossa Senhora. No ano anterior, ela havia manifestado o desejo de ter um espaço próprio para receber os peregrinos. Com a intercessão da Padroeira do Brasil e a colaboração de pessoas ligadas às romarias, o projeto finalmente saiu do papel.
Ao receber os Romeiros Amigos da Fé, ela destacou a alegria de servir aqueles que seguem até os pés de Nossa Senhora levando suas promessas, agradecimentos e pedidos. Para ela, ouvir as histórias de cada peregrino e oferecer um pouco de conforto durante o percurso é motivo de profunda gratidão.
A iniciativa também conta com a participação de pessoas que ajudam a manter viva essa corrente de solidariedade. Tudo é feito com doações e trabalho voluntário, demonstrando que a fé pode se transformar em atitudes concretas de amor ao próximo.
A passagem pelo Espaço dos Romeiros foi mais uma demonstração de que a peregrinação não se constrói apenas com os passos de quem está na estrada. Ela também é feita pelas mãos de quem prepara o alimento, oferece água, abre as portas de casa e acolhe desconhecidos como irmãos.
Depois de tantos quilômetros, encontrar uma mesa preparada com carinho significa muito mais do que matar a fome. É renovar as forças, sentir-se acolhido e perceber que a devoção a Nossa Senhora Aparecida une pessoas de diferentes cidades em torno de um mesmo propósito: servir, agradecer e fazer o bem.
Na sequência, a confraternização dos Romeiros Amigos da Fé foi marcada por um belo churrasco, acompanhado de feijão tropeiro e arroz carreteiro. À sombra das árvores do Espaço Vip, às margens da linha férrea, os participantes compartilharam a refeição, relembraram os desafios vencidos e celebraram a união construída ao longo da caminhada.
Na capela do local, padre Roberto Donizetti de Carvalho celebrou a última Santa Missa antes da chegada a Aparecida. Durante a celebração, os peregrinos agradeceram pela proteção recebida e renovaram a fé para os quilômetros finais.
Odair José Marcelino, presidente da Romaria, também fez um balanço da edição e prestou contas do trabalho realizado. A organização começa meses antes da partida e envolve planejamento, busca por patrocínios, alimentação, alojamentos, uniformes e toda a estrutura necessária para garantir o bem-estar dos participantes.
Naquela noite, a emoção já anunciava o fim de uma longa jornada. Depois de enfrentar chuva, frio, calor, lama e serras íngremes, os romeiros estavam prestes a viver o momento mais esperado: chegar ao Santuário Nacional e agradecer à Mãe Aparecida por mais uma peregrinação concluída.
O acolhimento em Guaratinguetá deixou uma lição que acompanha os peregrinos até o destino final: a fé se manifesta tanto nos passos de quem caminha quanto nas mãos de quem ajuda a tornar o caminho possível.
Na manhã de sábado, 17 de outubro, a chuva recebeu os Romeiros Amigos da Fé em Aparecida. Nem a água, nem o cansaço, nem as dificuldades acumuladas ao longo dos dias conseguiram diminuir a emoção de quem finalmente avistava o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Depois de oito dias de peregrinação, os participantes chegaram ao destino levando muito mais do que mochilas e pertences. Carregavam histórias de superação, orações, promessas, agradecimentos e a certeza de que cada quilômetro percorrido tinha um significado especial.
Alguns familiares que foram em seus próprios veículos acompanharam a chegada e puderam testemunhar de perto aquele momento. Outros, que viajaram nos ônibus, não conseguiram chegar a tempo de ver os romeiros subirem a rampa do Santuário.
À frente, o andor de Nossa Senhora Aparecida, ornamentado com as flores colhidas ao longo do caminho e marcado pela poeira fina da estrada, era conduzido pelas mãos daqueles que o carregaram durante a peregrinação. As mesmas mãos que seguraram o terço, ajudaram companheiros cansados e se apoiaram para vencer os trechos mais difíceis.
Enquanto avançavam, os peregrinos rezavam cantavam. A emoção tomou conta do grupo, e as lágrimas se misturaram à chuva. Era o fim de uma longa jornada e, ao mesmo tempo, a confirmação de uma promessa de fé cumprida.
A entrada no Santuário Nacional coroou a caminhada. Às seis horas da manhã, os romeiros participaram da Santa Missa, durante a qual a presença da Romaria foi mencionada na celebração.
Diante da imagem da Padroeira do Brasil, cada participante pôde agradecer pela proteção recebida, pelas dificuldades superadas e pela oportunidade de chegar ao destino. Para alguns, era a renovação de uma experiência conhecida; para outros, a realização de um sonho vivido pela primeira vez.
Depois da missa, veio o momento de se despedir, com abraços, agradecimentos e a sensação de um até breve. Porque quem faz a Romaria sabe: a caminhada termina, mas a fé continua. E quem vai, muitas vezes deseja voltar.
Uma peregrinação que continua no coração
A Romaria Romeiros Amigos da Fé mostrou mais uma vez que a devoção não se resume às palavras. Ela se revela na disposição de acordar durante a madrugada, na coragem de enfrentar quilômetros de estrada, na paciência para subir uma serra, na generosidade de dividir água e alimento e na mão estendida a quem já não consegue dar mais um passo.
Cada cidade trouxe uma experiência, cada parada renovou as forças e cada dificuldade ensinou algo aos peregrinos. A chuva que acompanhou a chegada não apagou o brilho daquele momento. Pelo contrário, pareceu lavar a poeira acumulada ao longo dos dias e deixar ainda mais evidente a alegria de estar diante de Nossa Senhora Aparecida.
Foram mais de 250 quilômetros percorridos com os pés, mas também com o coração. Uma jornada de sacrifício, penitência, amizade e devoção que reafirmou o sentido da Romaria: caminhar juntos, confiar na proteção divina e reconhecer que, mesmo nos momentos mais difíceis, a fé pode ser a força que nos mantém de pé.
Em Aparecida, os Romeiros Amigos da Fé concluíram mais uma edição de sua caminhada. Mas a história não termina ali. Ela permanece nas lembranças, nas amizades construídas, nas graças agradecidas e na vontade de voltar à estrada no próximo ano, levando novamente a imagem da Mãe Aparecida e a fé que une todos os peregrinos.



























































