

Seminário regional das APAE’s do Sul II, teve dois projetos selecionados para próxima etapa, em BH, um deles, a Apãezinhos, que garante 11% do investimento feito em toda a instituição, além de gerar emprego e renda para usuários e familiares
O Centro de Estudos Adriene Barbosa de Faria, localizado na APAE de Três Pontas, recebeu nesta terça-feira (10) o Seminário de Apresentação de Trabalhos das APAE’s que integram o Conselho Regional Sul II, com a finalidade de selecionar e classificar projetos para as próximas etapas estaduais dos trabalhos desenvolvidos pelas instituições.
Das 14 APAE’s que compõem o Conselho Sul II, 5 se candidataram para a apresentação de projetos e somente APAE de Três Pontas apresentou 2 projetos. Participaram representantes das APAE’s dos municípios de Campos Gerais, Coqueiral, Paraguaçu, Três Pontas e Varginha, juntamente com a equipe de gestão da APAE trespontana.
A Federação das APAE’s de Minas Gerais conta atualmente com 32 Conselhos Regionais, e os seminários têm como objetivo apresentar as melhores práticas desenvolvidas dentro do movimento apaeano. Nesta etapa regional, cinco instituições apresentaram propostas consideradas relevantes para o atendimento às pessoas com deficiência. As práticas foram avaliadas por uma banca composta por representantes do Grupo UNIS, responsável por selecionar os trabalhos que seguirão para apresentação em Belo Horizonte, durante o Congresso Estadual das APAE’s. A partir desta etapa, serão escolhidas as práticas mineiras que representarão o Estado de Minas Gerais no Congresso Nacional das APAE’s, que ocorrerá em novembro, em Salvador (BA).
A abertura do Seminário foi realizada pela superintendente da APAE de Três Pontas, Maria Rozilda Gama Reis, que deu boas-vindas aos participantes e repassou as orientações necessárias para o desenvolvimento das apresentações.

Entre os projetos apresentados, a FUVAE de Varginha destacou o trabalho “Avaliação integrada em saúde de atletas de futsal com Síndrome de Down: uma abordagem multidisciplinar”. A pesquisa acompanhou cinco jogadores ao longo de oito meses, durante o ano de 2024, com o suporte de profissionais das áreas de educação física, nutrição, fisioterapia, psicologia e enfermagem, avaliando de forma integrada a saúde dos atletas.
A APAE de Três Pontas apresentou dois projetos. O primeiro foi as boas práticas de gestão através da implantação da Padaria ‘Apãezinhos’. Implantada em junho de 2020, a padaria trouxe um novo conceito de panificação aliado à inclusão social, para gerar renda aos usuários e familiares da instituição, além de contribuir anualmente com cerca de 11% das despesas da APAE. Toda a renda obtida com o funcionamento da padaria é revertida para a própria instituição. Atualmente, 179 profissionais atuam na APAE. O projeto também reforça a importância da instituição buscar sua autosustentabilidade, sem depender exclusivamente de recursos governamentais.
A iniciativa demonstra, de forma prática, como é possível conciliar eficiência de gestão com a missão social da instituição, indo além de um simples negócio e se consolidando como uma ferramenta de transformação social.

O segundo trabalho apresentado pela APAE de Três Pontas foi “Os efeitos do uso das ferramentas SMART e G.A.S. nos desfechos clínicos de crianças com transtornos do neurodesenvolvimento em terapia transdisciplinar”, abordando estratégias terapêuticas aplicadas no acompanhamento de crianças atendidas pela instituição.
A APAE de Coqueiral apresentou o projeto “Sala de Recursos Multifuncional”, desenvolvido em parceria com escolas da rede municipal. A iniciativa se consolidou como um importante espaço de apoio ao processo de inclusão escolar de estudantes público-alvo da educação especial. A APAE contribui com conhecimento especializado, profissionais qualificados e práticas pedagógicas consolidadas para fortalecer o atendimento educacional especializado e promover ações articuladas entre a educação regular e os serviços especializados.
O projeto busca garantir o desenvolvimento integral dos alunos, respeitando suas especificidades e potencialidades, fundamentado nos princípios da educação inclusiva e no direito ao acesso, participação e aprendizagem, conforme previsto na legislação educacional. As atividades são realizadas de segunda a sexta-feira, em horários extraturno, com atendimentos individuais e em pequenos grupos na Sala de Recursos Multifuncional e também na Escola da APAE. As ações incluem acompanhamento neuropediátrico, psiquiátrico, psicológico, psicopedagógico, pedagógico, terapia ocupacional e fonoaudiologia, além do uso de materiais pedagógicos adaptados, jogos educativos, atividades lúdicas estruturadas, recursos de tecnologia assistiva e estratégias de estimulação cognitiva, motora, comunicacional e socioemocional. O progresso dos estudantes é acompanhado continuamente, com registros sistemáticos e reuniões periódicas entre os profissionais envolvidos.
Segundo a superintendente Rozilda Gama, o objetivo central dos projetos é sempre melhorar a vida das pessoas com deficiência e de seus familiares. “As cinco APAE’s apresentaram propostas bastante diferenciadas para atender este público. O movimento apaeano recebe esse nome justamente pela facilidade de compartilhar experiências e manter esse laboratório interno dentro de cada instituição. Nossa proposta é levar a nível estadual e federal a mensuração desses resultados na prática”, afirmou.
Ela destacou ainda que os projetos inovadores são fundamentais para o cuidado e tratamento das pessoas com deficiência, estimulando equipes multidisciplinares, professores e educadores a pensarem no atendimento de forma integral. Segundo ela, a competitividade saudável entre as instituições também contribui para o aprimoramento das práticas.

A avaliação dos trabalhos foi realizada por uma banca composta por representantes do UNIS (foto) formada por Juarez Monteiro de Rezende, Antônio José de Figueiredo Oliveira e Alan Peloso, convidados pela consultora e conselheira do Conselho Regional Sul II. Os avaliadores tiveram acesso antecipado aos trabalhos escritos apresentados pelas APAEs, o que permitiu uma análise prévia do conteúdo. Durante o seminário, as apresentações orais tiveram caráter complementar, possibilitando à banca avaliar também a exposição dos projetos.
As apresentações ocorreram em ordem alfabética entre as APAE’s participantes e, após o término, a banca avaliadora reuniu-se em local reservado para consolidar as avaliações antes da divulgação dos resultados.
Foram analisados critérios como relevância da prática para o aprimoramento das atividades das APAEs mineiras, coerência do relato apresentado, resultados e impactos do projeto, além da adequada estruturação do trabalho, incluindo introdução, relato e considerações finais. Cada quesito poderia receber até 10 pontos, totalizando 120 pontos por trabalho.
Antes da divulgação das notas, a banca informou que o Grupo UNIS poderá auxiliar as APAE’s interessadas no aprimoramento metodológico e na estruturação de trabalhos científicos, por meio de capacitações, reuniões e seminários presenciais ou online.
Os trabalhos apresentados foram:
APAE de Três Pontas – “Autossustentabilidade e Inclusão Socioprodutiva: As Boas Práticas de Gestão da APAE de Três Pontas através da Implantação da Padaria ‘Apaezinhos’”
APAE de Varginha – “Avaliação integrada em saúde de atletas de futsal com Síndrome de Down: uma abordagem multidisciplinar”
APAE de Coqueiral – “Projeto Sala de Recursos Multifuncional”
APAE de Campos Gerais – “A Tecnologia Assistiva como Ferramenta de Intervenção Psicopedagógica na APAE de Campos Gerais”
APAE de Paraguaçu – “Expressão, Vínculo e Desenvolvimento”
Após a apuração das notas, os resultados foram divulgados com a seguinte pontuação: APAE de Três Pontas (120 pontos em ambos os trabalhos apresentados), APAE de Varginha (115 pontos), APAE de Coqueiral (107 pontos), APAE de Paraguaçu (102 pontos) e APAE de Campos Gerais (97 pontos).
Com isso, a classificação final ficou definida da seguinte forma: 1º lugar (empate) – APAE de Três Pontas, com 120 pontos em seus dois trabalhos; 2º lugar – APAE de Varginha, com 115 pontos; 3º lugar – APAE de Coqueiral, com 107 pontos; 4º lugar – APAE de Paraguaçu, com 102 pontos; e 5º lugar – APAE de Campos Gerais, com 97 pontos.















