A Secretaria Municipal de Saúde de Três Pontas anunciou o lançamento de um projeto piloto de prevenção a doenças oculares, em parceria com o Hospital de Olhos de Itanhandú, que irá oferecer gratuitamente o exame de retinografia à população. A iniciativa tem como foco pessoas diabéticas acima de 18 anos e toda a população negra adulta, grupos considerados de maior risco para doenças que podem levar à perda da visão.

O projeto começa no dia 12 de janeiro, inicialmente no posto de saúde do bairro Morada Nova, e depois será estendido a todas as Unidades Básicas de Saúde do município. A expectativa é de um atendimento ágil, com capacidade para cerca de 30 pessoas por hora, o que permitirá alcançar um grande número de pacientes ao longo da ação.

Segundo a secretária municipal de Saúde, Giovania Rabello Pereira, o objetivo principal é reforçar o trabalho preventivo realizado nas unidades de saúde. “Esse projeto é fundamental porque nossas UBS trabalham com foco na prevenção. Queremos identificar problemas oculares antes que eles causem danos irreversíveis à visão”, destacou.

Exame rápido, indolor e sem contraindicações

A retinografia é um exame simples, rápido e indolor, que funciona como uma fotografia do fundo do olho. Ele não possui contraindicações e é essencial para detectar precocemente doenças como retinopatia diabética, edema macular e glaucoma — enfermidades que, quando não diagnosticadas a tempo, podem evoluir para quadros graves, inclusive cegueira.

De acordo com a enfermeira reguladora Layla Miranda Figueiredo Silva o diabetes provoca lesões nos pequenos vasos sanguíneos, especialmente na região ocular. “Esses danos podem comprometer seriamente a visão. Com a detecção precoce e o controle adequado do diabetes, conseguimos evitar complicações graves”, explicou.

Por que a população negra tem prioridade?

A prioridade dada à população negra no projeto é baseada em critérios médicos e científicos, conforme explica o Hospital de Itanhandú. Pessoas negras possuem predisposição genética ao desenvolvimento do glaucoma e, além disso, apresentam maior dificuldade na absorção de vitamina D, fator que contribui para o surgimento da doença.

“O glaucoma é uma doença silenciosa e muito comum na população negra, podendo aparecer até dez anos mais cedo em comparação a outros grupos. Por isso, o rastreamento precoce é essencial”, ressaltou Laila. Justamente por ser silencioso, o glaucoma muitas vezes só é descoberto quando já há perda significativa da visão.

Inscrições e encaminhamentos

As inscrições já estão abertas e devem ser feitas diretamente na Unidade de Saúde de referência do paciente.

  • População negra: para participar do projeto, não é necessário apresentar nenhum documento específico ou laudo. O acesso ao exame é garantido exclusivamente por meio da autodeclaração racial, realizada no momento do cadastro na Unidade de Saúde. Essa medida segue os critérios adotados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e tem como objetivo facilitar o acesso ao exame, respeitando a identidade da pessoa e assegurando o atendimento prioritário a um grupo que apresenta maior risco para o desenvolvimento de doenças oculares, como o glaucoma.
  • Pessoas diabéticas: é necessário comprovar a condição. Quem já possui cadastro na unidade está automaticamente apto; quem ainda não tem pode apresentar a receita dos medicamentos.

Atualmente, Três Pontas possui cerca de 5 mil pessoas cadastradas como população negra e aproximadamente 4 mil diabéticos acima de 18 anos. A meta da Secretaria de Saúde é atender a todos que se enquadram no perfil, inclusive pessoas que possuem plano de saúde, já que o projeto é voltado a toda a população trespontana.

Os exames serão realizados por técnicos enviados pelo Hospital de Itanhandú e analisados por médicos especialistas. Caso seja identificada alguma alteração, o paciente será encaminhado para as bases do hospital para tratamento ou, se necessário, cirurgia.

Documentos necessários

  • Documento de identificação com foto;
  • Cartão do SUS ou CPF.

A orientação da Secretaria de Saúde é clara: procure sua unidade de saúde, faça o cadastro e garanta o agendamento. A prevenção, mais uma vez, se mostra como o caminho mais seguro para preservar a visão e a qualidade de vida da população.