Moradores da cidade se reuniram durante a tarde deste sábado (19), para homenagear Natally Oliveira, a menina de 14 anos que foi morta pelo próprio tio, na zona rural de Nepomuceno. Ela havia desaparecido uma semana antes, em um caso até então marcado por um grande mistério.

Em Três Pontas não se fala em outra coisa, a não ser como esta história terminou. A brutalidade e covardia cometida por um homem de 25 anos, que era casado com a irmã da mãe de Natally. Ele aproveitou da confiança dela para atraí-la, dizendo que a levaria em um supermercado, onde já havia deixado a mãe e familiares e acabou matando a adolescente.

Uma grande comoção tomou conta daqueles que participaram da homenagem a Natally. Familiares, vizinhos, moradores do bairro, gente que conhecia ou que simplesmente se comoveu com o desaparecimento se reuniram para homenagear a adolescente. Estudante da Escola Marieta Castro, bastante tímida, de pouca conversa e que saia de casa apenas acompanhada de alguém. São características da menina que fez com que familiares nunca acreditassem na possibilidade dela ter fugido de casa, principalmente com namorado ou alguém que pudesse ter conhecido na internet.

Com um misto de saudade e misturado a revolta, em frente a casa onde a menina morava, ao lado da casa da avó, onde Natally saiu para ir naquela noite de sexta-feira, moradores se uniram em oração. Fotos dela pequena e já adolescente com um sorriso tímido e belos cabelos foram pregadas na parede da residência. Líderes da igreja que a família frequenta, Quadrangular Nova Aliança disseram que o momento era de celebrar a vida da menina que era cheia de sonhos. Enquanto o corpo da adolescente está no Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte aguardando para passar por exame detalhado e não é liberado para o sepultamento, fica a espera angustiante para dar um sepultamento digno a ela.

A avó foi a única pessoa que conseguiu falar. Emocionada Dona Ângela Maria Martins agradeceu a todos. Contou que mora a pouco ali e que não esperava tamanho apoio que recebeu dos moradores do bairro Jardim das Esmeraldas.

Usando balões lilás, cor preferida dela, enquanto a música “Me atraiu” de Gabriela Rocha preferida de Natally era tocada, pessoas soltaram balões. A menina ouvia a canção em casa. Alguns dos trechos falam “… “Tentei me esconder, por medo de não viver, mas tua glória me atraiu…”.

A mãe Natanea de Paula Nascimento desabou no chão chorando, enquanto era amparada por familiares e vizinhos.

Natally cursava o 9º ano na Escola Marieta Castro. Ela era aluna do professor Érik dos Reis Roberto. Ele afirma que ela era uma garota cheia de sonhos, educada, amiga, disciplinada, focada e cheia de cuidados pessoais. Quando os colegas ficaram sabendo do desaparecimento não acreditaram por ela ser muito caseira. “Ficaram preocupados e começaram a ajudar na divulgação e busca por informações para auxiliar nas buscas. O pior momento foi quando souberam que o corpo foi encontrado. Não só da sala, mas a escola inteira ficou abalada, professores, servidores e alunos foram às lágrimas. Foi como se desse um apagão e todos, só com olhar se entendessem e se abraçaram….. foi difícil”, disse o professor de ensino religioso.

Na homenagem para Natally, os colegas de sala participaram em peso, inclusive alguns pais acompanharam os filhos nessa hora. Mesmo diante da emoção e do sofrimento, os familiares encontraram forças para louvar a Deus pela vida e pela história da Natally, por ter participado e aprendido com ela que na dificuldade também se louva a Deus.

Em seguida, os moradores saíram em carreata pelas ruas e avenidas, cobrando justiça.

Tio pediu ajuda para encontrar Natally

O tio da menina que cometeu o crime foi preso. Durante as investigações ele estava preocupado. Segundo familiares, o rapaz disse que a polícia estava desconfiando dele e que teria que contratar um advogado. Desde que uma testemunha informou que Natally estava conversando com alguém em um carro preto, ele se tornou o principal suspeito. A informação chegou no domingo (13) e por isso, o Corpo de Bombeiros de Varginha encerrou as buscas.

Teria sido este tio que apontou onde o sinal de celular teria dado sinal a última vez, em um cafezal que fica nos fundos. Durante o desaparecimento, ele além de postar pedido de ajuda nas redes sociais, para que as pessoas dessem notícias sobre a menina, foi várias vezes na Delegacia de Polícia Civil dizer que havia recebido notícias que Natally estaria em algumas cidades da região. Isto também colaborou para que as policias desconfiasse dele, pois a checar nenhuma das informações eram verdadeiras.

O suspeito também fez perguntas sobre desaparecimento de corpo em um oficina onde ele  tinha levado o carro preto para arrumar. De acordo com o mecânico Wanderley da Silva, o suspeito perguntou se ele matasse uma pessoa enterrasse a mais ou menos meio metro, se cachorro acharia. Ele temia que o Corpo de Bombeiros ou a Polícia Militar fizessem buscas no sítio onde ele morava e trabalha usando cães farejadores, na zona de Nepomuceno. A fala do rapaz, fez todos que estavam de fora da oficina ouvindo a conversa desconfiasse, contou o mecânico.

Desaparecimento mobilizou a cidade

Natally Oliveira sumiu ao sair para ir na casa da avó que fica ao lado. Foram sete dias de buscas, até que a Polícia Militar recebeu a informação que o acusado iria queimar o corpo para não deixar pistas. A PM encontrou com o rapaz na porteira da propriedade onde ele trabalhava e morava com a esposa, irmã da mãe da vítima e diante das evidências, acabou confessando o crime e mostrando onde havia enterrado o corpo. Ele a jogou em um barranco e jogou terra por cima. O corpo de Natally de Oliveira está em estado avançado de putrefação.

O acusado levou a família para o supermercado da cidade. Ele as deixaram e disse que voltaria em casa para pegar uma blusa de frio, mas não voltou mais. O rapaz foi até o bairro, pegou a sobrinha e a levou para a zona rural. Para dificultar, ele foi passando pelo entorno da cidade, longe de câmeras de segurança e pegou a estrada rural.

Na zona rural, manteve relação sexual com a sobrinha, depois a matou e desovou o corpo em uma mata nos fundos da propriedade. Ele foi preso em flagrante e foi encaminhado ao Presídio de Lavras. O inquérito foi assumido pelo delegado Dr. Bruno Bastos que terá 10 dias para concluí-lo.

Ele pode responder pelo crime de ocultação de cadáver, mas pode responder também pelos crimes de feminicídio e estupro. Se for condenado a pena máxima em todos os crimes, posse ficar 45 anos atrás das grades.