*Laudos periciais contrariaram a versão de legítima defesa apresentada pelo investigado quando ele se apresentou à Delegacia após o término do prazo de flagrante

 

A Polícia Civil cumpriu, na tarde desta quarta-feira (6), um mandado de prisão preventiva contra um homem de 58 anos, investigado por homicídio qualificado ocorrido na zona rural de Três Pontas, na divisa com o distrito de Córrego do Ouro, em Campos Gerais.

O crime, aconteceu em 4 de novembro do ano passado, na região conhecida por Campo da Onça e teve como vítima o trabalhador rural Paulo Vitor Brito Marques, de 36 anos. Segundo as investigações conduzidas pelo delegado Dr. Guilherme Banterli, vítima e suspeito eram vizinhos e moravam próximos um do outro.

De acordo com o inquérito policial, a motivação do crime teria começado após uma porca pertencente ao investigado fugir e ir parar na propriedade da vítima. Sabendo quem era o dono do animal, Paulo Vitor o guardou em sua propriedade e, ao final do dia, foi até a casa do vizinho para devolvê-lo. Após a devolução, os dois passaram a consumir bebidas alcoólicas juntos, como já havia ocorrido em outras ocasiões.

Vítima Paulo Vitor foi morto com 8 facadas na zona rural

Durante a confraternização, já sob efeito de álcool, os dois começaram a discutir justamente por causa do animal. O desentendimento evoluiu para uma briga física e terminou com a vítima sendo atingida por diversos golpes de faca.

Assim que tomou conhecimento do crime, a Polícia Civil se deslocou até a propriedade rural, acompanhada da perícia técnica, que realizou o exame de local. Segundo a investigação, o trabalho pericial foi fundamental para o esclarecimento do caso.

Após o homicídio, o suspeito fugiu do local. Nem a Polícia Militar, que foi a primeira a chegar à cena do crime, nem a Polícia Civil conseguiram encontrá-lo naquele momento. Ele permaneceu foragido até o encerramento do período de flagrante.

No dia 10 de novembro, acompanhado de advogado, o homem se apresentou espontaneamente na Delegacia de Polícia Civil, confessou o crime, mas alegou ter agido em legítima defesa. Segundo sua versão, Paulo Vitor o teria agredido diversas vezes e, para se defender, ele teria utilizado uma faca para cessar as agressões. Após ser ouvido e submetido a exame de corpo de delito, ele foi liberado para responder às investigações em liberdade.

No entanto, conforme destacou o delegado responsável pelo caso, os laudos periciais e o exame de necrópsia contradisseram a versão apresentada pelo investigado. “Os laudos demonstraram que foram desferidos diversos golpes de faca, inclusive em regiões incompatíveis com a tese de legítima defesa. Na época foi informado que foram 8 golpes, desferido pelas costas, o que evidencia uma ação consciente. Além disso, ficou constatado que o investigado alterou a cena do crime para tentar sustentar sua versão dos fatos”, afirmou o delegado Dr. Guilherme Banterli.

Diante do conjunto de provas reunidas ao longo do inquérito, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva do suspeito, medida considerada importante para garantir o andamento das investigações e a segurança das testemunhas. O mandado judicial foi expedido e cumprido pela equipe.

Outro fator que pesou para o pedido de prisão é o fato de o investigado estar morando atualmente em um imóvel próximo aos familiares da vítima, que ainda serão ouvidos oficialmente. Segundo a Polícia Civil, havia risco de intimidação de testemunhas e possível interferência nos depoimentos.

A prisão preventiva reforça o avanço das investigações e representa uma resposta importante no combate aos crimes violentos na região, garantindo maior segurança aos familiares da vítima e à comunidade rural. Ele foi encaminhado ao Presídio da cidade onde ficará a disposição da justiça.

O investigado responderá preso pelo crime de homicídio qualificado, cuja pena pode variar de 12 a 30 anos de reclusão.