

*A Santa Casa realizou a prestação de contas e apresentou dados, bem como as estratégias adotadas para a melhoria contínua do atendimento, que depende da conscientização da população
Desde setembro do ano passado, a Santa Casa de Misericórdia do Hospital São Francisco de Assis é responsável pela administração do Pronto Atendimento Municipal (PAM) de Três Pontas, unidade que funciona 365 dias por ano. A gestão, anteriormente realizada pela Secretaria Municipal de Saúde, passou agora a contar com levantamento sistemático de dados e estatísticas, que vêm sendo apresentados. Na quinta-feira (05), na sala de reuniões do Hospital, membros da Irmandade, funcionários do setor de Administração, representantes dos poderes Executivo e Legislativo, chefias da Secretaria Municipal de Saúde acompanharam a prestação de contas.
O objetivo da atual gestão é melhorar o atendimento prestado à população, de forma mais humanizada e eficiente. A Santa Casa ressalta, no entanto, que o PAM é destinado prioritariamente aos atendimentos de urgência e emergência. Apesar de ser uma unidade de porta aberta, os casos mais graves sempre recebem prioridade, já que toda a equipe atua com foco na preservação da vida.
A prestação de contas foi apresentada pelo provedor da Santa Casa, Michel Renan Simão Castro, que destacou o trabalho em equipe como fundamental para enfrentar os desafios diários da unidade, que funciona 24 horas por dia. Entre as principais dificuldades está a limitação do espaço físico, fator que impacta diretamente na agilidade do atendimento. Mudanças estruturais já estão em andamento e visam melhorar o fluxo interno e a organização dos atendimentos.
O espaço onde funcionavam o Almoxarifado e a Sala de Sutura foi transformado em sala de medicação, que está para ser concluída. A mudança é necessária, pois gera desconforto e um cenário desanimador, já que os pacientes ficam expostos durante a medicação. As próximas intervenções incluem a separação dos consultórios e a mudança da sala de emergência. A nova organização será feita em formato circular, evitando fluxo cruzado de pessoas. A entrada para pacientes de emergência, (inclusive os transportados pelo SAMU), dos demais, assim como a saída, serão separadas, o que deve melhorar significativamente o fluxo de atendimento.

A gestão pela Santa Casa possibilitou maior agilidade nas transferências de pacientes para a própria instituição e para hospitais de referência em toda a região. Segundo Michel Renan, o primeiro atendimento é decisivo para o desfecho clínico do paciente. “Um atendimento inicial bem feito aumenta significativamente as chances de recuperação. Se o paciente não tiver um bom atendimento aqui, ele pode ir para o melhor hospital do país que não resolverá”, alertou o provedor.
Os dados levantados pela Santa Casa mostram que mais de 70% das pessoas atendidas no PAM têm mais de 60 anos de idade. No período de setembro a dezembro, a unidade realizou 28.536 atendimentos, número que representa mais da metade da população do município. Desse total, 4.837 atendimentos foram de pessoas com mais de 60 anos.
A classificação de risco revelou que a maior parte dos atendimentos não se enquadra como urgência ou emergência. Dos 28.536 atendimentos, 20.731 foram classificados como verdes, ou seja, casos que deveriam ser atendidos nas unidades básicas de saúde, como postos ou PSF’s. Apenas 79 atendimentos foram classificados como vermelhos, considerados efetivamente de urgência e emergência.
Em média, o PAM realiza cerca de 7 mil atendimentos por mês. Com isso, o tempo médio de atendimento por paciente é de entre 5 e 6 minutos, tempo considerado insuficiente para um diagnóstico adequado. Por isso, a Santa Casa defende a criação de estratégias para direcionar parte da demanda para as unidades de saúde dos bairros, onde os pacientes têm acompanhamento contínuo e histórico clínico.
A análise dos horários de maior procura também trouxe dados relevantes. A maior demanda por atendimento ocorre no período da manhã, especialmente entre 9h e 10h e entre 10h e 11h, justamente quando as unidades de saúde dos bairros estão em funcionamento. Esse cenário contrariou a expectativa inicial da gestão, que acreditava que os maiores picos ocorreriam no fim do dia, entre 18h e 20h.
Outro ponto destacado foi a origem geográfica dos pacientes. O maior número de atendimentos é de moradores da região do bairro Aristides Vieira. Dos cerca de 7 mil atendimentos mensais, aproximadamente 2,5 mil são de moradores dos bairros Aristides Vieira e Alcides Mesquita. A sugestão é que o Município possa analisar o porque dos moradores estarem buscando o atendimento no PAM e deixando sua unidade de saúde de referência.

Diante desse cenário, a instituição avalia a criação de campanhas de conscientização para orientar a população sobre qual serviço de saúde procurar em cada situação. Também é preciso analisar os impactos de feriados e pontos facultativos prolongados, períodos em que as unidades dos bairros ficam fechadas e o PAM se torna a única alternativa de atendimento.
Todos os profissionais do PAM passam por treinamentos contínuos, desde a equipe da portaria até os médicos, que também são avaliados periodicamente. Essa integração é apontada como uma das principais vantagens da gestão hospitalar do Pronto Atendimento.
Ao final da apresentação, foi reforçada a importância de valorizar o PAM e a Santa Casa, considerados patrimônios da população trespontana. Apesar dos desafios, a instituição afirma estar comprometida em buscar melhorias contínuas, com foco em errar cada vez menos e atender melhor.
O prefeito Luís Carlos da Silva também se pronunciou, destacando a preocupação com todo o processo de transição da gestão, incluindo os servidores que atuavam no PAM. Segundo ele, havia o risco de o hospital perder recursos caso a Prefeitura não realizasse a mudança de gestão. Para o prefeito, a decisão foi acertada e os resultados tendem a melhorar cada vez mais.
Ele destacou ainda que, com apoio da Prefeitura e dos vereadores, foram abertos sete leitos, atualmente custeados exclusivamente pelo Município. Embora o custo seja elevado, há expectativa de que o Ministério da Saúde assuma esse financiamento por meio de portaria.

Entre as ações em andamento está a retomada do Programa Saúde do Trabalhador, cujo projeto deve ser votado na Câmara Municipal na próxima segunda-feira. A iniciativa tem como objetivo levar o atendimento preventivo até as empresas, facilitando o acesso dos trabalhadores aos serviços de saúde e reduzindo a necessidade de procura pelo PAM. Também será analisado o motivo de haver consultas sobrando nos postos de saúde enquanto a população continua buscando o Pronto Atendimento.
Os custos da operação do PAM foram de R$ 799.653,35 em setembro, R$ 743.471,46 em outubro, R$ 770.746,72 em novembro e R$ 750.664,70 em dezembro, totalizando R$ 3.064.536,23 no período analisado.


















