

*Imóvel foi avaliado em aproximadamente R$ 1 milhão, mas a Prefeitura pagará R$ 700 mil, eliminando mais um aluguel de sua despesa mensal
A Câmara Municipal realizou, na noite desta segunda-feira (31), uma reunião com apenas um projeto de lei em pauta, mas com discussões fundamentais para o município, especialmente na área social.
Com a presença da secretária de Desenvolvimento Social e Habitação, Marina Silva, e da equipe da Comunidade Fé com Obras, os trabalhos habituais foram breves. No entanto, os vereadores acompanharam atentamente as falas na Tribuna Livre dos inscritos.
No Pequeno Expediente, diversos temas foram abordados, gerando questionamentos tanto para o Poder Executivo quanto para o Legislativo. O vereador Antônio Carlos de Lima (Antônio do Lázaro – PSD) questionou a descontinuidade do serviço de emissão de carteiras de identidade no prédio da Câmara. Ele também elogiou o trabalho dos secretários de Saúde, Felipe Pereira, e de Desenvolvimento Social, Marina Silva. Além disso, ressaltou sua contribuição para a implantação do transporte público nos distritos do Quilombo Nossa Senhora do Rosário e Pontalete.
Em resposta, o presidente da Câmara, Myller Bueno de Andrade (PSD), esclareceu que a responsabilidade pela emissão da carteira de identidade é da Polícia Civil. Ele explicou que a continuidade desse serviço no prédio do Legislativo não era consenso entre os parlamentares, pois alguns reclamavam da falta de espaço para atendimento à população. Como já havia mencionado anteriormente, Myller pretende construir uma área administrativa para garantir espaço adequado aos atendimentos políticos realizados pelos vereadores.
O vereador Daniel Rodrigues (PV) esclareceu questões sobre a construção de moradias populares. Ele liderou na Câmara o movimento que buscava informações sobre o programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal. Segundo o prefeito Luisinho, ainda não há liberação de recursos para a construção dessas habitações, embora seja uma promessa do Executivo. Daniel destacou a necessidade de iniciar o pré-cadastro anunciado pelo gestor para mapear o déficit habitacional do município.
O vereador também compartilhou que gravou um vídeo em suas redes sociais celebrando a conquista do transporte para os dois distritos e enfatizou seu compromisso com toda a cidade. Um exemplo disso é sua busca por recursos para a cobertura da quadra do bairro Vila Marilena.
Demonstrando carinho pela Comunidade Fé com Obras, Daniel destacou que já havia sido beneficiado pela entidade antes mesmo de se tornar vereador. Ele ressaltou sua satisfação em poder contribuir, por meio de seu mandato, com esse grupo de voluntários dedicados a resgatar pessoas em situação de rua.
O vereador Francisco Fabiano Diniz Júnior (Professor Popó – PSB) relatou que enviou várias mensagens ao prefeito Luisinho na última quinta-feira solicitando melhorias para o bairro Jardim das Esmeraldas. Como resultado, a operação tapa-buracos foi iniciada, a calçada utilizada pelos moradores teve o mato cortado e será reformada, facilitando o acesso da população.
Popó também solicitou à Secretaria de Meio Ambiente o plantio de árvores para melhorar a arborização do bairro. Ele esclareceu que as mudas plantadas foram cuidadosamente selecionadas para não comprometer a calçada nem a infraestrutura da rede de água das residências. Em sua visão, o bairro ficará mais bonito e arborizado.
A vereadora Valéria Evangelista Oliveira (PL) destacou em seu discurso as comemorações do Mês da Mulher, nas quais esteve presente. Ela enfatizou seu esforço em participar de todos os eventos aos quais foi convidada, culminando na celebração “Elas por Elas”, realizada na última sexta-feira na Praça da Fonte. O evento ofereceu orientação, informação e serviços às mulheres. Valéria também mencionou seu apoio à criação da Câmara da Mulher pela Associação Comercial.
Nos minutos finais de sua fala, a vereadora agradeceu pelo atendimento de suas demandas, incluindo a troca de lâmpadas e a poda de árvores solicitadas à Secretaria de Transportes e Obras. Por fim, elogiou o sucesso da Feira de Negócios da Cocatrel, evento que prestigiou e considerou um grande encontro para os produtores.
No Grande Expediente, Valéria destacou o trabalho da Secretaria Municipal de Saúde na prevenção da dengue e celebrou a redução dos casos da doença em Três Pontas, resultado da conscientização da população.
O vereador Roberto Donizetti Cardoso (PL) parabenizou a APAE pela organização da Marcha Azul, realizada no sábado no Parque Municipal Vale do Sol. Ele elogiou o evento e a dedicação dos profissionais que atuam na instituição, oferecendo suporte aos autistas de forma acolhedora.
Por fim, Roberto voltou a reclamar da desorganização dos fios pendurados nos postes, que prejudicam a estética da cidade. O presidente Myller Bueno alertou que outras cidades da região enfrentam problemas semelhantes com empresas de telefonia, conforme reportagens recentes.
Imóvel da Casa Lar agora é da Prefeitura
O Projeto de Lei do Executivo 076/2025, que estava na pauta, foi aprovado por unanimidade e amplamente elogiado. A lei altera o Orçamento de 2025 para suplementar R$ 700 mil destinados à aquisição de um imóvel localizado no Centro da cidade, onde funciona o Abrigo (que era chamado de Casa Lar) – instituição de acolhimento para crianças e adolescentes em situação de risco.
O imóvel está situado em um lote de 506,21 m², com uma área construída de 121,38 m² e um acréscimo de 145,62 m². A compra foi realizada por meio de um Termo de Acordo firmado com o Ministério Público nos autos de uma ação civil pública, resultando na devolução de R$ 596.248,26 aos cofres municipais. Em contrapartida, o município se comprometeu a investir integralmente esse valor na construção ou reforma de uma instituição de acolhimento para crianças e adolescentes em situação de risco.
O vereador Robertinho classificou o projeto como uma grande conquista. Ele questionou a avaliação do imóvel, e o presidente Myller esclareceu o laudo. O vereador Geraldo José Prado (Coelho – PSD) considerou a aquisição acertada e destacou o excelente trabalho da secretária de Desenvolvimento Social, Marina Silva, que demonstra grande dedicação ao Abrigo.
Antônio do Lázaro relembrou que, desde a gestão da ex-prefeita Luciana Mendonça, as administrações têm buscado reduzir despesas com aluguéis. Para ele, garantir que o Abrigo funcione em um prédio próprio é um passo fundamental para a melhoria dos serviços prestados.
Serviço Família Acolhedora: Secretaria busca adesão

A Tribuna Livre da Câmara Municipal, espaço destinado à manifestação pública de cidadãos e entidades durante as reuniões legislativas, contou neste mês com duas inscrições, ambas abordando temas relacionados à assistência social, mas com enfoques distintos. Um dos temas centrais foi a divulgação do Serviço Família Acolhedora, promovida pela Secretaria de Desenvolvimento Social.
A secretária de Desenvolvimento Social, Marina Silva, acompanhada da assistente social Luciana Silva Bárbara e da coordenadora do Abrigo e do serviço de Acolhimento Familiar, Wanderleia da Luz Augusto, utilizaram os primeiros 15 minutos do tempo para explicar a relevância do serviço e pedir apoio e parceria dos vereadores na divulgação. Atualmente, o programa conta com apenas cinco famílias cadastradas, um número insuficiente diante da grande demanda por acolhimento de crianças e adolescentes que precisam ser afastados temporariamente de seus lares de origem devido a situações de vulnerabilidade ou risco.
O Serviço Família Acolhedora tem como objetivo proporcionar um ambiente familiar e afetivo para crianças e adolescentes em situação de risco, enquanto suas famílias biológicas passam por um processo de reestruturação. Diferente da adoção, o acolhimento é temporário, podendo durar até dois anos, e as famílias habilitadas não podem estar na fila de adoção. A Secretaria de Desenvolvimento Social disponibiliza uma equipe técnica especializada para oferecer suporte, capacitação e acompanhamento psicossocial aos envolvidos no programa. Cada família recebe um salário mínimo por mês por cada criança, para custear as despesas. Se for dois irmãos são dois salários. Elas passam por entrevistas, capacitações, reuniões e encontros. A criança pode ter de 0 a 18 anos, podendo estender até 21. Uma regra é clara – não se pode escolher a criança, mas o perfil, como a idade e o sexo sim.
As representantes também esclareceram que, embora o Abrigo desempenhe um papel fundamental no acolhimento institucional, o modelo de Família Acolhedora é mais benéfico para o desenvolvimento emocional das crianças. A principal diferença está no vínculo afetivo e na estabilidade proporcionados pelo convívio familiar, o que contribui significativamente para o crescimento saudável e a autoestima dos acolhidos. Entretanto, o grande desafio é fazer com que as famílias compreendam que o acolhimento é uma medida temporária e não implica adoção. O acolhimento institucional tem as fases de acordo com a quantidade de acolhidos.
Para conhecer mais sobre o serviço, basta acessar o Instagram -@familiaacolhedoratpmg ou pode ser feito contato pelo telefone (35) 99993-6122.
A iniciativa busca sensibilizar a comunidade para a importância de ampliar o número de famílias acolhedoras, garantindo assim um atendimento mais humanizado e individualizado para as crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Com o apoio dos vereadores e da população, a Secretaria espera expandir a rede de acolhimento e oferecer um futuro mais promissor para aqueles que mais necessitam.
“Comunidade Fé com Obras: Transformando vidas e enfrentando desafios”
Na última reunião da Câmara Municipal, mais um tema relevante foi discutido na Tribuna Livre: a situação dos moradores em situação de rua e o trabalho fundamental realizado pela Comunidade de Acolhida Fé com Obras. A iniciativa, que sobrevive com o apoio de cerca de 3 mil pessoas que contribuem mensalmente, tem como objetivo transformar vidas e reintegrar aqueles que vivem nas ruas à sociedade.
O idealizador do projeto, Piter Vagner Conceição (foto), compartilhou um pouco da história da Comunidade, que teve início em 2006, com o foco inicial no apoio às famílias carentes. Em 2016, a Comunidade deu um passo importante, passando a atuar como um serviço de acolhimento a moradores de rua. Com o tempo, a Fé com Obras acolheu até 50 pessoas, oferecendo um ambiente de segurança, apoio emocional e, acima de tudo, uma chance para recomeçar.
Diferente de uma clínica de internação para dependentes químicos, a Comunidade trabalha para que os moradores em situação de rua abandonem a vida nas ruas e sejam reintegrados à sociedade. “O nosso trabalho é complexo e exige dedicação. Alguns acolhidos se transformaram completamente, enquanto outros, infelizmente, não aceitam ajuda e preferem permanecer nas ruas, sofrendo com o preconceito e a discriminação”, explicou Piter.
A dedicação dos voluntários é um dos pilares do projeto. Apesar de arriscarem suas próprias vidas, muitas vezes deixando de lado momentos de lazer e descanso, esses profissionais se empenham em proporcionar uma nova chance àqueles que mais precisam. No entanto, o trabalho de acolhimento não é fácil e enfrenta dificuldades financeiras. Os funcionários da Comunidade, que são poucos diante da demanda, recebem remuneração abaixo do ideal, o que é um reflexo da falta de recursos. Para manter o trabalho, a Fé com Obras organiza diversas campanhas, que vão desde a arrecadação de valores simbólicos como R$1, até pedidos realizados nas portas de supermercados e festas beneficentes.
Atualmente, a Prefeitura de Três Pontas contribui com 25% das despesas mensais da Comunidade, o que ajuda a manter o projeto ativo, mas a quantidade de recursos ainda é insuficiente. Piter destacou que, se o poder público fosse o único responsável pelo financiamento, seriam necessários milhões de reais mensais para manter os custos. Infelizmente, o espaço alugado no bairro Botafogo, onde a Comunidade funciona, está sendo vendido, o que agrava ainda mais a situação. Apesar dos desafios, o trabalho continua sendo feito com muito empenho, amor e dedicação.
A Comunidade Fé com Obras também busca ampliar seus serviços e, para isso, estabeleceu como meta a construção de uma sede própria, em um terreno que foi doado pela Prefeitura, em frente ao Parque Multiuso da Mina do Padre Victor. No local, já foi criada uma horta beneficente, que visa ajudar nos custos da manutenção da Comunidade. O projeto idealizado para o novo espaço prevê a construção de um abrigo para até 100 pessoas, incluindo mulheres, o que certamente representará um modelo de atendimento no Brasil. O valor estimado para a realização do projeto é de R$5 milhões, e a Comunidade está em busca de parcerias e doações para tornar esse sonho realidade.
Piter ressaltou a importância de cada contribuição, seja em forma de doações financeiras, materiais ou até mesmo orações. “Toda ajuda é bem-vinda”, afirmou. A Comunidade, além de ter se tornado uma entidade de utilidade pública municipal e estadual, está apta a receber recursos públicos, além das doações da população.
Em meio a tantos desafios, a Comunidade Fé com Obras segue cumprindo sua missão de acolher e transformar a vida de pessoas que perderam tudo, inclusive suas famílias. Apesar das dificuldades financeiras e da falta de espaço, a fé e o compromisso com o próximo são os motores que mantêm esse trabalho em funcionamento. O número de pessoas vivendo nas ruas de Três Pontas pode parecer pequeno em comparação com cidades vizinhas, mas, segundo Piter, “seria muito maior se não fosse a Comunidade Fé com Obras”. É um trabalho complexo e de risco, mas que tem mostrado resultados significativos na reintegração de moradores de rua à sociedade.
