Amanda Maria Souza de Oliveira, a mulher de 38 anos que fingiu ser uma criança de 12 anos e enganou uma família em Santa Catarina, foi julgada e condenada nesta quinta-feira (20), pelos crimes de estelionato e falsidade ideológica. A mulher recebeu pena de 1 ano, 6 meses e 10 dias de reclusão e 18 dias de detenção.
Por nota, a defesa de Amanda disse discordar da decisão e informaram que iriam adotar de maneira imediata todas as medidas legais e recursos pertinentes junto aos juízos superiores, para que possam provar a inocência da condenada.
O Poder Judiciário informou que ambas as penas serão cumpridas de forma inicial em regime semiaberto, Amanda poderá trabalhar ou estudar durante o dia e retornará até a unidade prisional durante a noite. A sentença manteve a prisão preventiva dela. Ainda segundo o Poder Judiciário, a mulher teria criado uma identidade falsa e enganado a família por mais de um ano de convivência.
De acordo com a sentença, a mulher inicialmente teria se apresentado como adulta e, posteriormente, passado a afirmar que era adolescente. Com a identidade falsa, aproximou-se da família e relatou situações de vulnerabilidade, inclusive com histórico de abusos, problemas de saúde e abandono familiar.
Entre as provas apresentadas no processo, se encontram:
- Laudo extraído do celular apreendido durante a investigação;
- Depoimentos prestados pelas vítimas e testemunhas;
- Confissão da ré de que utilizava nome e idade falsos;
- Com a fraude, Amanda teria custeado de forma integral todas suas necessidades;
- A repercussão social do caso e os impactos emocionais e familiares provocados pela situação, especialmente em razão do vínculo construído entre a ré e as vítimas ao longo de mais de um ano.
De acordo com a condenação Amanda agiu de forma consciente para induzir e manter as vítimas em erro.
Relembre o caso:
Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, foi investigada por se passar por uma adolescente para conquistar a confiança de uma família em Joinville (SC). Ela inicialmente se apresentou como adulta a uma comunidade religiosa, mas depois mudou a versão e passou a afirmar que era uma menina de 11 ou 12 anos chamada “Gabriele”.
Após se aproximar da família, Amanda teria sido acolhida como filha adotiva, ganhado um quarto infantil e participado de uma festa de aniversário. Segundo a investigação, ela simulava problemas de saúde e situações de vulnerabilidade para sustentar a identidade falsa e manter o vínculo afetivo e financeiro com os acolhedores.
A fraude foi descoberta depois que familiares pesquisaram o histórico de Amanda na internet e encontraram relatos de golpes semelhantes praticados em outros estados. Em depoimento à Polícia Civil, ela admitiu parte das acusações e relatou ter passado por atendimentos em serviços de saúde mental, incluindo CAPS no Ceará e um hospital psiquiátrico em Fortaleza. Também afirmou que algumas lesões identificadas em exames teriam sido provocadas por ela mesma.
Amanda já havia respondido por um caso semelhante em Santa Catarina e também foi investigada no Paraná por supostamente aplicar o mesmo golpe contra integrantes de um grupo de oração virtual. A defesa chegou a solicitar uma nova avaliação psiquiátrica para analisar a sanidade mental da investigada.



















