O provedor da Santa Casa de Misericórdia do Hospital São Francisco de Assis, Michel Renan Simão Castro, recebeu a Equipe Positiva para esclarecer questionamentos sobre o desligamento de colaboradores realizado na semana anterior. Ele atendeu ao pedido e reforçou que o que pesou foi mais uma vez, a questão financeira, a falta de repasses e a defasagem na tabela do Sistema Único de Saúde, que tem gerado um déficit cada vez maior. As demissões foram em vários setores, como enfermagem, administração, limpeza, entre outros.

“Como todos sabem, uma empresa do porte da Santa Casa precisa de adequações. No ano passado, ampliamos de 10 para 22 leitos de UTI, acreditávamos que naquele momento, que os outros 10 seriam habilitados em seguida, mas isso não ocorreu. Neste meio do caminho nós queríamos transformar em leitos para queimados e isso foram diversas novas mudanças e estamos tratando disso com a Secretaria de Estado de Saúde sobre as alterações que ocorreram. Esses leitos de UTI esperamos que estarão habilitados. Tivemos neste período a inauguração da Hemodiálise, que esperávamos que o responsável pela coleta de água viesse, mas recebemos a informação que não conseguiu vir hoje e estamos cobrando para vir e iniciarmos o serviço. Neste tempo, quando tínhamos a expectativa desses serviços, Hemodiálise e principalmente a UTI, o quadro de funcionários ficou um pouco inchado e como nós não temos perspectiva para o início do serviço da UTI, somente o da Hemodiálise, esses desligamentos precisaram de ocorrer. Temos que lembrar que existe um existe um déficit mensal e não poderíamos naquele momento deixar de tomar esta medida, uma vez que 29 colaboradores, tem um valor bastante representativo na nossa folha de pagamento mensal. Continuamos ainda tomando todas as medidas necessárias para que este déficit seja reduzido. Os valores que recebemos do SUS eles não recebem correção e por isso, o déficit é crescente e, também cada vez há mais pessoas sendo atendidas na Santa Casa. Importante salientar que seguimos as instruções do COREN, a quantidade de profissionais para cada área. Isto foi observado e está dentro dos parâmetros que precisamos seguir. Tudo que é necessário para que tenhamos um bom atendimento e melhorar, colocaremos em prática em prol do bem da população.

Quantos profissionais foram desligados e como foi a escolha destes?

Eu não tenho capacidade técnica para demitir um funcionário, da enfermagem por exemplo. Nós temos os líderes, eles trazem os nomes, nós temos uma série de acompanhamentos no dia a dia do colaborador e aí é feito o desligamento, pela Administração. Nós acreditamos piamente em nossos líderes, por isso investimos tanto em treinamento e capacitação. Inicialmente, foram 29 desligamentos e ainda poderão ocorrer outros. Não foram apenas de enfermagem, foi na farmácia, recepção, limpeza e todos setores. O número de colaboradores hoje estão adequados e temos que pensar que a Santa Casa, hoje, se não houver um equilíbrio ela já é deficitária e isto só aumenta. Eu teria receio é de não tomar as providências como é necessário tomar. Sei que é uma medida que traz uma série de desconforto, mas liderança é justamente isto, fazer o que precisa ser feito, na hora correta, para que depois não tenhamos problemas mais significativos. Tudo tem seu tempo, e esse tempo foi agora para um equilíbrio financeiro nas contas da Santa Casa.

Michel, poderia falar mais sobre a situação financeira da Santa Casa? Como está o hospital em termos de pagamentos e recursos?

Michel Renan: A situação financeira é desafiadora. Temos um déficit crescente, superando R$700 mil. Os valores que recebemos do SUS não são corrigidos, e o aumento de atendimentos na Santa Casa agrava esse déficit. Desde que estou aqui, alguns procedimentos apenas foram corrigidos. A Santa Casa vem a cada dia melhorando. E as vezes as pessoas podem pensar: comprou um carrinho de anestesia novo para o Centro Cirúrgico, comprou um arco cirúrgico novo, um tomógrafo novo de R$1,8 milhão. É importante ressaltar que todos os recursos que recebemos tem destinações específicas. Quando atingidos algumas metas, eles nos premiam com alguns equipamentos e é o que acontece. Não podemos utilizar verbas para equipamentos, por exemplo, para cobrir folha de pagamento.

E em relação ao pagamento de salários e do 13º salário. Como está sendo administrada essa situação?

Mantemos todos os pagamentos em dia, tanto dos colaboradores quanto dos fornecedores. Tivemos uma reunião com os colaboradores para explicar que, devido a atrasos nos repasses estaduais e federais, não poderemos pagar o 13º salário integralmente em dezembro. Lançamos uma rifa e estamos buscando recursos para cumprir com esse compromisso. Nos esforçaremos ao máximo para honrar nossas obrigações, como sempre fazemos, para que todos recebam o que é devido.

Considerações finais

Agradeço pelo espaço e reforço que nossa gestão é pautada pela ética e transparência. Estamos à disposição para qualquer esclarecimento necessário. Nossa instituição enfrenta desafios, mas continuaremos trabalhando incansavelmente para oferecer o melhor atendimento possível à comunidade. Qualquer dúvida ou questionamento, estamos aqui para responder.