

Pelo terceiro mês consecutivo, o Índice da Cesta Básica de Três Pontas (ICB-FATEPS/UNIS) apresentou elevação, desta vez a variação foi de 0,87% no mês de junho comparado com o mês de maio. Os hortifrutigranjeiros (banana, batata e tomate) tiveram fortes altas, enquanto as quedas mais consideráveis ocorreram com feijão carioquinha, óleo de soja e carne bovina.
Comparando com junho de 2022, o valor da cesta acumula alta de 4,85% no período de um ano. Na cidade de Três Pontas a pesquisa é realizada na última semana do mês e ocorre por meio da coleta dos preços de 13 produtos que compõem a cesta básica nacional de alimentos nos principais supermercados da cidade, utilizando uma metodologia adaptada do DIEESE.

No final de junho, o valor médio da cesta básica nacional de alimentos para o sustento de uma pessoa adulta na cidade de Três Pontas era de R$645,68. Este valor representava 52,88% do salário mínimo líquido (salário mínimo total menos o desconto do INSS). Dessa forma, o trabalhador que recebe um salário mínimo mensal precisava dedicar 107 horas e 37 minutos por mês para adquirir essa cesta em Três Pontas. Entre os meses de maio e junho, dos 13 produtos componentes da cesta básica pesquisada em Três Pontas, três tiveram alta dos preços médios – a banana 21,21%, a batata 15,98% e o tomate 15,39%.
A banana apresentou esse aumento em razão da menor disponibilidade da espécie prata,
enquanto que o tipo nanica manteve a oferta e o preço estáveis. Quanto à batata, a chegada da entressafra aliada com uma demanda mais aquecida explica essa forte elevação nos preços médios do produto. Em relação ao tomate, o clima mais frio nas últimas semanas de junho atrasou a maturação e diminuiu a sua comercialização.
Três produtos tiveram seus preços médios mantidos sem variação em relação à última
pesquisa: pão francês, café em pó e açúcar refinado. Sete produtos tiveram queda em seus valores conforme demonstrado a seguir.

O feijão carioquinha teve essa queda considerável devido à intensificação da safra e à
proximidade do pico de oferta que ocorre entre os meses de julho e agosto. O óleo de soja apresentou diminuição nos preços médios devido à expectativa de grande oferta mundial de soja e também à queda na taxa de câmbio. No que tange a carne bovina, a maior oferta de animais para o abate e a demanda interna ainda desaquecida explicam essa queda nos valores médios.
Como previsto no último relatório, o comportamento da oferta dos produtos
hortifrutigranjeiros, em razão da entressafra, foi decisivo para o resultado do índice da cesta básica de Três Pontas no mês de junho. Por outro lado, a safra de feijão acima das perspectivas e a queda nos preços do óleo de soja e da carne bovina compensaram em parte as altas da banana, batata e tomate, contribuindo para que a alta no índice final não fosse ainda maior. No curto prazo, espera-se que a intensificação da safra de inverno dos hortifrutigranjeiros possa contribuir para um recuo no valor da cesta. Cabe salientar que as últimas altas ocorridas fizeram com que o nível de comprometimento da renda salarial líquida se mantivesse acima de 50%, fato que compromete muito o orçamento doméstico. Os consumidores precisam ficar atentos a possibilidades de minimizar esse impacto, especialmente por meio da pesquisa de preços.















