

Tratores autônomos e elétricos são destaques da Expocafé 2026 em Três Pontas. Evento segue até o fim da tarde desta quinta-feira
O presidente da Cocatrel, Jacques Fagundes Miari, destacou o sucesso do segundo dia da Expocafé 2026, realizada no Aeroporto Municipal de Três Pontas. Segundo ele, o movimento aumentou significativamente em relação à abertura da feira, principalmente porque o produtor rural costuma utilizar o primeiro dia para conhecer as novidades e fazer uma prospecção inicial dos negócios.
ENTREVISTA
Como o senhor avalia o segundo dia da Expocafé 2026?
Esse segundo dia de Expocafé teve um aumento muito grande no movimento. O primeiro dia é mais voltado para a prospecção, quando o produtor vem, passa mais rápido e observa o que está disponível na feira. Mas hoje nós estamos com a visitação acima da média, fechando negócios e vivendo um sucesso total na nossa Expocafé.
A Expocafé é considerada referência em inovação e tecnologia na cafeicultura. O que faz a feira ter essa importância?
O berço da inovação, da tecnologia e das tendências da cafeicultura está aqui na Expocafé. Esse braço junto com a Ufla e a Prefeitura, iniciado há 29 anos, mostra o seu papel todos os anos. Desde o início, a feira apresenta lançamentos, tendências e inovações que ajudam o produtor a ter mais eficiência.
A feira apresenta muitos maquinários e novidades para o setor. O que está chamando mais atenção este ano?
Sem dúvida, a automação. A mão de obra está cada vez mais cara e precisamos compensar isso com mais tecnologia. Este ano já estamos apresentando tratores autônomos e tratores elétricos. Já tínhamos avançado muito com os drones e agora demos mais um passo importante. São tecnologias que devem se tornar realidade no campo nos próximos anos.
Sobre a dificuldade de contratação de mão de obra, como os produtores receberam a aprovação do registro do safrista sem perda dos benefícios sociais?
Isso foi muito bem recebido pelo setor. Era uma demanda antiga da produção rural, da bancada ruralista e também das cooperativas. A proposta já foi aprovada e estamos aguardando apenas a sanção presidencial para que a lei entre em vigor. Isso vai trazer mais segurança e facilidade para registrar o trabalhador, permitindo que ele trabalhe regularizado sem perder seus benefícios sociais.
A Expocafé também ampliou muito a programação de palestras e seminários neste ano. Qual foi o objetivo?
Nós reforçamos ainda mais essa tradição de fornecer conhecimento ao produtor. Antecipamos a abertura da feira para segunda-feira justamente para termos terça, quarta e quinta-feira repletas de palestras e seminários. O objetivo é aperfeiçoar cada vez mais o produtor e discutir temas importantes para o setor.
Quais temas estão sendo mais debatidos?
A reforma tributária é um dos principais assuntos porque vai impactar muito o produtor rural. Estamos realizando três painéis sobre o tema durante a feira para reforçar a necessidade de o produtor entender o que está por vir. Não é só produzir café, é preciso também estar atento à gestão da propriedade e às mudanças que afetam o setor.
O senhor destacou a importância da sucessão familiar no campo. Como a Cocatrel trabalha essa questão?
Nós percebemos isso muito dentro da cooperativa. O trabalho com cafés especiais trouxe muitas mulheres para dentro da Cocatrel e agora estamos vendo também muitos jovens cooperados entrando no setor. O pós-colheita acaba sendo uma porta de entrada para essa nova geração, porque eles conseguem perceber rapidamente o resultado do empenho deles. Isso gera valor, aproxima as gerações e faz com que os jovens criem mais amor pela fazenda e pela cafeicultura.
O Grupo Cafeína ganhou grande destaque na Expocafé. Como o senhor vê essa evolução?
No início talvez tivéssemos uma expectativa, mas hoje acreditamos que elas ainda têm um potencial muito maior. Na área de cafés especiais, as mulheres já conquistaram praticamente 50% dos cafés premiados. Foi uma evolução enorme em pouco tempo. Elas estão assumindo propriedades, participando da sucessão familiar e trazendo essa continuidade para as próximas gerações.
Os cooperados da Cocatrel encontram condições especiais durante a feira?
Sim. Tanto na Expocafé quanto nas Fecons, nós trabalhamos com condições especiais de comercialização, mas principalmente na Expocafé. Como fazemos compras em grande volume, conseguimos trazer melhores atrativos para os produtores. Esses eventos acabam sendo o momento ideal para o cooperado fazer suas negociações e preparar sua safra com mais tranquilidade.
Para o senhor, o que representa presidir a Cocatrel e realizar uma feira dessa magnitude?
É motivo de muito orgulho. Isso é fruto de uma grande parceria e do trabalho de toda a equipe da Cocatrel, que faz tudo com muito carinho para os produtores. O cooperativismo é gratificante porque conseguimos contribuir diretamente para o desenvolvimento do produtor rural. A razão de existir de uma cooperativa são os cooperados e ver nossa equipe trabalhando, trazendo resultados e os cooperados satisfeitos é o maior orgulho que um dirigente pode ter.















