*Pais questionam porque eles não foram comunicados e o caso só foi levado ao Conselho Tutelar e a Polícia Civil depois de mais de um mês

Diante da enorme repercussão do caso de maus tratos praticados por uma educadora infantil, em um Centro Municipal de Educação Infantil, no bairro Cohab Ouro Verde, a Prefeitura reuniu os pais para explicar as providências que foram tomadas quando o caso foi constatado na Creche Pedacinho de Céu.

O próprio prefeito Marcelo Chaves Garcia (PSD), participou da reunião falou das ações que são adotadas em prol da educação, das exigências que são feitas na contratação das profissionais e do investimento que foi feito de monitoramento de câmeras, bastante questionado na época. Foi através delas que houve a constatação do caso. Ele deixou claro que não compactua com o que foi denunciado, que não assistiu ao vídeo e que isto sirva para que pais se unam em uma comissão e tratem junto com o poder público das questões envolvendo as crianças.

O procurador geral do Município Dr. Yves Tavares Duarte falou das providências que foram tomadas imediatamente. O caso foi passado pela direção da creche à Secretaria Municipal que inicialmente afastou a servidora contratada. A Procuradoria decidiu pela demissão e isto ocorreu no mesmo dia. Outra profissional a substituiu e a educadora não voltou a trabalhar no dia seguinte.

O caso teria sido descoberto por uma fonoaudióloga que passou em frente a sala e ouviu gritos. Ela foi na direção da creche e assistiram as imagens da câmera que revelou os maus tratos às crianças do maternal. A diretora Samara Goulart repassou o caso à Secretaria de Educação, que segundo ela teria sido orientada a aguardar. O caso só foi descoberto por causa de uma postagem feita em uma rede social.

Um dos questionamentos feitos é porque os pais não foram comunicados. Já que o tratamento inadequado da servidora teria sido no dia 04 de maio. Somente depois de mais de 30 dias é que o Conselho Tutelar e a Polícia Civil foram comunicados, mas não houve o registro de um boletim de ocorrências. O advogado diz que não houve neglicencia, mas as instituições só foram informadas na última semana. Alguns pais só tomaram conhecimento do ocorrido depois da reportagem publicada pela Equipe Positiva no feriado.

A supervisora da creche Angela Maria de Brito, a diretora Samara Goulart, o procurador Dr. Yves Tavares e o prefeito Marcelo Chaves

Alguns pais teriam assistido estas imagens, envolvendo a educadora que cuida de 7 crianças pequenas, entre 1 e 2 anos de idade. O procurador informou que não houve reclamação por parte dos pais em relação a lesões físicas nas crianças. Porém, quando alguma criança agride ou lesiona o outros os pais são informados, mas isto não ocorreu quando partiu de quem deveria cuidar das crianças. Porém, diante da suspeita, pais e mães relatam a preocupação com o psicológico deles, que nem falam ainda e não sabem expressar o que poderiam estar sofrendo enquanto estão na creche. Outros chegaram a dizer que os filhos já chegaram com hematomas, mas nunca imaginaram que poderiam ser consequência de uma atitude da educadora.

Na sala haviam três turmas e três profissionais. Elas perceberam a forma como as crianças era tratadas, mas não intervem e não relataram nada à direção.

Júlia Tempesta Miranda Vitoriano (foto acima), tem um filho atendido na creche Pedacinho de Céu e está no momento de transição, entre o berçário e o maternal. Ela chorou ao ser dirigir às autoridades e dizer que o deixa todos os dias na responsabilidade das profissionais para que seja bem cuidado enquanto trabalha. A mãe até entende que pode não ter ocorrido ferimentos ou as supostas agressões tenham deixado marcas, mas houve dano psicológico e como os pais não sabiam, nenhuma providência foi tomada. Júlia Tempesta reforçou que pelo menos os pais das crianças educadora demitida teriam que ser chamados e tomar ciência da situação.

O Procurador Dr. Yves afirmou que a notícia vazou certamente do Conselho Tutelar. E os pais repudiaram, concordando que isto foi muito bom, se não, talvez nem seria descoberto, já que os maus tratos já teriam acontecido a mais de um mês.

Os trâmites seguiu um protocolo da Educação, que não serviu como alento para os pais que vão tomar providências jurídicas para que o caso seja apurado, além da questão administrativa já tomada pela Prefeitura. Os pais querem que a educadora seja responsabilizada criminalmente.

A todo momento o pedido dos pais era um só: ver o vídeo. Quem assistiu, relata a conduta da educadora infantil inadmissível, que não se enquadra à uma profissional que cuida de crianças, ainda mais pequenas.

 

No final da reunião, a Prefeitura decidiu mostrar os vídeos somente aos pais das crianças envolvidas, apesar de todos quererem ver. Em um grupo de whatsapp mães ficaram mais inconformadas com o que assistiram. Segundo elas, vai além do que se pensava. A educadora denunciada derruba as crianças no chão, bate na cabeça e as pegam pelo braço com violência.

As imagens também mostram que além de omissas, as outras duas que estão na mesma salas não tem um comportamento adequado. Uma delas usa uma fralda para limpar uma criança que fez cocô e utiliza a mesma para limpar o nariz dos outros. Sem falar com que ficam o tempo todo no telefone. Ainda segundo denunciam algumas mães, parece ser uma situação habitual que não aconteceu a primeira vez.

A Policia Civil informou que já abriu inquérito para apurar o caso e trata com prioridade as investigações. O delegado Gustavo Gomes informou que a informação chegou à Policia Civil somente no dia 06 de junho. Foi quando ele e a equipe de investigadores teve acesso às imagens, juntamente com o Conselho Tutelar da cidade. Na opinião dele, existem várias hipóteses à tipificação do crime cometido, como como agressão, tortura ou vias de fato. Analisando tecnicamente, fica evidente, que indica se trata de maus tratos. Foram movimentos bruscos e repetidamente que não fazem parte da conduta de uma profissional, que precisa estar preparada fisicamente e emocionalmente. Outras educadoras que trabalham com a acusada serão chamadas a prestar depoimento e é a policia que vai investigar o caso e a responsabilizar criminalmente.

Dr. Gustavo afirma que as medidas administrativas já foram adotadas pela Prefeitura. A Polícia Civil investiga com calma, mas com prioridade que o caso necessita, até mesmo pela repercussão.