A sessão da Câmara Municipal de Três Pontas de segunda-feira (15) foi marcada por um intenso embate entre vereadores após declarações polêmicas feitas pelo vereador Geraldo José Prado, o Coelho, sobre o programa habitacional “Minha Casa Minha Vida”, voltado à construção de moradias populares no município.

Durante o Pequeno Expediente, Coelho afirmou estar sendo constantemente cobrado pela população sobre a promessa de construção de casas populares e direcionou críticas ao prefeito Luis Carlos da Silva e a vereadores que participaram de uma reunião realizada no ano passado com moradores interessados no programa habitacional.

O parlamentar exibiu fotografias do encontro, realizado na Câmara Municipal, e acusou os participantes de terem prometido moradias à população. O detalhe que mais chamou atenção foi o fato de que o próprio Coelho não participou da reunião e, mesmo assim, afirmou que vereadores presentes teriam criado expectativas que agora não estariam sendo cumpridas. “Quem prometeu foi o prefeito e outros vereadores. Está na foto aqui. Brincar com o sentimento das pessoas mais simples é uma maldade”, declarou Coelho.

Em outro trecho, o vereador elevou ainda mais o tom das críticas.”Peço ao senhor prefeito que explique por que prometeu e cadastrou 3.700 pessoas. É vergonhoso, é mentiroso. Quem estava junto e prometeu é tudo mentiroso”, afirmou.

As declarações provocaram reação imediata dos demais vereadores, que rebateram as acusações e afirmaram que nunca fizeram esta promessa.

Presidente da Câmara contesta acusações ‘a foto tem áudio’?

O primeiro a responder foi o presidente da Câmara, vereador Myller Bueno de Andrade, que lembrou que a reunião ocorreu porque o espaço da Prefeitura não comportava a quantidade de pessoas interessadas e que a Câmara apenas cedeu suas instalações.

“O senhor não estava aqui no dia. Nós abrimos a Casa do Povo para que as pessoas pudessem vir. Não houve promessa de vereadores”, rebateu.

Myller também questionou o uso das fotografias como prova das acusações.

“Mas a foto tem áudio? Em algum momento eu falei que prometi alguma casa popular? O senhor tem que falar as coisas com propriedade”, declarou.

O vice-presidente da Câmara, vereador Rodrigo Alexandre Silva (Investigador) também contestou as afirmações. “Quando o senhor fala que os vereadores prometeram casa, isso é uma falácia, não é verdade. Eu não prometi casa para ninguém e nem estava aqui naquele dia”, afirmou. Segundo ele, ao generalizar as acusações, Coelho acabou atingindo todos os parlamentares.”Quando o senhor fala que os vereadores prometeram casa e que vai trazer óleo de peroba, o senhor trata todos os demais vereadores com muita falta de zelo”, acrescentou.

A vereadora Valéria Evangelista, a Valerinha, fez questão de registrar que participou da reunião, mas nunca prometeu moradias. “Eu estava presente, participei da reunião, mas não tem promessa minha sobre casas. Eu também não me coloco nesse meio”, afirmou.

Mais tarde, ela voltou a defender o andamento do projeto habitacional. “A Prefeitura já realizou dois chamamentos para empresas. O processo está em andamento. Não se pode dizer que não haverá casas. Hoje a fase é justamente a habilitação das empresas interessadas”, explicou.

O vereador Professor Francisco Fabiano Diniz, o Popó, aproveitou o debate para explicar o estágio atual do programa habitacional e destacou que nenhum vereador tem poder para garantir moradias. “Nenhum vereador promete casa, porque não faz a seleção. Quem faz a seleção é a Caixa Econômica Federal. Vamos falar as coisas certas”, disse. Segundo ele, o município já aprovou os terrenos necessários e aguarda a conclusão das etapas burocráticas para que as construções possam avançar.

“O processo começou com o levantamento da demanda, depois a escolha dos terrenos e agora está na fase dos chamamentos das empresas. São 97 casas previstas neste primeiro momento”, esclareceu.

O vereador Maciel Ramos também saiu em defesa dos colegas e criticou a utilização de imagens da reunião como argumento para acusar vereadores de promessas que, segundo ele, nunca foram feitas.

“Você não pode pegar uma foto e dizer que alguém está prometendo casa. A foto não teve fala. Nós estamos aqui para correr atrás de melhorias para a população, mas prometer algo que não está na nossa alçada é outra coisa”, afirmou.

Já o vereador Daniel Rodrigues ressaltou que Três Pontas possui um déficit habitacional histórico e que o município somente recentemente iniciou o processo para participar dos programas federais de habitação. Na visão, o processos deveria ter sido feito em outras gestões. “Nós aprovamos os 97 terrenos. A nossa parte foi feita. Agora depende da conclusão dos chamamentos e das etapas junto à Caixa Econômica Federal e ao Governo Federal”, explicou. Daniel ainda destacou que mais de 3.700 pessoas se cadastraram, demonstrando a necessidade de investimentos em habitação popular na cidade.

Após as manifestações dos colegas, Coelho voltou a usar a palavra e afirmou que não citou nomes específicos. “Eu não citei nomes. Falei vereadores. Agora, será que eu cutuquei a ferida? Porque ficaram muito bravos”, declarou. Mas foi justamente esse o problema. Alguns disseram que ele deveria ter então citado nomes e não colocar todos na mesma situação.

As respostas, porém, seguiram no mesmo tom: os vereadores presentes na reunião reforçaram que participaram do encontro para ouvir a população e acompanhar a apresentação do projeto, mas negaram ter feito qualquer promessa de entrega de moradias.

O debate acabou dominando boa parte da sessão e evidenciou o desgaste político em torno da expectativa criada pela população em relação ao programa habitacional, que ainda depende da conclusão de etapas técnicas e da participação de empresas habilitadas para sair do papel.

O episódio evidencia mais uma vez o isolamento político de Coelho dentro da Câmara Municipal. Embora os demais vereadores frequentemente busquem manter uma relação institucional cordial, as constantes acusações e confrontos protagonizados pelo parlamentar acabam criando novos desgastes e dificultando até mesmo a manutenção de uma convivência respeitosa entre os membros do Legislativo.