A Casa da Cultura Alfredo Benassi abriu suas portas — e também o coração — para na noite desta quinta-feira (13), receber o sarau “Três Pontas, Mil Corações”, dentro da programação do Festival Música do Mundo.

Mais do que uma apresentação musical, a noite foi um encontro. Uma daquelas reuniões que parecem simples, quase como uma roda de amigos no quintal de casa, mas que carregam histórias, afetos, poesia e muita música.

E foi justamente no quintal da Casa da Cultura que tudo aconteceu.

Com a beleza de um ipê-amarelo, ladeado por uma fonte luminosa, o público se acomodou para acompanhar apresentações de artistas trespontanos. O cenário, rústico e acolhedor, parecia traduzir em silêncio aquilo que a noite queria dizer: em Três Pontas, a cultura também nasce dos encontros.

Ali, muitos dos músicos que se apresentaram se conheceram. Alguns cantaram juntos pela primeira vez naquele mesmo espaço. Desde então, muita coisa mudou em suas vidas e em suas trajetórias musicais, mas permaneceu a vontade de se reunir, tocar e cantar.

E, como não poderia deixar de ser, havia uma inspiração pairando sobre aquele quintal: Milton Nascimento, um dos maiores nomes da música brasileira e uma das vozes que ajudaram a colocar Três Pontas no mapa da música mundial.

A música trespontana, portanto, foi a grande anfitriã da noite.

O Festival Música do Mundo, que está de volta, mostrou que não se resume ao grande espetáculo do sábado. A proposta também passa por valorizar aquilo que é daqui, aquilo que é nosso, os artistas, os espaços e as manifestações culturais que fazem parte da identidade da cidade.

No casarão da Casa da Cultura, sob as imponentes janelas que guardam tantas histórias, a cultura trespontana se expressou mais uma vez.

Não havia luxo. Havia luzes amarelas iluminando o quintal, fitas em formato de corações espalhadas pelo espaço e um público fiel, daqueles que sabem que a arte também é uma forma de encontro.

E naquela noite, o amor estava por toda parte.

Nas canções, nos versos, nas poesias, nos abraços, nas amizades antigas e nas novas histórias que continuam sendo construídas através da música.

Vários artistas trespontanos passaram pelo palco improvisado do quintal. Cada um apresentou duas canções, acompanhado por instrumentos afinados e, principalmente, pela emoção de estar em casa.

Entre os convidados estava David Mour, de Londrina (PR), bicampeão do Festival Nacional da Canção. Hospedado em Três Pontas para sua participação em Coqueiral, o músico aproveitou os laços de amizade que mantém com a cidade para fazer uma visita especial ao sarau. Ele foi chamado ao microfone, pela amiga Elis Theophilo, que havia cantado e tocado ao lado de Beto Maciel, professor de tantos com um taleto, disposição que sua história e de seu pai se confunde com a do Conservatório de Música Gileno Tiso.

David Mour foi vencedor do Festival Nacional da Canção com “Exagerado Demais”, recebendo o tradicional Troféu Lamartine Babo. A presença dele tornou ainda mais especial uma noite que já tinha como principal característica a união entre artistas e público.

E, para fechar o encontro, veio um daqueles versos que parecem caber perfeitamente em uma cidade que transforma música em parte da própria vida: “O que é, o que é?”, de Gonzaguinha.

Uma canção que atravessa gerações falando de esperança, resistência e da importância de celebrar a vida.

No quintal da Casa da Cultura, naquela noite, Três Pontas celebrou exatamente isso.

Celebrou a música.
Celebrou a poesia.
Celebrou os encontros.
Celebrou seus artistas.

E, entre canções e corações, mostrou mais uma vez que Três Pontas pode ser uma cidade pequena no mapa, mas tem mil corações pulsando quando o assunto é cultura.