“José Henrique foi promovido a Comarca do Céu”. Foram com estas palavras, que o Diácono Permanente Alessandro Júnior de Carvalho abriu a homilia do evangelho, durante a celebração religiosa de despedida do ex-presidente da Câmara Municipal de Três Pontas José Henrique Portugal, presidida pelo padre Alexandre Mancilha, pároco da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, no Salão do Tribunal do Juri, do Fórum Dr. Carvalho de Mendonça.

A morte do servidor da Justiça, deixou desolado amigos e familiares, principalmente aqueles que ao longo dos anos trabalharam com ele na Comarca de Três Pontas. Por mais de 40 anos, Portugal, foi exemplo de servidor público, competente e amigos de todos aqueles que o conhecia.

O Diácono Alessandro que também é Defensor Público, completou suas palavras destacando que a Comarca que ele foi promovido é mais que especial, onde ele vai estar com o Justo e soberano Juiz. “O céu recebe muitas petições diuturnamente. Dia e noite nós apresentamos petições ao céu em forma de oração.Se lá no céu existir uma Secretaria para acolher todas as petições, eis que chega um bom e grande servidor, que aqui na terra semeou o céu. Não apenas como profissional, mas também como pai, esposo, avô, amigo, semeando a eternidade por onde ele passou. Consolado pela fé e animados pela esperança, vamos seguir agora a nossa missão, porque a dele já está concluída. Nós que continuamos aqui, ainda temos a missão de semear o céu”, mencionou o religioso.

Cortejo com o corpo de José Henrique Portugal saiu do Fórum em direção ao Cemitério Municipal onde houve o sepultamento

Ele completou que uma das funções do escrivão é fazer com que as petições cheguem ao juiz. “Então, agora nós também queremos pedir que José Henrique leve as nossas petições, as nossas orações ao justo juiz, o Senhor Juiz”.

A celebração de despedida, foi acompanhada por autoridades de vários seguimentos. No Salão do Juri. Local onde em junho de 2022, o escrivão escrivão José Henrique Portugal,  entregava uma placa ao presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, desembargador Gilson Soares Lemes, pelo anúncio da construção do novo Fórum, Portugal desta vez estava sendo homenageado.

Junto ao caixão onde estava seu corpo, foi colocado o colete do Clube dos Chacais, grupo de motociclistas que ele fazia questão de integrar. Por ironia do destino, o dia da sua partida eterna, foi justamente no Dia do Motociclista. A paixão dele pelas motocicletas sempre foi notória. Pilotando vários modelos delas, Portugal vivia pegando estrada para curtir a natureza  encontros na região, com a esposa Núbia na garupa e ladeado por amigos que se tornaram irmãos pela convivência.

Entre as coroas de flores colocadas no Salão, estavam da 55ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Prefeitura e da Câmara Municipal de Três Pontas e também daquela que trabalhou com ele durante 18 anos. A juíza Dra. Raissa Figueiredo Monte Raso Araújo, diretora do Foro, além de nota lamentando a morte do companheiro de trabalho e da coroa de flores mostrando a honra que foi trabalhar com José Henrique, a magistrada estava visivelmente abalada com o falecimento repentino dele.

As filhas Adriene e Aline e a viúva Núbia, receberam muitos abraços e palavras de conforto. Aline revelou que o pai dizia que quando ele partisse, era para ela beber vinho e dar risadas. Obviamente um pedido que não conseguiu atender – trocou por café e muitas lágrimas, mas deu alguns sorrisos em forma de gratidão por ouvir tantas histórias da vida que Portugal viveu junto a amigos, deixando os exemplos às elas e seus quatro netos, que eram as paixões do vovô Portugal, que no Dia dos Avô, foi embora morar com Deus sem mesmo se despedir.

O corpo de José Henrique Portugal foi velado durante toda a noite no Fórum. As 9:00 da manhã, a Guarda Civil Municipal fechou o trânsito para o cortejo que o levou para o Cemitério Municipal, onde com as homenagens dos Chacais, ele foi sepultado.

Portugal deixa legado na vida pessoal, pública, e profissional

José Henrique Portugal tinha 63 anos, 40 deles dedicados ao Poder Judiciário, como técnico de Apoio Judiciário da Comarca de Três Pontas. Conhecido como escrivão da Justiça 1ª Vara e Gerente de Secretaria desde 1992. Entrou na política por intermédio do seu amigo, o médico e ex-prefeito Dr. Glimaldo Paiva e sempre foi filiado ao PMDB.

Foi vereador por três mandatos e duas vezes ocupou a Presidência da Câmara. Na sua atuação, fez diversos projetos que se tornaram leis, principalmente que beneficiaram a população mais carentes. Foi extremamente rigoroso com o dinheiro público e defensor da economia.

Portugal sofreu uma morte súbita em casa. Chegou a ser socorrido para o Pronto Atendimento Municipal (PAM), mas não resistiu e faleceu.