O caso Natally chega ao fim de forma trágica. Natally Oliveira de 14 anos, foi estuprada, morta e enterrada, pelo próprio tio de 25 anos, em um sítio na zona rural de Nepomuceno. O corpo dela foi encontrado no início da tarde desta sexta-feira (18), sete dias depois dela ter misteriosamente desaparecido. A estudante estava em casa e havia saído para ir na casa da avó que fica ao lado e desapareceu.

De acordo com o delegado que comandou as investigações, Dr. Gustavo Gomes, o rapaz era o principal suspeito desde o primeiro momento. Foi ele inclusive que teria informado a família que o sinal do telefone dela teria sido mostrado a última vez, no cafezal próximo do bairro Jardim das Esmeraldas onde ela morava. No dia seguinte, o Corpo de Bombeiros fez buscas pelo local, usou drones e cães farejadores para procurar Natally. Era uma forma de dificultar que ele fosse descoberto. Depois que chegou a informação de uma testemunha teria visto a menina conversando com alguém em um carro preto, o foco das investigações mudou.

Durante as investigações, o suspeito sempre levava informações desencontradas e que nada contribuiu com o trabalho policial, o que também o fez ser alvo das atenções das equipes.

 

“Ele era o principal alvo desde a primeira abordagem feita pela Polícia Militar lá no bairro. Porém precisávamos de elementos fortes para provar a autoria. Neste tempo, nós pedimos a quebra de sigilo e ficamos vários dias analisando imagens de câmeras. Existe uma imagem inclusive que ele aparece com a vítima. O suspeito foi ouvido e apresentou uma versão mentirosa que a polícia já sabia”, explicou Gustavo Gomes.

Ainda de acordo com o delegado, a Polícia Militar recebeu uma informação importantíssima que o autor sentindo a pressão das policias chegando próximo dele, tinha intenção de queimar o corpo de Natally, certamente para não ser localizado e apagar qualquer vestígio.

Diante disso, equipes da PM de Três Pontas rapidamente deslocaram até a propriedade na zona rural, que fica entre Três Pontas e Nepomuceno e encontraram com ele na porteira. Ele acabou tendo que confessar que havia matado a sobrinha. Primeiro, a suspeita é que o rapaz teria a estuprado dentro da sua própria casa. Lá, algo aconteceu e ele acabou matando a estudante, com várias pauladas na cabeça. Depois, lançou o corpo em um barranco nos fundos da propriedade e jogou terra por cima. O carro preto usado no crime, ele foi deixou em uma oficina, certamente para mudar as características do veículo.

“Ele desde o início tentou atrapalhar as investigações e foi sempre o alvo principal” diz delegado Dr. Gustavo Gomes 

O corpo de Natally de Oliveira está em estado avançado de putefração e por isso, será levado para o Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte. O exame de necropsia vai apontar onde foram os golpes, a intensidade e a profundidade deles e quais foram aqueles que foram fatais. Isto será usado inclusive na qualificadora que pode agravar a pena do acusado. A Pericia da Polícia Civil este no local.

Investigação

Como Natally era uma menina tímida, reservada, de pouca conversa e amigos, só mesmo pessoas que ela conhecesse a convenceria entrar em um carro. O acusado levou sua esposa, que é tia da menina, a mãe de Natally para o supermercado da cidade. Ele as deixaram e disse que voltaria em casa para pegar uma blusa de frio, mas não voltou mais.

O rapaz foi até o bairro, pegou a sobrinha e a levou para a zona rural. Para dificultar, ele foi passando pelo entorno da cidade, longe de câmeras de segurança e pegou a estrada rural.
A apuração do caso segue agora em outra fase. O que teria a feito entrar dentro do carro preto? Qual o local que Natally foi morta? Quando ela foi assassinada? Qual seria a motivação? A conclusão dos trabalhos vai esclarecer se ele premeditou o crime ou se foi um crime de oportunidade.

São perguntas que o inquérito remetido judicialmente ao delegado Dr. Bruno Bastos terá que responder. No depoimento prestado na noite desta sexta-feira, ele também confessou o crime. A Polícia Civil tem 10 dias para concluir o inquérito.

Ele foi levado para o Presídio da cidade de Lavras onde ficará a disposição da justiça. O rapaz não tinha passagens pela polícia, mas tinha alguns registrados de abordagens policiais.

O acusado foi autuado em flagrante pelo crime de ocultação de cadáver, mas pode responder também pelos crimes de feminicídio e estupro. Se for condenado a pena máxima em todos os crimes, posse ficar 45 anos atrás das grades.